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Comportamento

Incita estupro? Psicólogos analisam nova música de Israel e Rodolffo

Na visão da psicanalista Manuela Xavier, a música Dar Uma Namorada faz clara apologia ao estupro. Veja opinião de outros especialistas

22/11/2021 16:35, atualizado 22/11/2021 16:49
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Incita estupro? Psicólogos analisam nova música de Israel e Rodolffo

A nova música de Israel e Rodolffo faz clara apologia ao estupro, segundo a doutora em psicologia Manuela Xavier. Nas redes sociais, a profissional analisou Dar Uma Namorada e salientou os trechos mais problemáticos da canção.

“A música conta a história do ‘desenrole’ de um casal e fala: ‘Me atiçou? Vai ter que dar uma namorada’. Essa música, escrita hoje, com uma mentalidade de 1920, diz que se a mulher for estuprada a culpa é dela, porque ela atiçou”, critica Manuela em vídeo compartilhado no Instagram. “Qualquer semelhança com ‘qual a roupa que ela estava usando’, ‘mas ela estava fazendo doce’ não é mera coincidência”, complementa.

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A psicanalista Manuela Xavier denunciou uma possível apologia ao estupro na nova música de Israel e Rodolffo, Dar Uma Namorada, lançada na última sexta-feira (19/11)
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A psicanalista Manuela Xavier denunciou uma possível apologia ao estupro na nova música de Israel e Rodolffo, Dar Uma Namorada, lançada na última sexta-feira (19/11)

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A psicanalista Manuela Xavier denunciou uma possível apologia ao estupro na nova música de Israel e Rodolffo
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A psicanalista Manuela Xavier denunciou uma possível apologia ao estupro na nova música de Israel e Rodolffo

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Nos comentários, Rodolffo descordou da profissional e defendeu veementemente a composição. “Boa noite, Manuela. Tudo bem? Olha, primeiramente eu acho que você está exagerando nas observações, pois a gente faz música para homem e para mulher, uma mulher pode cantar para um homem essa letra, ela é unissex. É uma música alegre, descontraída, para as pessoas se divertirem cantando. Sou totalmente a favor da causa, estou com você. Agora vir criticar o meu trabalho induzindo as pessoas a pensarem que é uma música machista, não. Foi feita para a mulher cantar também”, justificou-se.

A especialista, então, rebateu a fala do cantor, caracterizando-a como machista. “Rodolffo, você se equivoca DUPLAMENTE. Eu sou uma mulher. Eu sei o que é cultura do estupro. Não será VOCÊ, um homem, a me dizer o que é ou não machista, até porque isso seria MUITO machista, concorda? Converse com mulheres. Converse com coletivos feministas. Nesse vídeo, eu explico perfeitamente o por que dessa música ser um erro. Gaste 5 minutos do seu tempo e aprenda”, escreveu.

Representantes do movimento feminista, como a educadora Anielle Franco e a consultora de gênero e diversidade Bárbara Aires, assinaram embaixo da fala de Manuela, fazendo ecoar as críticas direcionada à música — considerada um verdadeiro desserviço à luta contra o machismo.

O que dizem outros especialistas

Para o psicólogo Alexander Bez, a canção da famosa dupla sertaneja é mesmo infeliz. “Tanto em psiquiatria como em psicologia, as palavras têm poderes estratosféricos. Elas, mesmo que não intencionais, têm poder absoluto”, explica, frisando o quão perigosa a música é.

A também psicóloga Caroline Ferreira ainda reforça que a atitude de voltar atrás após “uma atiçada” deve ser 100% respeitada. “Usar algo, como uma peça de roupa, não pode e nem deve colocar alguém em situação de risco. O ser humano precisa se responsabilizar pelo desejo e vontade de seus atos”, alerta.

“É um tanto quanto incomodo pensar que não se pode mudar de ideia ao longo de uma situação, independente do gênero”, incrementa.

Por fim, a profissional destaca o quão importante é ter sensibilidade para perceber como o outro sinaliza seus desconfortos e, mais do que isso, dar a ele a chance de mudar algo que inicialmente foi acordado.

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