Indiano que pedala pelo mundo está em Brasília e prega a simplicidade
Somen Debnath atravessa o globo de bicicleta há 12 anos com ação de conscientização sobre o HIV. Pela primeira vez no país, ele elogia o povo brasileiro e se encanta com a capital federal
atualizado
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Conversar com o indiano Somen Debnath, 33 anos, é uma verdadeira lição de simplicidade. De sorriso frouxo e abraço fraterno, ele define a vida que leva como um sonho. Há 12 anos, o zoologista largou tudo que tinha na Índia para cruzar o mundo em cima de uma bicicleta, divulgando a cultura de seu país e conscientizando os mais pobres sobre o HIV.

Questionado sobre como banca tudo isso, ele explica ter ajuda de algumas empresas indianas, mas afirma que “é preciso muito pouco”. Pouco mesmo. Uma bicicleta simples e duas pequenas mochilas amarradas no veículo, com comidas e roupas, têm sido as companhias de Somen durante esses 12 anos pedalando. Nesse tempo, já foram 134.600km percorridos e 124 países visitados. Essa é a primeira vez que ele vem ao Brasil e já vê algumas semelhanças com a Índia.
O melhor dessa viagem é conhecer pessoas. Os brasileiros são amigáveis e hospitaleiros e, nisso, se parecem muito conosco, indianos. Sempre tentamos ser legais e ajudar os outros
Somen Debnath
Em sua simplicidade, Somen até pediu desculpas por não falar português, mas, com um sotaque carregado, ainda arriscou um “muito obrigado”, um “olá” e até perguntou à equipe de reportagem: “Como estão vocês?”
E qual a motivação para atravessar o mundo em cima de uma bike? Ele responde rapidamente que é o sorriso alheio. “Você não imagina as coisas boas que eu encontro por aí. A bicicleta me permite isso, me conectar com as pessoas, conversar, trazer uma palavra de otimismo para quem já tem o HIV e tentar impedir que mais jovens peguem a doença.”
Em Brasília desde o último sábado (9/7), o indiano irá visitar algumas escolas, universidades, organizações não governamentais (ONGs) e ainda a embaixada de seu país na capital federal. Pela cidade, pedalou alguns quilômetros e destacou o que mais chamou a sua atenção.
Já fui ao Congresso Nacional, à Torre de TV, ao Estádio Mané Garrincha e visitei algumas obras de Oscar Niemeyer, a arquitetura daqui é incrível. É impressionante também como a cidade é amiga do ciclista, tem muitas ciclovias e dá para pedalar tranquilo
Somen
No próximo fim de semana, ele retomará a média habitual de 100km por dia até chegar a Belo Horizonte. Da capital mineira, segue viagem para São Paulo e, de lá, para o Rio, onde pretende ficar durante os Jogos Olímpicos.
Mas a missão no Brasil não terminará por aí. Sem precisar pegar um único avião, ele pretende visitar mais a América do Sul, conhecendo nossos hermanos argentinos, uruguaios e paraguaios. Os planos de Somen são de seguir viagem até 2020, finalizando na Índia, depois de conhecer cerca de 191 países e 20 milhões de pessoas.
“Toda essa viagem é, na verdade, um sonho. Eu tenho medo de abrir o olho e ver que é tudo mentira. Acredito que cada um tem uma missão com a sociedade, a minha é essa. Ensinar sobre o risco da Aids e mostrar aos portadores do vírus que se pode viver com a doença. É preciso também mostrar que o mais importante é ter uma vida simples e feliz”, garante.
No fim da entrevista, ele ainda fez questão de deixar uma lição para nós, brasileiros, que temos mania de falar mal do país. “Eu fui roubado seis vezes durante esses 12 anos, todas elas em países da Europa e da Ásia. Precisamos diferenciar o país das pessoas. O Brasil tem seus problemas, mas as pessoas daqui são incríveis.”
Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a história de vida de Somen Debnath pode visitar o site Somendebnath.com, versão em inglês da página oficial do indiano. Lá estão listados todos os países pelos quais passou e os problemas que enfrentou — como -35 º de temperatura e até o dia em que foi espancado por skinheads.
Somen também fala no blog dos planos para depois que a viagem acabar, como construir uma “aldeia global” na Índia para “pessoas do mundo todo e crianças que precisam de atenção”, com muito “amor e simplicidade”. Um livro sobre essa aventura também está sendo escrito.










