Exposição inédita do Metrópoles apresenta acervo sobre Brasília
A mostra levará ao Museu Nacional, a partir de 6 de agosto, documentos históricos, fotografias e projetos sobre a construção de Brasília

A exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo, realizada pelo Metrópoles em parceria com o Arquivo Público do Distrito Federal, promete oferecer ao público um olhar inédito sobre a história da capital federal.
Em cartaz entre 6 de agosto e 4 de outubro, no Museu Nacional da República, a mostra reúne documentos históricos, fotografias, desenhos, projetos arquitetônicos, obras de arte e experiências imersivas.

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Ver todasSegundo o historiador Elias Manoel da Silva e o arquivista Hélio Júnior, um dos maiores desafios da exposição foi justamente transformar um vasto acervo documental em uma narrativa acessível, sensível e capaz de surpreender até quem já conhece a história de Brasília.
Desafios técnicos
Do ponto de vista técnico, o principal obstáculo foi revisitar o acervo do Arquivo Público do Distrito Federal sob uma nova perspectiva. Com mais de quatro décadas de trabalho de preservação da memória documental da capital, a instituição já serviu de base para inúmeras pesquisas. Desta vez, porém, o processo exigiu uma espécie de “escavação” minuciosa.
“Não se tratou apenas de consultar documentos, mas de realizar uma curadoria temática transversal”, explicam os especialistas. Isso significou analisar materiais quase individualmente, retirando-os de seus contextos originais de armazenamento para inseri-los em uma narrativa contemporânea.

Esse trabalho demandou também um esforço inédito de catalogação e preparação física de itens que, em muitos casos, estavam preservados apenas em seus suportes originais, nunca pensados para exibição pública.
Desafios de curadoria
No campo curatorial, o desafio foi equilibrar a objetividade da documentação histórica com a subjetividade da criação artística. A intenção era evitar que a mostra se tornasse apenas um inventário de arquivos, construindo, em vez disso, uma experiência viva e imersiva.
Para alcançar esse objetivo, a curadoria estabeleceu diálogos entre diferentes suportes: de croquis de Lúcio Costa e plantas de Oscar Niemeyer a painéis de Athos Bulcão, passando por fotografias de Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Mário Fontenelle, e obras contemporâneas de artistas como Christus Nóbrega e o Coletivo Transverso.
“O grande mérito curatorial foi, portanto, selecionar peças como a caderneta da Missão Cruls (1892) ou os estudos de cores de Lúcio Costa, e colocá-las em conversa direta com as transformações da cidade”, disseram os profissionais.
A proposta foi assegurar que nenhum elemento que pudesse expandir a compreensão do público sobre a construção da utopia brasiliense fosse omitido.
O projeto é uma iniciativa do Metrópoles e do Arquivo Público do Distrito Federal, em parceria com a Fundação Athos Bulcão, o Escritório Oscar Niemeyer e a Casa de Arquitectura de Portugal.
Também reúne documentos e peças de instituições culturais do Distrito Federal, como o Museu de Arte de Brasília (MAB), a Universidade de Brasília (UnB) e o Museu Nacional da República, formando um amplo conjunto documental e artístico sobre a história da capital.














