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O relatório “Gender in the Global Research Landscape” (Gênero no Panorama Global da Pesquisa), feito pela editora Elsevier, em 2017, aponta o Brasil como exemplo de sucesso em promover a igualdade entre homens e mulheres no ambiente acadêmico.

A proporção de mulheres que publicam artigos científicos – principal forma de avaliação na carreira acadêmica– cresceu 11% no Brasil nos últimos 20 anos. De acordo com os dados, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal lideram o ranking de pesquisadoras, representando 49% do total.

No entanto, considerando o tamanho das populações, o número absoluto de artigos publicados por mulheres brasileiras nessas duas décadas é muito maior se comparado com os trabalhos do país europeu.

Para se ter uma ideia da dimensão, países fortes como Reino Unido, EUA, Canadá, Austrália, França e Dinamarca têm apenas 40% de autoras femininas (segundo os dados entre 2011 e 2015). O Japão aparece em último lugar, com 20% de representatividade das mulheres.

Foram analisados mais de 62 milhões de artigos em cerca de 21,5 mil revistas acadêmica de 1996 a 2000 e de 2011 a 2015, em 11 países e na União Europeia. O crescimento é importantíssimo, visto que, entre 1996 e 2000, apenas 38% dos artigos publicados tinham sido escritos por uma mulher.

E as brasileiras não pararam por aí. As inventoras também subiram no ranking, registrando 17% das patentes criadas desde 2000. Cerca de 3% a mais que nos Estados Unidos – com 86% de inventores homens.

As mulheres se fazem presentes em publicações de medicina. No Brasil, um em cada quatro estudos publicados na área é de autoria principal de uma cientista.

A parte negativa do relatório
Nem tudo são flores. Se nos trabalhos médicos elas se destacam, nas chamadas ciências duras ainda são minoria. Na maioria dos países pesquisados, os homens são autores de 75% dos artigos publicações em áreas como ciências da computação e matemática.

As mulheres também permanecem sendo menos citadas que seus colegas homens em seus artigos publicados – 0,74 contra 0,81 de citação. Isso acontece ainda em outros países latinos, como Chile e México.

O “leaking pipe” (cano com vazamento) é um grande fator de desequilíbrio entre gêneros no ambiente acadêmico e não foi levado em consideração no estudo.

Mulheres e homens representam o mesmo número no início do ensino superior, chegando a ser maioria entre os pesquisadores – principalmente nas áreas de humanas e biológicas –, no entanto, a participação delas diminui no mestrado e cai ainda mais no doutorado.

Isso se reflete nos números para posições de cargo de chefia, onde os homens dominam com 87% dos cargos.



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