Orelhão vai “desaparecer” do Brasil; conheça a origem do telefone
A extinção do orelhão deve ocorrer em todo o Brasil até o final de 2028; saiba mais sobre o telefone público mais icônico da história
atualizado
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O orelhão vai deixar de existir nas ruas de todo o Brasil. Neste mês, será realizada a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. A ideia é que os famosos telefones públicos sejam retirados definitivamente do país até 2028.
De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cerca de 30 mil aparelhos ainda existentes no Brasil serão gradualmente desativados até 31 de dezembro de 2028.
Quem inventou o orelhão
A icônica cabine de telefones públicos brasileira foi inventada pela arquiteta e designer sino-brasileira Chu Ming Silveira. Ela nasceu em Xangai, na China, em 1941, e quando estava prestes a completar 10 anos, veio morar no Brasil.
Após estudar arquitetura na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1964, Silveira se casou com o engenheiro paulista Clovis Silveira, em 1968. O casal teve dois filhos: Djan e Alan, nascidos em 1971 e 1976, respectivamente.
Atualmente, Djan Chu atua como empresário e fotógrafo profissional especializado em arquitetura. Já Alan Chu é um conhecido arquiteto, que atua em diversas cidades, incluindo Brasília. Chu Ming morreu em 1997, de microembolia pulmonar, em São Paulo.
Como foi criado o orelhão
Chu Ming Silveira trabalhava como arquiteta na Companhia Telefônica Brasileira (CTB). Por volta dos anos 60, ficou com a missão de desenvolver o orelhão, um dos seus projetos de design mais famosos.
O primeiro aparelho foi instalado na rua Sete de Abril, no centro da cidade de São Paulo, em 1971. No ano seguinte, a cabine de telefones públicos começou a ser instalada por todo o país. Estima-se que o Brasil chegou a ter 1,2 milhão desses aparelhos.

Características
Oficialmente chamado de Chu II, o orelhão foi criado com fibra de vidro, com modelos nas cores laranja e azul. O design fazia referência ao ovo de galinha por conta das “propriedades acústicas ideais”.
“Eu sabia que a melhor forma acústica era o ovo e, que além de simples, o projeto precisava permitir que a pessoa que fosse utilizar o telefone se sentisse à vontade”, disse a arquiteta, segundo as crónicas de Carlos Drummond de Andrade, publicadas no Jornal do Brasil.
Além de bloquear grande parte do ruído externo, o formato do orelhão também protegia o ouvido do indivíduo. Tudo foi pensando para que o aparelho fosse resistente ao Sol, à chuva e às altas temperaturas brasileiras.






