Sem “sexo frágil”! Empreendedoras do DF contam como se reinventaram em 2020
Apesar das adversidades, mulheres seguem como ícones de resiliência e coragem à frente de grandes empresas ou pequenos negócios
atualizado
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A alcunha de sexo frágil, há muito tempo, já não serve para definir características femininas. Cerca de 9,3 milhões de brasileiras estão à frente de negócios no país, o equivalente a 34% do empreendedorismo nacional, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Aos 22 anos, Fernanda Bayo é um exemplo. Ela já conquistou muitos de seus sonhos. E está só no começo. Especialista em alongamento de unhas, a profissional compartilha seus conhecimentos em cursos. A formação na área de beleza, porém, é recente. Ocorreu após o início da quarentena, quando ficou desempregada e precisou de algo que a permitisse acompanhar o crescimento da filha de dois anos e, ao mesmo tempo, ajudar nas contas de casa.
Assim como ela, diversas mulheres não escolheram o empreendedorismo, mas foram empurradas para ele por falta de espaço no mercado de trabalho. Com força de vontade, o novo negócio deu certo e começou a dar frutos. A demanda por seus serviços foi variada, exigindo de Fernanda adaptabilidade. Mesmo nos piores dias, Fernanda continuou na luta. Hoje, não se arrepende de suas decisões e tem traçado novos caminhos na árdua missão de ser dona da própria empresa.
“Como mulher e negra, foi difícil entender que tenho o meu espaço. Corri para conseguir o que sei que é meu, sei que tem um lugar para mim. Empreender exige muita força de vontade, temos que ser todas as funções do negócio e mais um pouco”, afirma.
Entre os maiores benefícios e desafios de conciliar a maternidade com o trabalho está o contato diário com a filha. “Ela demanda muito tempo e atenção. Tem dias que são complicados. No final, sempre dou um jeito. Lembro que ela foi um dos motivos para começar tudo isso”, elenca. “O empreendedorismo feminino gera uma potência, mostra para todas as meninas que elas podem. Não nascemos apenas para sermos mandadas. Desde que comecei, tenho sido coragem dia após dia, quero ser um exemplo para minha filha”, finaliza Fernanda.
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No espaço Nobre Sos Coworking não há apenas uma mulher à frente dos negócios, mas três. A união entre Caroline Paiva, Graciana Nóbrega e Juliana Amorim deu origem à ideia de trabalhar com foco na prestação de serviços, a fim de serem exemplo corporativo de sustentabilidade e rentabilidade.
A inauguração do coworking ocorreu em março, pouco antes do decreto que impôs a interrupção dos serviços presenciais no Distrito Federal.
Conforme relembra Caroline, mais de 70% dos espaços já estavam contratados, mas, com a pandemia, o empreendimento precisou ficar fechado por 90 dias, acarretando na perda dos acordos. A ocupação caiu para 10% em maio, revelando a baixa procura nos primeiros meses após a abertura do comércio.

Apesar do início turbulento, o trio retomou os negócios com todo “gás” necessário, seguindo as medidas contra o novo coronavírus. “A expectativa é de crescimento, principalmente em relação ao avanço do trabalho remoto em decorrência da pandemia. O futuro foi antecipado”, salienta Graciana.
De acordo com Caroline, superar desafios e conquistar papel de destaque no mercado é uma luta histórica das mulheres, independentemente do setor ou da atividade.
“O empreendedorismo feminino empodera mulheres a guiarem seus próprios negócios e quebrarem estereótipos de que apenas homens são capazes de alavancar uma empresa. A figura feminina traz, ainda, um viés mais humanizado para a cultura organizacional”, elenca.
Desafios
Milhões de mulheres precisaram superar, diariamente, os desafios impostos pelo machismo no intuito de verem seus negócios prosperarem. A luta é tão importante que ganhou, até mesmo, um dia só para ela. O Dia do Empreendedorismo Feminino foi celebrado na última quinta-feira (19/11). Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014, tem como objetivo impulsionar e incentivar a abertura de negócios por mulheres.
Em um ano atribulado como 2020, a data serve, inclusive, para incentivar a resiliência daquelas que, por infortúnio, tiveram que fechar as portas. Cerca de 39% dos negócios comandados por pessoas do sexo feminino tiveram que interromper as atividades a partir de março, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e o Instituto Rede Mulher Empreendedora, em maio deste ano.
Com mais de 15 anos de experiência em gestão de academias, a trajetória empreendedora de Thais Yeleni também teve altos e baixos. Em 2011, ela era proprietária de duas academias. O resultado da segunda unidade, aberta em 2007, um ano depois da primeira, não foi dos melhores. Ela quebrou em 2011 com uma dívida altíssima. Sem intenção de desistir, fez acordos e negociações para sanar o débito e retomar a carreira.
“Fechar é sempre um desafio, no entanto, é preciso coragem e olhar para a situação de uma outra forma, se reinventar. Pode ser difícil de ver, mas, com certeza, vai vir algo melhor”, comenta. “Retornei de uma forma mais incisiva, com ênfase na consultoria empresarial, voltado para o comportamento do consumidor e do gestor”, diz.

Atualmente, ela é presidente do Sindicato das Academias do Distrito Federal (Sindac-DF). Segundo ela, pelo menos 40% das academias do Planalto Central são chefiadas por mulheres.
Apesar das adversidades, Thais Yeleni conta que conseguiu manter os negócios equilibrados durante a pandemia graças ao jogo de cintura e por atender em vários segmentos. “Comecei a me reinventar a partir do mundo digital, de forma maior e incisiva para ampliar para o nível nacional. O empreendedorismo feminino tem essa força. A mulher é dona de uma visão muito mais ampla e um compromisso diferenciado. A economia só tem a crescer com isso”, finaliza.










