Cavalo do Cão: coletivo assina novo point instagramável de BsB. Veja onde

Os murais assinados pelo grupo de artistas dão bossa a um novo espaço de lifestyle da W3 Sul. Painéis viraram fenômeno nas redes sociais

atualizado 12/07/2020 14:14

coletivo de arte cavalo do caoErnani Pelúcio/Cortesia

Impossível visitar o Infinu sem tirar o celular do bolso para registrar uma foto. O novo empreendimento de cultura e gastronomia da cidade, que busca ressignificar a W3 Sul (e traz belas opções de restaurantes com serviço take out!), tem atraído o foco dos moradores de Brasília pelas paredes multicoloridas encobertas por grafites de qualidade.

Entre os sensíveis murais do espaço (inaugurado em plena pandemia de coronavírus na altura da 506 Sul e com medidas de distanciamento social), os da Praça das Avós têm se destacado e virado mania nas redes sociais. Quem passa por lá, seja para buscar um almoço de fim de semana, seja para espiar de dentro do carro o récem-inaugurado hotspot, não fica imune à beleza dos painéis, assinados pelo coletivo brasiliense Cavalo do Cão.

Composto pelos artistas visuais Bertone Balduino, Diego Pizzini e Pedro Chequer, todos na casa dos 30 e poucos anos, o coletivo colore as ruas de Brasília desde 2017 e tem esse recente trabalho como um dos mais marcante da carreira.

“Os murais no Infinu estão nos proporcionado visibilidade maior do que a esperada, inclusive. Os visitantes têm se identificado muito com o tema de afetividade e conseguido captar as referências entremeadas nas artes. Para nós, esse reconhecimento, às vezes traduzido em fotos do Instagram, é muito gratificante”, declara Bertone, porta-voz do coletivo nesta entrevista ao Metrópoles.

O convite

A oportunidade de pincelar algumas das paredes de maior visibilidade do espaço surgiu por meio de um convite de Miguel Galvão, um dos idealizadores do Infinu. “Usamos as possibilidades do programa Adote uma Praça para ressignificar uma área pública contínua a nosso espaço. Transformamos ela, um beco abandonado, em uma praça em homenagem às avós de Brasília, cidade sexagenária que, em geral, tem sua memória vinculada apenas aos personagens masculinos clichês, como [Jucelino] Kubitschek e [Oscar] Niemayer”, revela Miguel.

Por já admirar o trabalho dos artistas do coletivo, ele deu a eles a missão de ornamentar a praça com painéis que enaltecessem “as guerreiras que ajudaram a erguer o sonho da nova capital federal, mas fora dos holofotes, como tia Neiva (Vale do Amanhecer), dona Izolina (Gama) e dona Zuleica (Sobradinho)”.

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Inspiração nordestina com traços à la Basquiat

Radicados em Brasília e publicitários por formação, Bertone, Diego e Pedro se conheceram no mercado de trabalho e, ao descobrirem gostos e aptidões similares para arte, uniram forças para empreender. Assim, nasceu o Cavalo do Cão.

“Por termos raízes nordestinas, acabamos incluindo traços dessa rica cultura em nosso trabalho. O nome do coletivo mesmo foi em homenagem ao homônimo besouro de picada mais dolorida do mundo, que simboliza coragem e força na região do país”, explica Bertone.

As obras deles ainda têm forte referência em gênios da pintura mundial, como Jean-Michel Basquiat, Pablo Picasso e Van Gogh.

coletivo cavalo do cao

A seis mãos

No início do projeto criativo, os amigos se dedicavam exclusivamente à pintura sobre tela. Pouco a pouco, começaram a adentrar a cena underground da cidade e acabaram se apaixonando pelo grafite. Atualmente, é essa arte pulsante das ruas que mais motiva o trio de criadores.

Bertone explica como funciona o processo criativo do grupo. ” Discutimos o tema brevemente e logo partimos para ação. Criamos a seis mãos, todos juntos ao mesmo tempo agora”, brinca. “Temos muita liberdade e confiança, e é isso que permite a realização livre e simultânea dos trabalhos. Às vezes, o desenho de um acaba encobrindo metade do de outro, mas no fim essa ‘bagunça organizada’ sempre se encaixa”, garante.

Na melhor fase de suas carreiras, os artistas têm ateliê próprio e orgulham-se do portfólio variado e sólido que construíram ao longo dos anos. O “currículo” deles é permeado por trabalhos em lugares de destaque da capital, como Conic, Parque da Cidade e, agora, W3 Sul. Eles também já assinaram mural para mostra de design CasaCor.

Além de grandes grafites, o trio também personaliza objetos de pequeno porte, como filtros de barro e skates. Obras colecionáveis do grupo podem ser encontradas à venda na Galeria Olaria, na 716 Norte.

Frescor que Brasília precisava

O Infinu foi inaugurado em meados de junho e fica na altura da 506 Sul. Devido à pandemia de coronavírus, o empreendimento deu start a suas atividades com medidas de distanciamento social e apenas serviços take out. Entre os restaurantes do local estão Loca Como Tu Madre, especializado em comfort foods, e Alfredo’s Pizzaria, focado em gastronomia italiana.

Com objetivo de atenuar o aspecto de abandono e trazer vida nova à avenida mais famosa da cidade, o projeto já caiu no gosto dos brasilienses. O comentário que corre solto nas entrequadras é que, pelos grafites, o local será uma espécie de Beco do Batman made in Brasília.

Por lá, além de obras dos integrantes do Cavalo do Cão, podem ser contemplados murais de outras potências artística, entre elas, Phantom, Brixx e Vittor Sinistra.

Confira os horários de funcionamento do Infinu: 

• Take out bebidas Infinu: segunda a segunda de 11h às 22h30;

• Loca Como Tu Madre Pocket: segunda a segunda de 11h30 às 20h;

• Alfredo’s Pizzaria: terça a domingo de 16h às 22h30;

• Antonieta Café: segunda a sexta de 13h às 19h. Sábado de 14h às 18h.

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