Viúva realiza sonho e tem filho do noivo morto há 3 anos
Três anos após perder noivo assassinado, mulher recorre à fertilização e barriga de aluguel para ter bebê e homenagear o companheiro
atualizado
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Uma mulher realizou um desejo antigo de uma forma agridoce, marcada pela dor e pela memória. Três anos após perder o noivo, o repórter Dylan Lyons, morto a tiros enquanto trabalhava na Flórida, a norte-americana Casey Lynn deu à luz ao primeiro filho do casal por meio de barriga de aluguel. O bebê, nascido em 19 de março recebeu o nome do pai como forma de homenagem.
“Na religião judaica, quando alguém falece, você dá aos seus filhos o nome dessa pessoa, seja o primeiro nome ou o nome do meio”, contou Casey à revista People. “Senti que dar o nome dele ao nosso filho seria a maneira mais bonita de honrar sua memória.”

Ela afirma que a maternidade, embora tardia, fez sentido dentro da sua trajetória. Para ela, Deus estaria “levando o tempo necessário para criar um menino tão lindo para ser meu filho”.
A história do nascimento de Dylan carrega um contexto de tragédia. Seu pai, um jornalista, de 24 anos, trabalhava na emissora Spectrum News 13 quando foi morto durante a cobertura de uma série de tiroteios em Pine Hills, em fevereiro de 2023. O caso teve grande repercussão à época e o suspeito do crime foi preso e indiciado.
O impacto da perda ainda é presente na vida de Casey. “Quando descobri que o homem por quem eu era profundamente apaixonada e com quem estava construindo uma vida havia sido assassinado, foi algo que jamais esquecerei”, relembra. “Às vezes, ainda tenho flashbacks de estresse pós-traumático daquele momento e de como eu não conseguia nem ficar de pé. Uma hora antes, estávamos conversando ao telefone — e, de repente, ele havia desaparecido. Foi o pior momento da minha vida.”
O relacionamento entre os dois começou em 2020, quando se conheceram no ambiente de trabalho, em uma afiliada da ABC na Flórida. Ela era produtora, e ele, repórter. A proximidade cresceu rapidamente. “Eu aproveitava qualquer desculpa para puxar conversa com ele no trabalho”, conta. “Com o tempo, nos tornamos amigos próximos, mas eu sabia que nunca poderia ser apenas amiga do Dylan Lyons. Eu estava completamente apaixonada por ele.”
Após o crime, Casey encontrou apoio na família do noivo, com quem passou a conviver. “Eles sempre me ajudaram da melhor maneira possível nos meus momentos difíceis, mesmo estando de luto pela perda de um filho”, diz. “O pai do Dylan fez uma promessa para ele, da qual eu não tinha a menor ideia: que ele sempre cuidaria de mim se algo me acontecesse na vida. Nós definitivamente nos apoiamos mutuamente em nosso luto.”

Com acompanhamento terapêutico, ela decidiu transformar a dor em um novo propósito. “Decidi viver porque Dylan não pode mais, então quero viver por ele”, afirma.
Foi nesse contexto que Casey optou por tentar realizar o sonho de ser mãe a partir da coleta de espermatozoides pós-morte do noivo. O procedimento precisou ser feito em um curto intervalo de tempo após o falecimento. “Para obter espermatozóides viáveis após a morte, a coleta precisa ser feita em até 24 a 36 horas”, explica.
“Tivemos que esperar até que o corpo de Dylan fosse liberado por causa da investigação. Isso levou cerca de 24 horas, e então tivemos que encontrar um urologista que realizasse o procedimento”, detalha Casey ao jornal norte-americano.
O processo até a gravidez foi longo. Apesar de encontrar uma barriga de aluguel em poucos meses, Casey passou por cinco coletas de óvulos e duas tentativas sem sucesso antes de conseguir engravidar. “Havia dias em que eu chorava porque não tinha certeza se algum dia seria mãe”, relembra. A confirmação da gestação veio em julho de 2025.
Com o filho nos braços, ela afirma que pretende manter viva a história do pai. “Era isso que sempre quisemos juntos”, diz. “No entanto, Dylan está muito vivo no meu coração e agora também no coração do nosso filho. Ele sempre estará conosco.”
