Preta Gil: a importância da rede de apoio na luta contra o câncer
Cercada por amigos e pela família, Preta Gil mostrou que o afeto pode ser tão essencial quanto a medicina no enfrentamento da doença
atualizado
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A cantora Preta Gil morreu neste domingo (20/7), após uma luta intensa contra um câncer no intestino. A despedida aconteceu no Dia do Amigo, data simbólica para quem, como ela, nunca caminhou sozinha. Até o último instante, a cantora foi envolvida por uma rede de apoio sólida, presente, amorosa — formada por amigos que deixaram suas próprias vidas em pausa para estar ao seu lado, e por familiares que compreenderam que o cuidado não se faz apenas com remédios, mas com afeto, escuta e presença.
“Vocês fazem a diferença na minha vida, meus amigos amados!”, escreveu Preta em março de 2023, dois meses após o diagnóstico.
A psicóloga Fernanda Angelini reforça: o apoio emocional, mais do que desejável, é indispensável. “Quanto mais apoio, melhor. Não só para promover qualidade de vida, especialmente em momentos difíceis, mas também para evitar o agravamento do quadro. O estresse tem impacto real sobre a saúde física”, explica.
Preta Gil foi acompanhada de perto por pessoas que escolheram estar — e permanecer. Gominho, amigo de longa data, pediu demissão para ficar com ela durante o tratamento. Carolina Dieckmann atravessou fronteiras para acompanhá-la nos últimos dias de vida. Ju de Paulla passou três meses ao lado de Preta nos Estados Unidos. A empresária Malu Barbosa era a amiga que dormia com a cantora no hospital e a acompanhava em todos os momentos.
Fernanda Paes Leme, Luciano Huck, Regina Casé, Ivete Sangalo e outros artistas também fizeram parte da jornada da artista contra o câncer. A cada demonstração de cuidado, uma resposta: o afeto não cura o câncer, mas transforma profundamente a maneira de enfrentá-lo.
De acordo com Angelini, um dos maiores desafios é o peso emocional do diagnóstico. “Além da doença, o paciente muitas vezes lida com sentimentos de isolamento e tristeza profunda. Por isso, a estabilidade emocional, quando possível, é tão importante quanto o tratamento médico.”
A psicóloga destaca ainda que muitos não sabem como ajudar — e que, socialmente, especialmente mulheres, são ensinadas a não pedir ajuda. “Romantizamos a ideia de que é preciso dar conta sozinha. Isso nos isola, mesmo diante de situações de emergência. A ajuda só acontece de forma saudável quando há consentimento. É preciso perguntar, escutar, se colocar à disposição — e respeitar quando o outro não quiser ou não puder aceitar naquele momento.”
Preta Gil construiu, ao longo da vida, relações baseadas na troca genuína. Carolina Dieckmann, ao se despedir da amiga, escreveu: “Esses últimos 4 dias, estar tão perto, com você… foi o maior presente do mundo”. Gominho definiu: “Ela não é só minha amiga. Ela é minha mãe, irmã, família e inspiração pra toda uma vida!”. Ju de Paulla lembrou: “Eu estava lá, dormindo do seu lado todo dia. A gente estava tão esperançosa.”
Para a psicóloga, esse cuidado contínuo e respeitoso contribui para que a pessoa mantenha a dignidade e o protagonismo até o fim. “O paciente precisa ser ouvido. O cuidado não pode atropelar. A comunicação clara, o respeito aos limites e o afeto são o que garantem que a pessoa viva, de fato, até seu último dia.”
Agora, com a partida de Preta, começa o luto — que, segundo Angelini, também exige acolhimento e não deve ser julgado. “Não existe forma certa de sofrer. Algumas pessoas choram, outras silenciam. Há quem se isole, há quem sorria. Todas essas formas são válidas.”
Preta Gil nos deixou com música, com coragem e com um legado de afeto. Sua história reafirma uma verdade essencial: diante da dor, ninguém deveria caminhar só. O amor, quando presente de forma real e comprometida, não é um gesto simbólico. É cuidado. É parte do tratamento. É vida.
Morte de Preta Gil
Morreu, aos 50 anos, a cantora Preta Gil, após uma longa batalha contra o câncer, neste domingo (20/7). A notícia foi confirmada pela coluna Fábia Oliveira e pela assessoria da artista ao Metrópoles.
Preta foi diagnosticada com câncer de intestino em janeiro de 2023. Na época, ela procurou o hospital após sentir um incômodo e passou dias internada, passando por exames.

Foi constatado que a artista estava com adenocarcinoma — um tumor maligno que pode acometer vários órgãos, como pulmões, intestino, mama, próstata e estômago. Ela iniciou o tratamento na semana seguinte.
Em dezembro do mesmo ano, Preta comemorou a cura do câncer e o fim do tratamento. Entretanto, em agosto de 2024, Preta anunciou o retorno da doença em outras partes do corpo. Desde então, a cantora passou por vários altos e baixo, chegando a buscar tratamento em Washington, nos Estados Unidos.














