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A violência contra a mulher no Brasil aumenta a cada ano. Dados da pesquisa feita pelo Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança (base 2016), são alarmantes: 503 brasileiras são vítimas de agressão física a cada hora; em 61% dos casos, o agressor é um conhecido e, em 19% das vezes, eram companheiros atuais.

E não para por aí: 43% das agressões ocorreram dentro da casa das vítima; 40% das mulheres acima de 16 anos foram assediadas de alguma forma; 5,2 milhões já sofreram abuso em transporte público; 2,2 milhões já foram beijadas ou agarradas sem consentimento; 10% das mulheres já foram ameaçadas de violência física; 8% sofreram ofensa sexual; 4% intimidadas com faca ou arma de fogo; 3% (ou 1,4 milhões) espancadas ou estranguladas e 1% já levou pelo menos um tiro.

Alarmante, não? Pensando nisso, durante todo o mês de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, serão realizadas aulas especialmente desenvolvidas para elas conhecerem a defesa pessoal israelense e perceberem que é possível se defender, mesmo de agressores maiores e mais fortes. Dos praticantes de Krav Maga no Brasil, 30% são femininos e a marca vem crescendo.

“Nosso objetivo é fazer as mulheres perceberem que elas podem se prevenir contra a violência mudando a forma como lidam com o medo e sua autoestima”, afirma o israelense grão-mestre Kobi Lichtenstein, introdutor do Krav Maga no Brasil e fundador da FSAKM.

A Federação Sul-Americana de Krav Maga vai realizar, em todo o Brasil, aulas especialmente voltadas para elas. A programação será a mesma em todas as academias credenciadas pela federação no Brasil, México e na Argentina. Os exercícios vão simular os tipos de ataques mais frequentes sofridos por elas – roubo de bolsa, agressão, puxão pelo braço ou pelo cabelo, enforcamento, estupro, entre outros.

O grão-mestre Kobi explica que, com a violência crescente nas ruas ou mesmo dentro de casa, as mulheres precisam estar preparadas para protegerem a si mesmas e a seus filhos. “O treinamento de Krav Maga dá a condição psicológica e física para a mulher vencer o medo e ser ativa no combate à violência, mesmo por meio da denúncia”, afirma.

As interessadas não precisam ter experiência na luta, mas devem ter 14 anos. Para participar, é preciso obter o convite para um mês de treinamento gratuito na academia mais próxima  – verificar as possibilidades de academias credenciadas no site oficial. No dia 11 de março, a aula será especialmente para alunas já praticantes de Krav Maga.

“É um modo eficaz de defesa e prevenção à violência. Por meio dos treinos, as mulheres aprendem a superar obstáculos físicos e mentais, adquirem coragem, confiança em si mesmas, equilíbrio emocional, mudam a postura frente à vida, a si próprias e ao seu oponente”, explica o mestre.