metropoles.com

Setembro Amarelo: como falar sobre o tema com seu filho adolescente

Conversas francas e acolhedoras ajudam a quebrar tabus e proteger a saúde mental dos adolescentes dentro e fora de casa e da escola

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

ridvan_celik/Getty Images
foto colorida pai conversando com o filho adolescente
1 de 1 foto colorida pai conversando com o filho adolescente - Foto: ridvan_celik/Getty Images

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10/9), o alerta é claro: não basta observar, é preciso conversar. Dentro de casa ou na escola, falar sobre saúde mental com os adolescentes pode ser desconfortável, mas é fundamental. A adolescência é uma fase de intensas mudanças e, muitas vezes, de vulnerabilidades emocionais. Em um mundo que ainda carrega tabus sobre o sofrimento psíquico, o diálogo pode ser a principal forma de proteção.

Para entender como as famílias podem abordar esse tema delicado com os filhos, principalmente adolescentes, o Metrópoles conversou com o psiquiatra Fábio Aurélio Leite, do Hospital Santa Lúcia Norte, e com o pedagogo Alexandre Lucas, professor e orientador educacional da UNIG.

Diálogo começa cedo e salva vidas

“Se é tabu, tem que ser quebrado”, afirma o psiquiatra Fábio Aurélio Leite logo no início de sua fala. Para ele, não há dúvida: o diálogo é essencial, desde que conduzido com sensibilidade. “Isso é uma coisa que se constrói desde pequeno. Não é na adolescência que você vai criar uma intimidade do nada”, pontua. O médico ressalta que pais e mães devem manter canais de comunicação abertos, e que a escuta ativa precisa vir antes do julgamento ou da tentativa imediata de resolver tudo.

“Tem que ser uma conversa tranquila, direta e natural. Não precisa solenidade nem tom de alerta, e sim acolhimento”, orienta Leite. Segundo ele, a aproximação pode vir de forma leve, em momentos casuais, como um passeio ou um jantar em família. O importante é mostrar interesse genuíno: “Fala que está preocupado, pergunta se alguém comentou algo na escola, se já ouviu falar da campanha. Às vezes, puxar o assunto por uma notícia pode ser um bom começo.”

Mudanças de comportamento em adolescentes: sinais que pedem atenção

Adolescentes nem sempre dizem com todas as letras que estão sofrendo e é justamente por isso que os sinais não verbais merecem atenção.

“Os adolescentes podem ficar mais impulsivos, irritados ou, ao contrário, se isolar e se calar. Às vezes verbalizam de forma indireta, falam de alguém que morreu, comentam sobre tristeza ou doença de modo sutil”, explica o psiquiatra.

Leite destaca ainda que eventos específicos podem intensificar o sofrimento: términos de relacionamento, frustrações escolares, conflitos familiares. “Qualquer trauma relevante pode desencadear pensamentos negativos”, alerta.

Setembro Amarelo: como falar sobre o tema com seu filho adolescente - destaque galeria
4 imagens
Não espere a adolescência; quanto mais cedo a conversa, melhor
Às vezes, tudo que alguém precisa é de um “como você está de verdade?
Você não precisa saber tudo que passa na cabeça de um adolescente — só precisa estar ali, disposto a ouvir
A escola ensina, mas também acolhe. E a família, mais ainda
1 de 4

A escola ensina, mas também acolhe. E a família, mais ainda

Klaus Vedfelt/Getty Images
Não espere a adolescência; quanto mais cedo a conversa, melhor
2 de 4

Não espere a adolescência; quanto mais cedo a conversa, melhor

ridvan_celik/Getty Images
Às vezes, tudo que alguém precisa é de um “como você está de verdade?
3 de 4

Às vezes, tudo que alguém precisa é de um “como você está de verdade?

Jose Luis Pelaez Inc/Getty Images
Você não precisa saber tudo que passa na cabeça de um adolescente — só precisa estar ali, disposto a ouvir
4 de 4

Você não precisa saber tudo que passa na cabeça de um adolescente — só precisa estar ali, disposto a ouvir

Maskot/Getty Images

Escola: espaço de escuta e validação

A escola tem papel central na rede de proteção emocional dos jovens. “É onde eles passam a maior parte do tempo e onde os comportamentos se manifestam”, lembra o médico. Para o pedagogo Alexandre Lucas, a escola precisa ser mais do que um espaço de transmissão de conteúdos: deve ser também um lugar de observação cuidadosa e de acolhimento.

“As dificuldades de aprendizagem fragilizam a autoestima do adolescente porque a escola é um espaço de validação social. Quando ele se percebe incapaz de acompanhar a turma, internaliza a sensação de fracasso”, explica o educador, fazendo referências às teorias de Albert Bandura e Erik Erikson, que associam frustrações constantes à vulnerabilidade emocional.

Nesse contexto, o papel dos profissionais de educação é fundamental. “Mudanças sutis de comportamento muitas vezes já sinalizam fragilidades emocionais, um orientador educacional atento pode ser o primeiro a notar que algo está errado”, afirma Lucas.

foto colorida pais falando com filho adolescente
Na dúvida, converse com seu filho adolescente. No silêncio, esteja presente

A importância de uma rede de apoio ativa

Nem escola nem família devem enfrentar sozinhas os desafios da saúde mental na adolescência. A construção de uma rede de apoio, integrada e ativa, é indispensável. “O adolescente se desenvolve em diferentes contextos que se influenciam mutualmente”, explica Alexandre Lucas, citando a teoria ecológica de Bronfenbrenner. “Quando a escola identifica sinais e aciona a família, e esta dialoga com profissionais da saúde, o risco de invisibilidade do sofrimento psíquico diminui consideravelmente.”

Cobrança ou acolhimento? O equilíbrio possível

Para muitos pais, encontrar o ponto de equilíbrio entre cobrança e acolhimento é um desafio. “O baixo rendimento escolar costuma ser a consequência, não a causa do problema”, afirma Lucas. Ele defende que as notas devem ser vistas como um indicador e não como um veredito. “A escuta ativa é essencial. Quando o adolescente percebe que a família valoriza sua integridade e respeita seu tempo, tende a recuperar o equilíbrio emocional.”

Setembro Amarelo: como falar sobre o tema com seu filho adolescente - destaque galeria
4 imagens
A escola ensina, mas também acolhe. E a família, mais ainda
Falar pode salvar. Ouvir com empatia pode transformar
Falar sobre saúde mental ainda é tabu. Por isso mesmo, é urgente
Adolescentes precisam de escuta, não de julgamento
1 de 4

Adolescentes precisam de escuta, não de julgamento

ljubaphoto/Getty Images
A escola ensina, mas também acolhe. E a família, mais ainda
2 de 4

A escola ensina, mas também acolhe. E a família, mais ainda

sabelskaya/Getty Images
Falar pode salvar. Ouvir com empatia pode transformar
3 de 4

Falar pode salvar. Ouvir com empatia pode transformar

MStudioImages/Getty Images
Falar sobre saúde mental ainda é tabu. Por isso mesmo, é urgente
4 de 4

Falar sobre saúde mental ainda é tabu. Por isso mesmo, é urgente

stournsaeh/Getty Images

A conversa salva

Setembro Amarelo é mais do que uma campanha: é um convite à escuta, à empatia e à coragem de romper o silêncio. E essa conversa começa em casa. O que está em jogo não é apenas o desempenho escolar ou o bom comportamento, é a vida.

Mesmo quando não há sinais aparentes, trazer o tema à tona é um gesto de cuidado. E como lembra o psiquiatra Fábio Aurélio Leite, isso pode ser feito de forma simples: “Pergunte o que o adolescente pensa sobre o assunto. Escute. Converse. Porque às vezes, o que salva, é só ter alguém ali, pronto para ouvir.”

Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, procure um serviço de saúde mental ou ligue para o CVV (188), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comVida & Estilo

Você quer ficar por dentro das notícias de vida & estilo e receber notificações em tempo real?