Família faz ensaio para eternizar abraço de mãe com câncer terminal
Sônia Calegario abriu mão de tratamentos invasivos para viver últimos meses com a família; ensaio à beira-mar comoveu a internet
atualizado
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Ao receber o diagnóstico de que teria apenas poucos meses de vida, Sônia Calegario fez uma escolha determinante: trocar o ambiente hospitalar pelo som do mar. Em uma decisão de cuidados paliativos, ela e a família viajaram para Maceió (AL), local onde realizaram um ensaio fotográfico que transformou a iminência da perda em um legado de afeto.
As imagens, capturadas pouco antes de sua morte em novembro de 2025, viralizaram nas redes sociais como um símbolo de amor e da autonomia de uma paciente que decidiu como gostaria de escrever seu último capítulo.
Entenda
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Escolha consciente: após metástase em 2024, Sônia optou por não realizar tratamentos agressivos que a manteriam acamada.
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Cenário de paz: a viagem para Maceió foi escolhida por ser o lugar favorito da matriarca, onde ela encontrava refúgio no mar.
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Registro histórico: o ensaio reuniu marido, quatro filhos, genros e neto em fotos espontâneas que substituíram poses por abraços reais.
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Legado viral: as fotos emocionaram milhões de internautas ao retratarem a força de uma mãe que, mesmo sob efeito de morfina, priorizou a memória dos filhos.
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A decisão pela qualidade de vida
A jornada de Sônia contra o câncer tomou um novo rumo em 2025, quando a doença se espalhou pelo corpo. Diante da estimativa médica de seis meses de vida sem tratamento, ela foi enfática: não queria passar seus últimos dias em sofrimento hospitalar.
“Ela sempre deixou claro que, se fosse paliativo, não faria mais [tratamento], porque não queria viver o resto da vida em cima de uma cama”, relembra a filha, Débora Calegario.
A opção pelos cuidados paliativos permitiu que a família organizasse uma última grande experiência. O destino escolhido foi Maceió, cidade que Sônia amava e onde costumava sentar-se à beira-mar apenas para ouvir o som das ondas.

“Guardar aquele momento no potinho”
A ideia do ensaio fotográfico surgiu da urgência de materializar o amor familiar. No dia 30 de setembro de 2025, data das fotos, Sônia enfrentava dores intensas e fazia uso de medicações fortes, como morfina. Mesmo debilitada, ela recusou o cancelamento da sessão.
“Eu falei: ‘Mãe, não precisa ir’. Mas ela disse que queria e nós fomos. Eu sei que ela fez aquilo pelos filhos, para deixar algo para a gente”, conta Débora.
Diferente de sessões tradicionais, o ensaio não teve poses ensaiadas. As lentes capturaram olhares profundos, choros compartilhados e palavras de conforto. Segundo a filha de Sônia, foi um momento de “pé no chão” com a realidade da partida, onde a mãe, temente a Deus, consolava os filhos sobre a vida que seguiria sem ela.
Um legado de caridade e união
Sônia Calegario morreu em novembro de 2025, mas as fotos de sua despedida ganharam uma vida própria no ambiente digital. Para a família, a repercussão das imagens é um reflexo da vida caridosa e amorosa que Sônia levou. Mais do que fotografias estéticas, os registros tornaram-se o suporte emocional para os filhos enfrentarem o luto.
“O ensaio realmente foi uma despedida. A gente sabia que ela ia morrer, mas ali a gente sentiu isso em cada gesto. Foi tudo muito verdadeiro”, define Débora. Para os Calegario, as fotos cumprem agora a função de reviver o abraço de Sônia sempre que a saudade aperta, mantendo vivo o legado de uma mulher que escolheu partir cercada pela imensidão azul que tanto amava.










