Caso Medina: como acolher quem enfrenta uma perda gestacional
Após a perda do bebê de Gabriel Medina e Isabella Arantes, psicóloga orienta como acolher quem enfrenta o luto gestacional

Gabriel Medina e Isabella Arantes perderam o bebê que estavam esperando. Segundo o atleta, a gestação não avançou na fase fetal. O caso reacende um tema delicado: como acolher quem enfrenta uma perda gestacional.

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Ver todasDe acordo com a psicóloga Mariana Ramos, a perda de um bebê é um dos lutos mais silenciosos e incompreendidos da sociedade. Muitas pessoas acreditam que, por não ter havido uma convivência prolongada com o bebê, a dor dos pais deveria ser menor.
No entanto, a psicologia mostra justamente o contrário.
“O vínculo emocional não depende do tempo de convivência, e sim do significado que aquela vida tinha para quem a esperava pois cada caso é um caso, casa pessoa é uma pessoa”, afirma a professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloO luto gestacional também é um luto legítimo
Mariana explica que a gestação representa um período de intensas transformações físicas, emocionais e psicológicas. Desde o momento em que uma gravidez é descoberta, inicia-se também um processo de construção de identidade.
“Quando essa gestação é interrompida, não há apenas uma perda biológica. Existe uma ruptura de expectativas, de projetos e de vínculos afetivos que já estavam sendo construídos.”
Além disso, o corpo continua lembrando da gravidez. Alterações hormonais, mudanças físicas e, em alguns casos, a produção de leite, convivem com a ausência do bebê, tornando esse processo ainda mais complexo.
Por isso, é importante compreender que não existe um “tempo certo” para sofrer, afirma Mariana.

O que realmente ajuda?
Quando alguém passa por uma perda gestacional, muitas pessoas sentem vontade de ajudar, mas não sabem como. Segundo a profissional, curiosamente, o apoio mais importante raramente está nas palavras e, sim, na presença.
“Às vezes, o maior acolhimento é simplesmente permanecer ao lado daquela pessoa, permitindo que ela chore, fale sobre o bebê, permaneça em silêncio ou expresse sua dor sem medo de ser interrompida ou julgada”, orienta a psicóloga.
Para Mariana, frases simples costumam ter muito mais efeito do que tentativas de encontrar explicações.
- “Sinto muito pela sua perda”
- “Estou aqui para você”
- “Você não precisa passar por isso sozinha”
- “Se quiser falar sobre seu bebê, eu vou ouvir”
Outro ponto importante é o apoio prático. Isso inclui preparar uma refeição, acompanhar uma consulta médica, cuidar de outras crianças da família e até ajudar nas tarefas do dia a dia.

O que evitar
De acordo com a expert, existe uma tentativa muito humana de aliviar o sofrimento das pessoas. No entanto, algumas frases, embora bem-intencionadas, acabam produzindo o efeito oposto.
Entre elas:
- “Vocês podem ter outro filho”
- “Ainda bem que foi no começo”
- “Tudo acontece por um motivo”
- “Foi vontade de Deus”
- “Pelo menos você engravida”
- “Agora é seguir em frente”
Expressões assim podem transmitir a sensação de que aquela perda deveria ser rapidamente superada ou substituída e até que a dor e o momento não estão sendo compreendidos. Do ponto de vista psicológico, isso pode gerar um fenômeno conhecido como luto não reconhecido.
“Isso acontece quando o sofrimento da pessoa não encontra espaço para existir porque o ambiente tenta diminuí-lo ou justificá-lo. Nenhuma dessas frases devolve o bebê que foi perdido. Por isso, antes de tentar consolar, talvez seja mais importante reconhecer a dor”, enfatiza a expert.
Os pais também sofrem
Embora a atenção frequentemente se concentre sobre a mulher, é importante lembrar que o parceiro também pode vivenciar um luto intenso. Muitos homens sentem que precisam permanecer fortes para apoiar a companheira e acabam silenciando a própria dor.
“Esse silêncio pode gerar sentimentos de solidão, culpa e isolamento emocional. Por isso, o acolhimento deve incluir ambos os pais, respeitando que cada um expressará o sofrimento de maneira diferente”, conclui a professora de psicologia.













