Caso João Luiz: 5 coisas para nunca dizer a quem tem cabelos crespos
Recentemente, no BBB21, o black power do professor de Geografia foi comparado a uma peruca pré-histórica. Caso gerou grande repercussão

Se reality shows como o Big Brother Brasil trazem um recorde da sociedade, é natural que temas como homofobia e racismo venham à tona, sobretudo no Brasil, um dos países que mais mata LGBTs e pessoas negras no mundo.
A última pauta sobre preconceito levantada no programa da Rede Globo, já em sua vigésima primeira edição, girou em torno do cabelo crespo de João Luiz. O professor de Geografia teve seu black power comparado a uma peruca de fantasia pré-histórica. O responsável pela ofensa foi Rodolffo, cantor de sertanejo autodenominado “chucro”.
“Isso para mim tocou num ponto muito específico”, lamentou João Luiz, com lágrimas nos olhos, ao falar sobre o ocorrido no episódio ao vivo dessa segunda-feira (5/4).
Ao ver a reação do professor, Rodolffo alegou que não teve intenção de ofender. Ele ainda afirmou ter parentes negros que não ligam para esse tipo de brincadeira.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO sertanejo chegou a pedir desculpas a João, mas apenas após ter sido pressionado por outros colegas de confinamento. “É muito complicado o ‘mimimi’ hoje em dia”, queixou-se.
No momento da fala polêmica, proferida no último sábado (3/4), Juliette estava presente e chegou a concordar com Rodolffo. A paraibana, no entanto, fez alguns adendos e parece não ter ofendido tanto o docente.
João Luiz foi acolhido não apenas por alguns participantes do jogo, mas por muitos telespectadores, famosos e anônimos. Gaby Amarantos, Ludmilla (que fez show na casa recentemente e aproveitou para falar sobre o assunto), Luciano Huck e Taís Araújo foram apenas algumas das celebridades que demonstraram apoio a ele.
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“Respeita o nosso cabelo”
Para a historiadora e ativista Marjorie Chaves, Coordenadora do Observatório da Política de Saúde Integral da População Negra da Universidade de Brasília (Nesp/Ceam-UnB), brincadeiras sobre cabelo afro, antes tão naturalizadas, não são mais aceitáveis.
“O cabelo crespo é um dos marcadores mais fortes da negritude, junto à pele escura e o formato do nariz. Por muito tempo, a população negra esteve condicionada ao uso contido desse cabelo (bem curto para os homens e alisado para as mulheres) e aceitava apelidos duvidosos, socialmente naturalizados à época. Atualmente, porém, a evolução do debate racial fez com que a gente desnaturalizasse tudo isso”, analisa.
Ela condena a fala de Rodolffo e se alegra ao ver o tema racismo em pauta no horário nobre da Globo. “Não podemos mais dizer que existe inocência em comportamentos preconceituosos, o que existe é a conivência. E conivência também é racismo”, esclarece.
Apesar do longo caminho percorrido, a estudiosa diz que os fios crespos ainda são considerados sujos e primitivos por parte da população, e que esse preconceito afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas negras.
“Acredito que a opressão social por um padrão estético europeizado em uma sociedade racista como a nossa produziu graves efeitos na nossa autoestima. Mesmo com toda a mudança recente na forma de manipulação do cabelo crespo como resgate de uma história que nos foi negada, ainda é persistente a ideia de que o cabelo crespo volumoso, com tranças ou dreadlocks é ‘primitivo’, sujo. As representações negativas sobre o corpo negro e o cabelo crespo extrapola o âmbito do imaginário social e produz desigualdades como desemprego, baixos salários e limitações no acesso à bens e serviços”, conclui.
Cinco coisas para nunca dizer a quem tem cabelos crespos
A pedido do Metrópoles, o especialista em madeixas afro Mateus Kili, conhecido no Distrito Federal como Barbeiro da Favela, selecionou cinco outras frases e comparações inapropriadas sobre cabelos crespos.
1. Você está de peruca?
2. Seu cabelo é muito difícil de lavar, né? Não deve nem entrar água direito.
3. Suas madeixas parecem Bombril!
4. Raspa essa cabeça!
5. Alisa seu cabelo. Ficará bem mais bonito!
Lembre-se que suas palavras podem perpetuar preconceitos e ferir, mesmo que não intencionalmente.



























