Tensão muscular e estresse: um ciclo de dor que compromete a rotina

Estresse crônico e má postura impedem o relaxamento muscular, elevando em três vezes o risco de dores espalhadas pelo corpo

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Foto colorida de mulher sentada e com notebook à frente em uma mesa. Ela está com as mãos no rosto - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de mulher sentada e com notebook à frente em uma mesa. Ela está com as mãos no rosto - Metrópoles - Foto: Resume Genius/Pexels

A dor muscular deixou de ser um desconforto passageiro para se tornar uma barreira na produtividade e no bem-estar dos brasileiros. O fenômeno, impulsionado pela combinação entre o estresse ocupacional e o uso inadequado do corpo durante o trabalho, cria um estado de tensão sustentada que impede o organismo de se recuperar, gerando danos aos tecidos e processos degenerativos precoces.

Entenda

  • O “gatilho” do trapézio: o estresse psicológico ativa automaticamente músculos específicos, como o trapézio superior, mesmo que a pessoa não mude de posição.
  • Mecanismo da falha de relaxamento: sob tensão crônica, o músculo perde a capacidade de “desligar”. Sem esses períodos de baixa atividade elétrica, o tecido entra em exaustão.

  • Risco de dor generalizada: profissionais com alto nível de comprometimento psicológico têm 3 vezes mais chances de desenvolver dores por todo o corpo, e não apenas em um ponto isolado.

  • Impacto profissional: o ciclo de tensão-dor resulta em maior absenteísmo (faltas), queda drástica na produtividade e prejuízos ao desempenho educacional e profissional.

O ciclo da tensão sustentada

De acordo com José Marcos Bastos, anestesiologista especializado em dor do Centro Clínico Saint Moritz, o problema reside na ativação contínua de unidades motoras de baixo limiar. Na prática, isso significa que o corpo permanece em estado de alerta, impedindo o descanso muscular necessário.

A postura de “cabeça anteriorizada” — comum no uso excessivo de celulares e computadores — agrava o quadro, aumentando drasticamente a carga sobre a coluna cervical. Quando o estresse mental se soma a essa base física fragilizada, o dano tecidual torna-se inevitável.

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A perspectiva psicológica

Embora a dor se manifeste no corpo, a origem muitas vezes reside na mente e na forma como lidamos com a pressão externa. O componente emocional é o combustível que mantém os músculos contraídos mesmo após o fim da jornada de trabalho. Sobre esse aspecto, a psicologia destaca o peso do comportamento sobre a fisiologia:

“O corpo é um reflexo das nossas tensões internas. Quando não conseguimos processar o estresse, o organismo ‘fala’ através da rigidez muscular, criando uma couraça defensiva que, a longo prazo, se transforma em dor crônica e limitação física.”

Para romper esse ciclo, especialistas recomendam pausas ativas, ergonomia adequada e, sobretudo, o gerenciamento do estresse ocupacional para permitir que o sistema musculoesquelético recupere sua função natural de relaxamento.

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