Como ser rica na internet. Conheça cinco blogueiras de beleza que lançaram linha própria de maquiagem
O mercado cresceu e ganhar dinheiro com publicidade vendendo produtos dos outros virou coisa pouca para essas blogueiras. O negócio agora é colocar no mercado produtos com a sua assinatura
atualizado
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Faz tempo que blogueiras e gurus do YouTube de beleza deixaram de ser apenas experts em maquiagem da internet e assumiram o status de “digital influencers”. Elas acumulam milhões de seguidores nas redes sociais, lançam tendências, recebem dinheiro para divulgar marcas e lançamentos e arrastam fãs por qualquer evento por onde passem. Com tanto poder de influenciar o que as pessoas compram e usam não poderia dar em outra coisa: muitas delas agora têm suas próprias linhas de maquiagem e produtos de beleza.
Algumas delas fizeram brilhar até os olhos de gigantes dos cosméticos, que passaram a ver nessas meninas verdadeiras minas de ouro. Michelle Phan, por exemplo, uma das primeiras a estourarem no YouTube falando de maquiagem, teve o apoio da L’Oréal quando decidiu lançar, em 2013, sua linha própria de cosméticos, a Em.
Aqui no Brasil, a Tracta, marca de maquiagem da Pharmaervas, mantém há algum tempo uma linha de colaboração com blogueiras, a TBlogs, que de vez em quando coloca à venda na internet um batom desenvolvido por alguma blogueira – ou por Val Marchiori. É deles também a linha do blog Pausa Para Feminices, da jornalista Bruna Tavares, que vira e mexe ganha críticas positivas das amigas blogueiras em suas páginas e vive esgotada no site da marca. Lucram as gurus e lucram mais ainda as marcas que bancam os projetos.
Confira algumas das gurus que transformaram o sucesso da internet em venda nas prateleiras:
1. Marina Smith, do 2Beauty
A gaúcha foi uma das primeiras blogueiras de beleza a bombarem no Brasil. Muitas das meninas que ganharam a internet depois dela começaram pegando dicas na página de Marina e trocando informações com outras viciadas em maquiagem no fórum que ela mantinha no site e que funcionava até como terapia coletiva. Os primeiros produtos da blogueira foram desenvolvidos pela mãe dela, que é farmacêutica, e uniam em suas formulações ingredientes especiais de todos os produtos de grife que ela gostava. As fãs enlouqueceram e começaram a encomendar as fórmulas.
Até que, em 2013, o projeto virou marca e foi lançado para venda on-line em uma coleção com cinco produtos: um primer facial, um líquido de limpar pincéis, um óleo secante para unhas, gel fixador de sobrancelhas e creme removedor de maquiagem à prova d’água. Meses depois, foi englobado pela Sephora e passou a ser vendido com exclusividade no e-commerce da multimarcas. De lá para cá, ganhou embalagem moderninha e foi encorpado com novos lançamentos e uma linha de maquiagem com produtos inspirados nos best-sellers de marcas internacionais.

2. Michelle Phan
A norte-americana de 28 anos é um dos maiores hits de todo o YouTube. Tem nada menos do que 8 milhões de seguidores no seu canal e, entre todas as nomeações que recebeu desde que estourou na internet, as mais recentes incluem a lista dos 30 maiores influenciadores com menos de 30 anos da Forbes em 2015 e a dos 30 empreendedores mais legais com menos de 30 anos da Inc Magazine.
Em 2013, Michelle anunciou que estava lançando, junto da L’Oréal, a linha de maquiagem Em, com um proposta moderninha de unir em uma única paleta tudo o que uma pessoa precisa em termos de maquiagem, entre batom, blush e sombra. A marca fez um certo sucesso entre o público da menina, mas não o suficiente para a L’Oréal. Em outubro, a empresa anunciou que havia vendido a Em de volta para sua fundadora, Michelle.
Os motivos não foram exatamente esclarecidos, mas uma das coisas que foi especulada pela mídia na época do anúncio é que a faixa de preço dos produtos estaria muito acima do que o público de Michelle, formado basicamente por adolescentes e jovens adultos, poderia bancar. Uma paleta de batons, por exemplo, sai por US$ 30 (R$ 115).
3. Pausa para Feminices
O blog é comandado por Bruna Tavares e nasceu em 2009, logo depois que a jornalista se formou na faculdade e precisava construir uma portfólio para correr atrás de emprego. Ela chegou a passar por algumas redações de revistas como repórter de beleza, mas saiu depois que os tutoriais de maquiagem que publicava no blog caíram de vez no gosto das brasileiras. O canal do YouTube dela tem quase 500 mil seguidores hoje.
Com tanto ibope, a menina começou a chamar a atenção da Tracta. Marca e blogueira firmaram uma parceria. A coleção é formada por alguns produtos hits de acordo com o que está bombando nas prateleiras e ganha novas edições de tempos em tempos. A última, por exemplo, veio com uma paleta de diferentes tons de sombra, a exemplo do que faz a Urban Decay, e dos batons líquidos de acabamento fosco, outra febre entre viciadas em maquiagem. Como os produtos têm um pé nas tendências de fora e preço acessível – os batons custam menos de R$ 25 -, se esgotam no site rapidinho.
4. Alice Salazar
Alice já trabalhava como maquiadora, mas começou a bombar na internet em 2010, com o blog Espelho Meu, que seguia a receita das outras páginas que bombam: tutoriais de maquiagem, críticas e indicações de produtos, só que com o jeito escrachado da gaúcha. Daí tanto sucesso.
A linha de maquiagem de Alice inclui pigmentos, sombra compactada e batom, além de um sabonete que remove maquiagem. É tudo desenvolvido no laboratório do pai da maquiadora e testado por ela mesma, antes de ser lançado. A marca é vendida em lojas pelo Brasil inteiro e com consultoras de venda direta.

5. Marlena Stell, do Makeup Geek
A “educadora de maquiagem”, como ela mesma se descreve, ganhava a vida como professora de música de adolescentes, mas sempre foi ligada ao universo da maquiagem. Começou a dividir suas dicas em um canal no YouTube, o Makeup Geek. Não demorou até o blog virar negócio. Em uma entrevista à Forbes, Marlena contou que, no início, tirava entre US$ 10 mil e US$ 15 mil por ano em publicidade por produtos anunciados na página. Depois, fechou parcerias com marcas de cosméticos em viu a receita subir para US$ 200 mil por ano. Em 2009, largou o trabalho de professora.
Hoje, Marlena é dona de uma verdadeira empresa de cosméticos, que fatura nada menos do que US$ 1 milhão por mês. Este ano, a Makeup Geek entrou na lista da Inc Magazine das 5 mil empresas que mais crescem no mundo. Segundo Marlena, quando criou a linha de maquiagem, em 2009, a ideia era vender produtos com a mesma qualidade de marcas badaladas, mas a preços justos – ela diz que ficou chocada ao saber que a M.A.C. vendia a US$ 14 uma sombra que tinha US$ 1 de preço de custo. Hoje, sombras similares à da marca canadense são vendidas no site da Makeup Geek por US$ 6 (R$ 23).


