*

Quem conhece Pedro Helou hoje nem desconfia da luta do jovem contra um problema de fala desde a infância. Sentimentos de insegurança e ansiedade assombravam o empresário desde os 7 anos, quando desenvolveu a gagueira. Diversos tratamentos com fonoaudiólogos e psicólogos suavizaram a condição, mas não deram o resultado desejado. Depois de ouvir diversas vezes que problema não tinha cura, o empresário transformou a dificuldade em inspiração de negócio.

Aos 25 anos, o jovem lembra da desafiante rotina. “Ficava ansioso demais e me questionava se eu sempre seria assim. Ia para a escola e pensava ‘vou fazer uma pergunta e vai ser horrível, não vou conseguir falar, o professor vai ficar constrangido’”. Pedro procurou tratamento com um fonoaudiólogo e apresentou melhora. Apesar disso, todos os livros, sites e profissionais que ele consultava indicavam o mesmo desfecho: o problema o perseguiria a vida inteira.

O bullying sofrido na escola machucava ainda mais a autoestima de Pedro. “Quando acontecia, ficava remoendo tudo e me sentia muito triste. Passei por uma fase na qual não escondia a gageuria de todo mundo. Tinha medo de acharem que nunca ia conseguir trabalhar, conversar e fazer amigos”, conta.

Ao entrar na faculdade de engenharia de redes, Pedro precisou apresentar um trabalho, mas não conseguiu. “Eu travei. Simplesmente não saía nada”, diz. Na semana seguinte, ele se matriculou em um curso de fala no Instituto Oratória Emocional, o que despertou uma paixão grande pela área. Além das aulas, o empresário lia e estudava por conta própria sobre o tema.

Hugo Barreto/Especial para o Metrópoles
O curso de oratória e todo o conhecimento buscado me deram a cura que sempre disseram não existir"
Pedro Helou

Em 2013, o jovem foi estudar na Hungria pelo Ciências sem Fronteira. Ele teve a ideia que mudaria sua vida e postou em um grupo de Facebook da Universidade de Budapeste. Na publicação, contou ser gago e perguntou se alguém tinha interesse em montar um grupo de conversação em inglês. As respostas chegaram e Pedro, com então 21 anos, convidou outros 10 estudantes para reuniões semanais de conversação.

 

Expliquei minha dificuldade, minha história de vida e trabalhamos fazendo apresentações entre nós por quatro meses”, explica. O grupo dava a chance de Pedro exercitar a fala e a oratória. Quanto mais praticava, menos gaguejava.

Depois disso, o jovem morou um tempo na França e, quando retornou ao Brasil, deu continuidade ao projeto com apoio de algumas empresas. Após a formatura, engatou em um emprego e continuou paralelamente seu projeto de oratória.

Nos últimos três meses, passou a se dedicar apenas ao Instituto Verbalize. O objetivo da empresa é fazer as pessoas se comunicarem melhor e, a partir disso, se sentirem mais felizes e realizadas. “É realmente meu propósito de vida. Não quero que ninguém sinta a mesma dor“.

O empresário aponta que além dos cursos de oratória, outra grande ajuda veio do contato com a inteligência emocional. “Tinha vários sentimentos negativos e me achava incapaz. Esses pensamentos me atrapalhavam a ficar melhor”, revela. O controle da gagueira veio a partir da decisão corajosa de se expor para os outros. 

“Meu medo me paralisava. Gaguejei até conseguir parar e ter controle das minhas emoções e da minha fala. A vitória veio quando me dei a chance de errar”. Pedro conta que os aprendizados da oratória podem ser levados para quase todos os aspectos da vida: “Parece terapia”.

Os sonhos de Pedro para a Verbalize são grandes. O empresário pretende levar a empresa para fora de Brasília e até do Brasil. Além disso, investe em cursos on-line para impactar mais pessoas.



COMENTE

 
a vida depois de...gagueira