Veja hábito comum nos países mais felizes do mundo e mude sua vida
É possível incorporar alguns dos hábitos dos países mais felizes do mundo e melhorar sua qualidade de vida onde estiver
atualizado
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Após uma imersão na Finlândia e na Dinamarca, eleitos diversas vezes os países mais felizes do mundo pelo World Happiness Report, a pesquisadora da Ciência da Felicidade Renata Rivetti revelou um dos hábitos que parece ter um importante papel no bem-estar geral das populações locais: a limitação do uso de celular.
Renata esteve nos dois países nórdicos para estudar e fazer uma imersão nos os conceitos de Sisu — a resiliência finlandesa diante da adversidade — e Hygge — a arte dinamarquesa de cultivar segurança emocional e pertencimento.
E durante esse processo, ela percebeu que os conceitos podem ser relacionados a uma cultura enraizada de impor limites claros à hiperconectividade.
Em reuniões de trabalho e em encontros sociais, bem como momento à mesa em família, o celular não fica por perto. Mesmo que virado para baixo, o aparelho pode chamar a atenção com notificações e tirar o foco do momento que está sendo vivenciado.
“O mecanismo é fisiológico, não comportamental. O cérebro humano não consegue ignorar a possibilidade de uma notificação. Mesmo sem som, mesmo sem toque, o aparelho sobre a mesa mantém o sistema nervoso em estado de alerta permanente, um processo que consome recursos cognitivos de forma constante e silenciosa”, explica a pesquisadora.
Uma pesquisa feita por pesquisadores da Åbo Akademi e apresentado durante imersão realizada por Renata aponta ainda que ter o celular sobre a mesa durante uma reunião reduz em até 15% a capacidade cognitiva disponível, mesmo desligado e com a tela virada para baixo, o que também pode ser levado em consideração em encontros sociais e familiares.
Renata também ressalta o conceito de “realidade biológica do sistema”, em que são levados em consideração os ciclos naturais de ativação e recuperação do cérebro, reforçando que as pausas não são sinais de improdutividade, mas mecanismos essenciais para o bom funcionamento do organismo.

Ela reforça que sem o funcionamento dos ciclos, o sistema nervoso fica em constante estado de hiperativação. “O efeito é conhecido: queda de foco, irritabilidade, decisões de pior qualidade e um cansaço que não se resolve com uma noite de sono”, completa.
Mentalidade estabelecida
Na Finlândia e na Dinamarca, a desconexão e afastamento do celular já é regra em diversos ambientes corportativos e órgãos públicos, o que acaba passando também para os hábitos na vida social. “Essa mudança cultura faz com que o senso de ansiedade que o celular traz seja combatido no dia a dia”, explica a pesquisadora.
O debate no Brasil começa a avançar lentamente, incluindo as restrições ao uso de celulares em escolas públicas federais.
Para Renata, o hábito dos países mais felizes do mundo mostra a importância de políticas públicas e sociais que coloquem o bem-estar em foco. “Em um cenário de hiperestimulação permanente, proteger a atenção deixou de ser escolha individual e passou a ser uma decisão cultural e institucional. É o que os países mais felizes do mundo já entenderam”, finaliza.
