Sergio Camargo: escultor também mantinha relação íntima com a poesia

Na megaexposição de Sergio Camargo, em Brasília, versos e esculturas revelam um artista que organizava o mundo em volumes, silêncio e ritmo

atualizado

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Augusto Costa/Especial para o Metrópoles
Abertura da exposição É pau, É pedra, do artista Sergio Camargo
1 de 1 Abertura da exposição É pau, É pedra, do artista Sergio Camargo - Foto: Augusto Costa/Especial para o Metrópoles

Brasília exibe até 13 de março de 2026 um lado pouco conhecido de Sergio Camargo (1930–1990): a poesia como extensão de sua pesquisa escultórica. Na mostra É Pau, É Pedra…, realizada pelo Metrópoles no Foyer da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro, versos e fragmentos escritos pelo artista dialogam com seus emblemáticos relevos, cilindros e formas em branco — revelando que, para Camargo, a palavra funcionava como matéria sujeita às mesmas leis de ritmo, silêncio e espaço que guiavam suas esculturas.

Transparência – Projeto É Pau, É Pedra – Sergio Camargo

Entenda

  • Exposição inédita em Brasília: É Pau, É Pedra… apresenta cerca de 200 obras de Sergio Camargo, incluindo esculturas, maquetes e poemas publicados no livro Preciosas Coisas Vãs Fundamentais.
  • Poesia como laboratório: seus versos exploram ritmo, vazio, silêncio e repetição — elementos que também estruturam seus relevos abstratos.
  • Uma obra em expansão: a mostra propõe repensar Camargo não apenas como escultor, mas como um artista cuja experimentação atravessava linguagens e modos de pensar.
  • Diálogo entre forma e linguagem: para Camargo, cada palavra era como um bloco ou intervalo — um gesto atento à organização do mundo que ecoa na geometria de suas peças.

A poesia como espaço de organização

Apesar de ser lembrado principalmente por seus relevos brancos e volumes que parecem “respirar luz”, Camargo também cultivava uma produção poética densa e reveladora.

Poesias ganham destaque na mostra

Seus poemas funcionam como esboços conceituais — anotações breves, quase arquiteturas verbais, que condensam a mesma inquietação formal que o levou a dissecar luz, sombra e matéria na escultura.

Versos como:

“Por dever ao
prumo que obriga
me aprumo
e dele não saio”

Esse e outros fragmentos são apresentados na exposição lado a lado com obras tridimensionais, evidenciando o caráter experimental da escrita e sua íntima relação com a lógica visual do artista.

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Sergio Camargo
Exposição É Pau, é Pedra…
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Sergio Camargo ganha exposição inédita no DF
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Sergio Camargo ganha exposição inédita no DF

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Escultura e palavra: um mesmo impulso investigativo

A mostra no Teatro Nacional não se limita à narrativa tradicional das fases de Camargo — figurativa, abstrata, em madeira ou mármore —, mas propõe uma leitura transversal da obra que enfatiza seus vínculos entre formas e linguagem.

Ali, o público é convidado a perceber que a poesia de Camargo não é um apêndice à sua escultura, mas uma tessitura paralela de pensamento estético: um modo de organizar o mundo em unidades de tempo, pausa e forma, tanto no plano verbal quanto no espaço físico.

Este enfoque reconfigura a percepção sobre o artista: não apenas como um escultor de renome internacional, mas como alguém para quem o ato de escrever versos era tão significativo quanto o gesto de moldar a matéria.

A exposição conta com o patrocínio dos Cartões Caixa e Visa Infinite, além do apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Serviço

Exposição É Pau, é Pedra…, de Sergio Camargo, realizada pelo Metrópoles

Visitação de 10 de dezembro a 13 de março, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional

De quarta-feira a segunda-feira, das 12h às 20h (terça-feira fechado para manutenção do Teatro)

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