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Vida & Estilo

Por que você interrompe as pessoas? A psicologia tem duas respostas

Cortar falas pode dizer mais sobre você do que imagina: insegurança, ansiedade e uma vontade quase urgente de ser ouvido por outras pessoas

07/10/2025 08:36
Nadzeya_Dzivakova/Getty Images
arte colorida pessoas interrompendo conversas

Sabe aquela pessoa que mal começa a falar, já entra atropelando? Talvez seja você. Mas calma — antes de rotular esse comportamento como pura falta de educação, vale ler o que diz a psicóloga Cibele Santos: interromper alguém pode esconder duas necessidades emocionais muito comuns — e profundas.

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“É uma forma de tentar garantir espaço numa conversa. Em geral, a pessoa não quer ser desrespeitosa. Ela quer ser ouvida, e rápido”, explica Cibele.

De acordo com a psicóloga, há dois padrões que se repetem em quem interrompe com frequência. O primeiro é a necessidade de afirmação e validação. A fala do outro vira plano de fundo para a própria urgência em se colocar. O pensamento é inconsciente, mas claro: “o que eu tenho a dizer importa mais”.

O segundo ponto é a ansiedade e a baixa tolerância ao silêncio ou à espera. “Às vezes, a pessoa está tão ansiosa para não esquecer o que pensou, que já vai falando, mesmo sem perceber que está cortando o outro”, diz Cibele.

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No fundo, esse comportamento mostra uma inversão na balança da comunicação: a expressão pessoal pesa mais que a escuta ativa. É como se o impulso de falar fosse maior que a disposição de ouvir.

pessoas conversando
Na psicologia, interromper uma pessoa vai além de uma simples falta de educação. O ato de cortar a fala do outro pode ser um reflexo de inseguranças, ansiedade ou uma necessidade intensa de controle

Tem solução? Tem sim e começa pela pausa

Se você se reconheceu aí (ou pensou em alguém), a boa notícia é que dá para mudar. O primeiro passo, segundo Cibele, é treinar a escuta. E ela sugere uma regra simples: espere três segundos antes de responder. “Crie o hábito de fazer uma pausa mental de três segundos antes de falar, mesmo que a outra pessoa tenha terminado a frase. Esse mini intervalo dá tempo ao cérebro de sair do modo ‘resposta’ e entrar no modo ‘escuta’. Parece pouco, mas faz diferença.”

Outra estratégia é anotar palavras-chave enquanto o outro fala, para não ficar ansioso com o medo de esquecer o que queria dizer. E uma técnica poderosa: parafrasear antes de dar sua opinião. Algo como: “Se eu entendi bem, você quis dizer que…”. Isso mostra que você ouviu — e só depois quer contribuir.

pessoas conversando
Se for interrompido, não entre em conflito com a outra pessoa, mas também não ceda imediatamente. Use frases gentis e firmes

E se for você quem vive sendo interrompido?

A dica da psicóloga é manter a calma e reafirmar o seu espaço com firmeza e gentileza. Frases como “Só um minuto, estou concluindo meu pensamento” ou “Boa ideia, mas deixa eu terminar rapidinho” funcionam como limites saudáveis sem criar atrito.

A linguagem corporal, segundo Cibele, também ajuda: manter o olhar firme, gesticular suavemente enquanto fala e inclinar-se levemente para frente sinaliza que a sua fala ainda não acabou.

E para conversas mais longas ou delicadas, vale combinar o “jogo” antes: “Vou te explicar isso em três partes. Pode segurar os comentários até o final?”

No fim, escutar pode ser mais transformador do que falar. Interromper é algo que quase todo mundo já fez e muitos nem percebem. Mas quando se olha com atenção, percebe-se que escutar o outro até o fim também é um jeito de ser ouvido. “Ouvir não é passividade. É conexão. E isso, no fim, é o que todo mundo está buscando”, finaliza Cibele.

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