Psicólogo revela hábito simples que ajuda na concentração e na memória
O hábito rotineiro que tem sido deixado de lado ajuda a manter o foco, além de estimular o desenvolvimento cognitivo, comenta psicólogo
atualizado
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Ao entrar na escola, ler e escrever estão entre as primeiras habilidades aprendidas pelas crianças. Embora pareça simples e corriqueiro, o hábito de escrever à mão, segundo psicólogos, é extremamente importante para o desenvolvimento e continua sendo benéfico na idade adulta e na terceira idade.
O ato de escrever à mão traz benefícios específicos que não acontecem quando digitamos no celular ou no computador. O psicólogo Saulo Soares explica que, quando escrevemos à mão, diferentes áreas do cérebro trabalham em conjunto. O córtex motor coordena os movimentos da mão e dos dedos, já o córtex visual participa da percepção das letras e do espaço no papel.
“O hipocampo, ligado à memória, ajuda a fixar melhor o conteúdo escrito. Áreas ligadas à atenção e à linguagem também são ativadas, criando um verdadeiro treino integrado para o cérebro. Por isso, estudos mostram que escrever à mão fortalece a memória e a compreensão, mais do que apenas digitar”, explica o especialista.
Além de estimular diversas áreas cerebrais, escrever manualmente envolve simultaneamente movimento, percepção e pensamento, uma integração que fortalece conexões neurais e favorece o desenvolvimento cognitivo.
“Em crianças, isso contribui para aprender a ler, organizar ideias e manter foco. Em adultos, ajuda a manter o cérebro ativo, funcionando como uma espécie de ginástica mental, que pode até retardar processos de declínio cognitivo”, acrescenta Saulo.
O psicólogo comenta que os adultos costumam preferir digitar nas tarefas cotidianas, pois escrever à mão costuma ser mais demorado. No entanto, ele explica que é justamente no ritmo mais lento que estão as vantagens.

“Nos obriga a pensar com mais clareza, selecionar palavras e organizar ideias de forma mais consciente. Escrever manualmente melhora a retenção de informações, como em anotações de estudo ou reuniões, e pode ter efeito terapêutico, funcionando como um espaço de pausa e reflexão no dia a dia acelerado”, completa.
No mundo cada vez mais digitalizado, as crianças, muitas vezes, aprendem a digitar antes mesmo de aprender a escrever. O psicólogo explica que o contato com lápis e papel na infância vai além de aprender a formar letras. “É uma experiência sensorial e motora que contribui para o amadurecimento do cérebro”.
Ao segurar um lápis, a criança desenvolve habilidades necessárias por toda a vida, como coordenação fina, força muscular e percepção espacial. O processo também favorece que a criança estabeleça uma relação mais profunda com a linguagem, pois exige paciência e ritmo, coisas que as telas, geralmente mais dinâmicas e rápidas, não estimulam da mesma forma.
Vantagens de escrever à mão
- Aumenta o foco e a concentração: por não ter recursos de autocorreção ou distrações de notificações, como acontece no computador ou no celular, faz com que a pessoa tenha mais atenção. O cérebro precisa estar presente na tarefa: pensar, escrever, revisar. “Esse mergulho no processo ajuda a reduzir a dispersão e pode até ser usado como prática de atenção plena parecida com um exercício de mindfulness”, diz o especialista.
- Ativa a coordenação motora fina
- Melhora as noções de organização espacial
- Auxilia na percepção visual
- É benéfica para a memória e planejamento.
- Estimula funções executivas, como iniciar uma tarefa, mantê-la até o fim e revisar o que foi feito. “Ou seja, não é só escrever letras, mas treinar habilidades cognitivas e emocionais importantes para a aprendizagem e para a vida”, comenta Saulo.
- É uma aliada da desconexão: a escrita manual pode funcionar como um refúgio do mundo digital. Cadernos ou diários para anotações, reflexões ou listas são formas práticas de se desconectar das telas. Reduz o tempo on-line e cria um espaço íntimo e pessoal. “O que se escreve não é ‘compartilhável’ de imediato, mas sim um diálogo consigo mesmo. Isso fortalece o autoconhecimento e ajuda a equilibrar a relação com a tecnologia”.
