Estudante da rede pública vence rotina exaustiva e é aprovada na UECE
A estudante Laura Jeovana conciliava escola, estágio e cursinho para conquistar vaga em Administração antes de concluir o ensino médio
atualizado
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A aprovação de Laura Jeovana Cavalcante, de 18 anos, no curso de Administração da Universidade Estadual do Ceará (UECE), é o desfecho de uma jornada de resistência. Estudante de escola pública, ela enfrentava diariamente uma maratona que começava antes do nascer do Sol e terminava perto da meia-noite. Entre as salas de aula do Colégio Adauto Bezerra e o estágio na Secretaria da Proteção Social (SPS), Laura encontrou no cursinho noturno da própria escola o fôlego final para ingressar no ensino superior antes mesmo de terminar o 3º ano.
Entenda
- Jornada tripla: a estudante dividia o dia entre o ensino médio (manhã), estágio administrativo (tarde) e pré-vestibular (noite).
- Vaga antecipada: Laura passou no vestibular da Uece no meio do ano letivo e já frequenta o segundo semestre da graduação.
- Rede de apoio: órfã de mãe desde os 4 anos, ela contou com o suporte da avó, que preparava suas refeições e incentivava a rotina.
- Carreira: de estagiária do projeto “Primeiro Passo”, ela foi efetivada na SPS e hoje trabalha ajudando outros jovens a ingressarem no mercado.
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O desafio do relógio
Para a estudante, o dia começava às 4h40. Às 5h30, já estava no ônibus para garantir a chegada na escola às 7h. A rotina não permitia pausas: ao sair da aula, seguia direto para o estágio pelo projeto Primeiro Passo. A exaustão era combatida com o foco no objetivo de infância: ser a primeira da família a conquistar o diploma universitário.
“Eu não conseguia ter forças para estudar sozinha em casa. Por isso, o pré-vestibular ofertado pela escola à noite foi essencial. Eu apenas aproveitei a oportunidade”, conta a jovem, que muitas vezes passava o dia alimentando-se apenas com lanches escolares devido à pressa entre um compromisso e outro.
O papel da família e da escola pública
A trajetória de sucesso de Laura teve como base um pilar essencial dentro de casa. A avó, Maria Núbia Cavalcante, hoje com 64 anos, que também cuida de um irmão com autismo, era quem garantia a estrutura necessária para que a neta pudesse seguir em frente.
A caminhada da jovem, no entanto, foi marcada por desafios. Em entrevista ao Metrópoles, ela contou que perdeu a mãe aos quatro anos de idade. Desde então, foi criada pela avó.
“Minha avó foi uma verdadeira guerreira. Quando eu pensava em desistir, era ela quem me dava força e lembrava que todo esforço valeria a pena lá na frente”, relembra a estudante.

A escola Adauto Bezerra também desempenhou um papel estratégico, oferecendo o suporte pedagógico e o certificado de conclusão antecipada assim que a aprovação na UECE foi confirmada. Laura não precisou terminar o último semestre do colégio; a universidade a esperava.
Do estágio à efetivação
A conquista acadêmica veio acompanhada de uma vitória profissional. Após passar pelas fases de estagiária e jovem aprendiz, o empenho de Laura na Secretaria da Proteção Social resultou em sua efetivação. Hoje, ela ocupa um cargo técnico onde ajuda a gerir justamente o programa que abriu suas portas para o mercado de trabalho.
“Hoje trabalho vendo de perto como funciona a assistência social. É a minha paixão”, afirma.
Para ela, o cansaço das horas dentro do ônibus e as noites de estudo foram o investimento necessário para mudar sua realidade.

Inspiração para novos jovens
Hoje no segundo semestre de Administração, Laura espera que sua história sirva de combustível para outros alunos de escola pública. Para ela, a universidade não é apenas um título, mas uma forma de transformar a sociedade.
“A gente consegue vencer barreiras mesmo vindo de realidades difíceis. É através do estudo que ultrapassamos limites e acessamos lugares que nunca imaginamos”, conclui.
