“Fui ao fundo do poço, sofri e levantei”, diz Duda Beat ao Metrópoles

A cantora tem se destacado na cena do pop nacional com suas músicas sobre sofrência embaladas por um som brasileiro e único

Camila CornelsenCamila Cornelsen

atualizado 15/02/2019 19:41

“Eu não vou buscar a felicidade em mais ninguém”, anuncia Duda Beat no início da faixa Bolo de Rolo, do seu álbum de estreia. Sucesso em todo o país, o disco Sinto Muito tem ganhado destaque pela autenticidade e caiu no gosto da galera que, assim como a cantora, sofre por amores imperfeitos e não correspondidos.

Com letras sentimentais recitadas em sotaque puxado e produção que mistura indie à brasilidade, Duda, 30 anos, ganhou uma legião de fãs, foi intitulada a nova rainha da sofrência e chamou atenção de vários festivais. A artista vai se apresentar no Carnaval no Parque, em Brasília, no dia 28 deste mês e comandará um dos palcos do Lollapalooza, em abril. A carreira, em alta, tem origem simples, nas ruas de Recife (PE), onde Eduarda Bittencourt nasceu.

A história de amor com a música começou na adolescência. “Sempre curti cantar, cantava na igreja. Me mudei para o Rio de Janeiro e meu primo montou uma banda com os meus melhores amigos, então me envolvi ainda mais nesse mundo”, conta. Mesmo assim, a artista não estava decidida se queria fazer da paixão uma profissão.

A certeza veio enquanto estava em um retiro espiritual, no qual ficou 10 dias sem falar. “Tinha um histórico de sofrer por pessoas que não queriam nada comigo. Fui colocando os sentimentos e as emoções no papel e aquele desabafo virou rascunho de letras. Quando voltei, procurei o Tomás [Tróia], que já era meu amigo, mostrei as músicas e ele embarcou nessa comigo.”

O resultado da parceria foi o álbum de 11 faixas com toque indie, mas sem nenhum mimimi. Por mais que Duda pareça vulnerável nas letras, ela sempre se apresenta como uma mulher forte e bem resolvida. A artista justifica esse tom com o seu processo de empoderamento.

“Bolo de Rolo é um grito de feminismo, de se colocar em primeiro lugar como mulher. Fui no fundo do poço, sofri e me levantei”, afirma. A militância de Duda aparece também nos seus gostos e quando ela aponta as artistas que admira, como a americana Beyoncé, a colombiana Kali Uchis e a brasileira Letrux. Entre as referências musicais, ela cita frevo, maracatu, brega, anos 1980 e som latino.

Os posicionamentos não se restringem às canções. Nas redes sociais, Duda é firme e fala sobre questões de direitos humanos com os seguidores. “Sou formada em ciência política. Acredito que o papel do artista é colocar sua visão no mundo. Afinal, somos influenciadores e fico feliz de ter essa chance de me manifestar”, fala.

No meio da música, Duda é vítima de comentários maldosos tanto pelo gênero quanto por sua origem. “Um dia ouvi falarem que meu disco foi bancado pelo meu pai e por isso está sendo um sucesso. Trabalhei, limpei chão, pintei parede, fiz de tudo para realizar esse sonho e sempre tem algum homem da indústria querendo me desmerecer”. Além disso, o sotaque nordestino dela incomoda alguns empresários. “Esse é outro problema sério no mundo da música”, aponta.

Para o próximo ano, a cantora quer continuar se apresentando e lançando novas colaborações. “Quero fazer diferença na vida de quem escuta meu trabalho. Algumas pessoas já me disseram que meu álbum as ajudou durante um término e quero continuar fazendo música com identificabilidade, para todo mundo cantar junto”, afirma.