Jovem, filha de pai drag queen e mãe hétero, viraliza nas redes
Aos 21 anos, Alyce revela como foi criada por uma mãe hétero e um pai gay em uma família planejada com amor e verdade
atualizado
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Uma história de amizade, afeto e escolhas conscientes colocou Alyce Santos de Deus no centro de um debate que atravessa redes sociais e conceitos tradicionais de família. Aos 21 anos, a jovem viralizou no TikTok ao contar que é filha de uma mulher hétero e seu pai é um homem gay — que já foi drag queen — e que nasceu de um acordo construído com respeito, transparência e amor.
Entenda
- Alyce é filha de Sandra Cristina e Paulo Cesar, amigos de longa data
- A gravidez foi planejada de forma natural, sem métodos laboratoriais
- Ela cresceu em um ambiente de diversidade, respeito e diálogo
- A história viralizou nas redes sociais em 2025, gerando repercussão nacional
Assista ao vídeo
@soualyce Respondendo a @Mia Von Cunt ★ história do meu nascimento 100% planejado por um pai #dragqueen ♬ som original – alyce
Uma filha que nasceu da amizade
Antes de ser um casal, Sandra Cristina de Jesus Santos e Paulo Cesar de Deus eram amigos, apresentados por Adilton, irmão de Sandra. A relação começou na juventude e foi construída em torno da convivência, da confiança e do carinho. Paulo, assumidamente gay, sempre deixou clara sua orientação sexual. Ainda assim, o vínculo entre os dois se fortaleceu ao longo dos anos.
“Ele sempre brincava que queria ter um filho comigo”, lembra Sandra. “Por muito tempo, achei que fosse só brincadeira.”
Com o passar do tempo, a ideia deixou de ser piada. Depois de cinco anos de amizade, Paulo decidiu falar sério. “Eu já me sentia pronto para ser pai. Perguntei se ela topava, e dessa conversa nasceu tudo”, conta.
A gravidez aconteceu de forma natural, planejada entre os dois, e Alyce veio ao mundo na terceira tentativa.

Crescer sabendo a verdade
Desde pequena, Alyce sempre soube como foi planejada. Para ela, a história nunca foi tabu — pelo contrário, sempre foi contada com naturalidade dentro de casa.
“Eu nunca questionei a decisão dos meus pais. Eles me queriam e sempre cumpriram o papel de pais”, afirma. “O fato do meu pai ser gay nunca foi uma questão, porque eu cresci aprendendo a respeitar as diferenças.”
Paulo fez questão de que a filha soubesse, desde cedo, quem ele era. “Eu sempre disse que, no dia em que ela entendesse, eu falaria que sou gay. Nunca quis esconder nada”, relata.
Sandra reforça que a transparência foi uma escolha consciente. “Nunca omitimos a história dela. Sempre incentivei o contato com o pai, sempre fiz questão de que ela soubesse de onde veio.”

Desafios, preconceito e resistência
Construir uma família fora dos modelos tradicionais não foi simples. Sandra conta que a aceitação dos pais foi um dos primeiros obstáculos.
“Minha mãe demorou a falar com o Paulo quando soube da gravidez. Já meu pai aceitou e até convidou ele para morar perto de nós.”
As dificuldades também foram financeiras. Na época, Paulo trabalhava em um mercado, pagava a própria faculdade e ajudava a sustentar a filha. “Fui demitido, ficamos apertados, mas nunca deixamos faltar nada para ela”, relembra.
Apesar dos desafios, o esforço conjunto deu frutos. “Hoje, minha maior alegria é ver que consegui dar à minha filha uma vida tranquila, coisa que eu não tive”, diz Paulo.

Orgulho, pertencimento e amor
Para Alyce, o que mais emociona é saber que nasceu de uma escolha consciente. “Eu sou fruto de uma amizade muito bonita. Meus pais se escolheram, e isso me deu uma base familiar muito sólida.”
Ela afirma que nunca teve dúvidas sobre pertencimento. “Quando estou em uma situação difícil, sei exatamente para quem ligar. Isso me prova que eu deveria estar aqui, nessa família.”
A jovem cresceu participando de momentos importantes da vida do pai, como a Parada LGBT, e fala dele com orgulho. Na época em que planejaram a gravidez, Paulo atuava como drag queen, sob o nome artístico Paulinha.
A história que ganhou o Brasil
Em 2025, Alyce decidiu contar sua história no TikTok e no Instagram, sem imaginar a repercussão. Os vídeos viralizaram e despertaram curiosidade, admiração — e também críticas.
“O carinho foi enorme, mas os comentários negativos doeram”, admite. “É cruel ver alguém feliz contando sua história e ainda assim receber ódio.”
Ela rebate: “Errado é abandonar filhos. Uma família diferente também merece respeito.”

Uma mensagem para quem se sente fora do padrão
Hoje, Alyce usa sua visibilidade para deixar um recado claro a crianças e jovens que cresceram em famílias diferentes do modelo tradicional.
“Não sintam vergonha. O mundo pode ser cruel, mas ser amado e desejado não tem preço”, afirma. “Não importa a configuração da família. O que importa é ter amor, cuidado e presença.”
Para os pais, ver a filha contar essa história com orgulho é a confirmação de que fizeram a escolha certa. “Sinto que cumpri meu papel sendo honesto com ela”, diz Paulo. Sandra completa: “Ela sempre foi muito desejada. E isso é o mais importante.”






