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No Dia da Consciência Negra, saiba como o cabelo é símbolo de orgulho

O cabelo é uma parte muito importante da identidade negra. Ele representa história, raízes e identidade, afirmam experts

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Arte colorida com colagem de vários cabelos, black power, trança e mais para o Dia da Consciência Negra - Metrópoles
1 de 1 Arte colorida com colagem de vários cabelos, black power, trança e mais para o Dia da Consciência Negra - Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

“Cabelo duro”, “cabelo bombril” e “pixaim” são denominações racistas para cabelos cacheados e crespos. Por anos e, infelizmente, até hoje, esses termos associam o cabelo afro a algo de má qualidade ou “rebelde”. Porém, é justamente a singularidade dos fios que representa identidade, resistência e orgulho.

Em entrevista ao Metrópoles, Adriana Ribeiro, especialista em beleza negra, afirma que o cabelo afro é alvo de críticas, bullying e racismo desde quando o indivíduo é criança. Em especial, os crespos e volumosos, porque a sociedade “ensina” a odiá-los sempre.

“Quando descobrimos que ele [cabelo afro] é bonito, cheio de formas e identidade única, tudo muda e vem em forma de força e afirmação”, diz a educadora capilar que fundou o Afro Chic, salão especializado em beleza negra no Riacho Fundo I.

Foto colorida de uma mulher com cabelo cacheado - Metrópoles
Os cachos variam do tipo 3A ao 3C. Já os crespos variam entre 4A e 4C

Segundo a empreendedora, o racismo ainda fere e mata. “Vejo muitas pessoas sendo preteridas por causa de seus cabelos: na família, na rua e, principalmente, no mercado de trabalho. Muitas vezes precisam alisar os fios para serem aceitas.”

Por isso, a representatividade e o acolhimento têm um papel fundamental em ajudar as pessoas a se sentirem mais empoderadas em relação aos seus cabelos.

Autoestima

Para Juliana Cardoso da Silva, sócia e trancista do Afro Itinerante, o cabelo é uma parte muito importante da identidade negra. “Representa nossa história, nossas raízes e quem nós somos.”

Quando a pessoa se sente bem, com o cabelo do jeito que sempre desejou, se sente mais segura, bonita e confiante. Esse cuidado, segundo a profissional, vai além da estética: fortalece a autoestima, reafirma identidades e ajuda cada indivíduo a se reconhecer com orgulho.

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Isso dificulta a distribuição da oleosidade natural da raiz até as pontas
Os cachos variam do tipo 3A ao 3C. Já os crespos variam entre 4A e 4C
Hidratação e nutrição são essenciais
Cuidar corretamente dos utensílios que entram em contato com os fios garante um cabelo mais saudável e bonito
Os cachos podem ser mais frágeis que os cabelos lisos e ondulados
O cabelo cacheado tem forma de espiral ou "mola"
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Isso dificulta a distribuição da oleosidade natural da raiz até as pontas
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Os cachos variam do tipo 3A ao 3C. Já os crespos variam entre 4A e 4C
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Os cachos variam do tipo 3A ao 3C. Já os crespos variam entre 4A e 4C

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Hidratação e nutrição são essenciais
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Cuidar corretamente dos utensílios que entram em contato com os fios garante um cabelo mais saudável e bonito
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Os cachos podem ser mais frágeis que os cabelos lisos e ondulados
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Os cachos podem ser mais frágeis que os cabelos lisos e ondulados

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Vanessa Mendonça, jornalista e mestre em mídias criativas pela UFRJ, diz que foi o cabelo que a fez ter a percepção da sua raça. “Passei a minha infância inteira alisando o cabelo. Hoje, eu deixei crescer, cuido muito dele, mas ainda faço química quando necessário. Acho que o que a gente precisa entender é a liberdade.”

“Somos livres”

Ao longo dos anos, a autora do artigo Encaracolando as Ideias: Os Cabelos como Ferramenta de Liberdade foi entendendo que o cabelo é algo profundo para a população negra por ser um traço muito forte da identidade racial.

“A mulher negra é livre para fazer o que quiser com o próprio cabelo, desde que tenha consciência das escolhas. Por que precisamos sair de uma caixinha para entrar em outra? Não. Precisamos ser livres para usar o cabelo do jeito que quisermos”, relata Vanessa.

A importância da representatividade

Questionada sobre como a sua luta fortalece a representatividade, Adriana responde ao Metrópoles: “Sendo referência para muitas pessoas. Eu, mulher negra, com mais de 45 anos, empresária e livre dos paradigmas impostos pela sociedade, uso meus cabelos crespos, loiros, curtos e volumosos.”

Ela acrescenta que, com mais de 20 anos de experiência trabalhando com diferentes curvaturas, cores e estilos, consegue identificar a personalidade de cada cliente para encontrar o visual que melhor expressa quem ele é e, assim, devolver autoestima e confiança.

 

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Quatro em cada 10 salões dizem ter dificuldade para tratar cabelo crespo
O black power é mais do que um estilo de cabelo. É um instrumento de resistência e cultura
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Por ser naturalmente ressecado, o cabelo crespo precisa ser constantemente hidratado
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O black power é mais do que um estilo de cabelo. É um instrumento de resistência e cultura
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Enalteça suas madeixas crespas
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Enalteça suas madeixas crespas

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Mudança de vida

Adriana viveu muitas experiências marcantes como especialista em beleza negra. Uma delas envolveu uma cliente que sofreu um corte químico e precisou cortar os fios bem curtos. Ela não se sentiu bem com a mudança, especialmente por estar acima do peso, o que a levou a iniciar um processo de emagrecimento.

“Nesse caminho, ela descobriu várias doenças causadas pela obesidade e, meses depois, tornou-se atleta de corrida, deixando para trás o sedentarismo, enquanto os cabelos foram crescendo e ganhando forma. Se não tivesse tomado a atitude de cortar o cabelo, talvez sua vida não teria mudado”, relata Adriana.

Juliana Cardoso também compartilha como seu trabalho ajuda a mudar vidas: “⁠Eu me lembro de uma cliente que chegou muito pra baixo. Conversamos e escolhemos um estilo que combinava com ela. Quando terminei e ela se viu no espelho, abriu um sorriso enorme, disse que se sentia renovada, mais leve e muito mais bonita.”

Valorização do cabelo natural

De acordo com a jornalista Vanessa Mendonça, o movimento de valorização do cabelo natural é importante para reforçar a beleza e a identidade negra, combatendo o racismo que historicamente associou o cabelo natural à feiura.

No entanto, ela enfatiza a liberdade de escolha: “Ninguém deve ser julgado por alisar o cabelo, por exemplo. A conscientização e a liberdade de usar o cabelo como quer são os pontos-chave”, finaliza Vanessa.

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