Borra de café no vaso sanitário: expert alerta para riscos do truque
Especialista explica por que prática não elimina odores e pode até causar problemas no encanamento e na saúde
atualizado
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Uma dica simples e inusitada tem chamado a atenção nas redes sociais: jogar borra de café no vaso sanitário como forma de diminuir odores no banheiro. O hábito, que utiliza um resíduo comum do dia a dia, tem conquistado adeptos pela praticidade e pela proposta sustentável de reaproveitamento.
A explicação está na ideia de que a borra de café poderia ajudar a absorver cheiros e até contribuir para a remoção de pequenos resíduos, graças à textura levemente abrasiva. Ao ser descartada no vaso, ela supostamente atuaria na neutralização de odores, deixando o ambiente mais agradável.
Apesar do aparente sucesso do “hack“, o coloproctologista Danilo Munhóz adverte que o “truque” não é tão saudável assim. “Embora algumas pessoas acreditem que isso ajuda a reduzir odores, não existe evidência de que a borra de café tenha efeito significativo nesse sentido dentro do sistema de esgoto.”
“Além disso, do ponto de vista médico, é sempre importante lembrar que o vaso sanitário deve receber apenas fezes, urina e, em alguns casos, papel higiênico. A introdução frequente de resíduos, como a borra, pode contribuir para acúmulo nos encanamentos, favorecendo entupimentos e até refluxo de esgoto, o que pode gerar um ambiente insalubre e indiretamente impactar a saúde da casa como um todo”, acrescenta.

O médico também aponta que, na prática clínica, o que realmente influencia o odor das fezes está muito mais relacionado à alimentação, à digestão e à microbiota intestinal do que a qualquer intervenção no vaso sanitário.
E detalha: “Dietas ricas em proteínas, gorduras e alimentos ultraprocessados tendem a produzir fezes com odor mais forte, enquanto uma alimentação equilibrada, rica em fibras e com boa hidratação, contribui para um funcionamento intestinal mais saudável e menos doloroso.”
Ou seja, a melhor estratégia não está no que se joga no vaso, e sim no cuidado com o intestino.
“Esse tipo de orientação, inclusive, reforça a importância de olhar para o corpo como um todo, e não apenas para soluções pontuais que, na maioria das vezes, não atacam a causa do problema.”
