Igrejas do DF apostam em redes sociais para atrair millennials
A principal forma de divulgação de alguns templos é no meio on-line. Outros provam sua inovação com campanhas para agregar pessoas LGBTIs
atualizado
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No lado norte de Taguatinga, a entrada da igreja Braço Forte do Senhor é modesta. O templo ainda está em construção, mas já promete ser pouco tradicional. O local destinado a palestras e louvores tem cadeiras acolchoadas, paredes pretas e luzes de LED em cores fortes. Nada de ouro, pinturas ou vitrais à vista.
A igreja evangélica liderada pelo apóstolo Cláudio César Machado tem como público-alvo os jovens. Aberta desde 2008, ela alcançou mais de 14 mil curtidas no Facebook e 10 mil seguidores no Instagram. A equipe de seis voluntários da Braço Forte se encarrega de criar posts esteticamente agradáveis e diversificados.
Segundo o apóstolo, a programação é pensada com o objetivo de atrair os mais novos. Uma palestra marcada para dezembro recebeu o nome de Detox da Alma e da Mente. “A Geração Z já nasceu com um smartphone nas mãos. A única forma de chegar até ela é pelas redes sociais. Eles [da Geração Z] assistem tudo no celular, mal veem TV. Se uma igreja não se atualizar em relação a isso, não vai crescer”, afirma Machado.
A presença da Braço Forte nas redes sociais tem algumas finalidades. “Queremos mostrar nossa existência. Uma pessoa compartilha com a outra e o post chega até ao não crente”, comenta. O apóstolo também explica que essa é uma forma eficaz e rápida de manter todos os membros informados e de divulgar os eventos.
O posicionamento da igreja Braço Forte é, de fato, um reflexo da sociedade moderna. Segundo uma pesquisa da empresa de trendhunting WGSN sobre as macrotendências de 2017, o jovem de hoje está cansado dos excessos e do consumismo desenfreado.Por conta disso, há um interesse maior na busca da própria essência. Assim, procuram a religião, mas não se encaixam no modelo tradicional, com regras rígidas e pagamento de dízimo aos domingos. Os millennials buscam uma forma nova, simples e fácil de acreditar em algo superior. Se quiserem atrair esse novo público e renovar a base de fiéis, as igrejas precisam se reinventar.
Os tempos mudaram tanto que até a tradicional Sara Nossa Terra apostou na tecnologia como aliada. A congregação lançou uma plataforma chamada Sara Play para reunir filmes, palestras, programas de rádio e TV alinhados com sua crença. Quem alimenta o conteúdo on-line são funcionários do local, mas qualquer membro da igreja pode mandar postagens, que serão organizadas pela equipe de comunicação.
Para o bispo Robson Rodovalho, a entrada da Sara, criada nos anos 1970, nas redes sociais foi natural. Antes, os cultos eram postados em um site e depois passaram a ocupar o Facebook. “Temos igrejas pelo mundo todo, então nos obrigamos ter esse contato. Ajudou a conectar as pessoas”.
Ainda de acordo com o bispo, as redes sociais são importantes para divulgar informação. “A pessoa ouve sobre nós, entra na rede social e encontra tudo: o Waze indicando como chegar, os horários e as características de cada culto”.
Enquanto algumas apostam na modernidade tecnológica, outras se reinventam na inclusão. Criado em 2013, o Diversidade Católica é coordenado por quatro jovens e um padre jesuíta. “Somos um grupo de leigas e leigos católicos LGBTIs que procuram conciliar a fé cristã e a diversidade sexual e de gênero”, explica o católico, jornalista e um dos coordenadores da associação Bruno Feittosa.
O Diversidade Católica atua no Brasil há 10 anos. A ideia veio de um padre que, após ouvir as aflições de vários jovens, decidiu reunir um grupo para dar orientações espirituais específicas. Na capital, a organização começou depois de uma palestra de Bruno sobre religião e sexualidade.
Segundo o jornalista, o grupo é aberto para todos, independentemente de idade ou crença. “Apesar da essência ser católica, nós acolhemos pessoas de todas as religiões. O mais importante é receber a pessoa e ela se sentir bem no convívio. Além de jovens, já tivemos pais nas reuniões”.




















