Aos 102 anos, idoso ensina tecnologia e IA para terceira idade
Presidente de clube de informática na Austrália capacita terceira idade e afirma que se mantém ativo para não ficar no sofá
atualizado
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Quando idosos procuram ajuda com computadores na zona norte de Sydney, eles podem ser atendidos por Dean Simes, de 102 anos, que talvez seja o técnico de suporte mais velho da Austrália. A idade não é um obstáculo para o idoso, que dirige o clube de informática para a terceira idade Computer Pals, em Turramurra. O projeto ensina os alunos a utilizarem diversas funções de computadores e smartphones, capacitando a comunidade local a conviver com o avanço tecnológico moderno.
Entenda
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O clube comunitário: fundado em 2000, o Computer Pals ensina idosos a utilizarem ferramentas atuais como Windows 11, Microsoft Excel, WhatsApp e mecanismos de busca com inteligência artificial.
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Trajetória tardia na tecnologia: o Sr. Simes teve carreira na indústria de mineração e como consultor, mas só comprou seu primeiro computador usado aos 80 anos, decidindo depois estudar três anos no Technical and Further Education (TAFE) para ajudar os outros.
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Liderança e reconhecimento: além de ser o presidente do clube, ele comprou e cuida da maior parte dos equipamentos. Dedicação que lhe rendeu o título de Cidadão Local do Ano pelo Conselho de Ku-ring-gai.
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Rotina ativa aos 102 anos: Simes joga bridge, frequenta a academia para não perder tônus muscular, vai a um clube Probus, convive com os seis filhos, ainda dirige seu carro e cuida da gestão tecnológica do clube.

“As pessoas que se juntam a este clube têm de conviver cada vez mais com o mundo da informática”, disse Simes em entrevista para a emissora australiana ABC. Ele relata as transformações do setor: “Quando este clube começou, o XP estava apenas sendo lançado, e agora estamos no Windows 11, e ao longo dos anos houve muitas mudanças. Não tem como evitar o uso de um computador”.
Ainda de acordo com informações da ABC, o presidente do clube elabora lições com auxílio de inteligência artificial, projetadas em uma tela grande para os alunos.
Bill Soper, secretário-tesoureiro do clube, afirma que a experiência do colega é lendária. “Todos nós nos curvamos diante do conhecimento de computadores que Dean possui”, destacou. O próprio Simes recorda o início do seu interesse: “Quando recebi meu primeiro computador usado, percebi que estava pedindo ajuda às pessoas. Eu precisava saber mais, então fiz três anos no TAFE. Também tinha em mente que talvez pudesse ajudar outras pessoas neste clube de informática”.

Atualmente, ele ministra aulas sobre o uso da internet, e-mail e armazenamento de dados, mantendo-se a par dos mecanismos de busca com IA, embora faça ressalvas sobre a tecnologia. “Se você fizer uma pergunta genérica, pode acabar se perdendo em um labirinto de informações que não têm nada a ver com o que você quer. Você precisa ter cuidado ao fazer isso para garantir que sua pergunta seja o mais precisa e limitada possível”, alertou o especialista.
Para os idosos que enfrentam dificuldades e tentam evitar a tecnologia, o conselho de Simes é praticar a coisa certa. “É divertido para jogar paciência por um tempo, mas além de ensinar como usar o mouse, você não aprende muito mais”, explicou.
“Quando alguém lhe mostrar como fazer algo, não se limite a simplesmente deixar que lhe mostrem. Faça você mesmo, sob supervisão, vá para casa e repita quantas vezes quiser.”
O idoso reconhece que eventualmente terá que parar de administrar o clube, mas ressalta o impacto da rotina em sua longevidade. “Acho que isso me impede de ficar obcecado com o sofá. Não tenho muito tempo para ficar sentado sem fazer nada”, concluiu Dean Simes.
