Anitta não quer ser mãe: toda mulher precisa sonhar com a maternidade?
Declaração da cantora Anitta reflete análise de psicóloga: não desejar filhos não faz de ninguém menos humana, afetiva ou cuidadora
atualizado
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A cantora Anitta, de 33 anos, revelou em entrevista à revista Glamour que, após passar por processos de autoconhecimento, não sente o desejo de ser mãe no momento atual e não realizou o congelamento de óvulos. A artista pondera que a função ainda lhe parece injusta e desequilibrada, embora não se feche a mudanças futuras por meio da adoção.
Analisando o cenário, a psicóloga Alessandra Araújo aponta que a sociedade historicamente vinculou a validação feminina à procriação, ressaltando que o amadurecimento emocional consiste em reconhecer e sustentar as próprias escolhas de vida sem culpa.
Entenda
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Decisão atual: Anitta revelou que, no momento, não se enxerga feliz tendo filhos e considera a função materna injusta e desequilibrada.
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Saúde e alternativas: a cantora rejeita o congelamento de óvulos para não fragilizar sua saúde hormonal e prioriza a adoção caso mude de ideia no futuro.
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Modelo e princípios: com mais de 60 milhões de seguidores, a artista se vê como um modelo de caráter, esforço e valorização familiar.
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Visão psicológica: a psicóloga Alessandra Araújo afirma que não querer filhos não anula a capacidade de afeto da mulher e que a maternidade deve ser uma escolha.
Em sua busca por autoconhecimento, que a auxiliou a lidar com as expectativas da carreira e com suas opções pessoais, Anitta destacou que não planeja a maternidade por vias biológicas. Ela explicou que o congelamento de óvulos altera os hormônios e é um procedimento pesado, o que traria riscos para sua saúde, que já se encontra fragilizada desde que contraiu covid-19.
Para a cantora, que recentemente lançou o álbum #Equilibrivm, o futuro está aberto a evoluções, e a existência de crianças esperando por adoção soluciona um eventual desejo tardio de constituição familiar.
A postura da cantora reflete um comportamento que esbarra em pressões sociais históricas. Segundo a psicóloga, a recusa ou o adiamento da maternidade em prol de propósitos como carreira, liberdade ou autoconhecimento ainda costuma ser rotulado erroneamente como egoísmo ou falta de instinto. Alessandra argumenta que existe uma distinção clara entre não desejar a maternidade e não ter a capacidade de amar ou cuidar, reforçando que muitas mulheres exercem o afeto e o acolhimento em seus trabalhos, amizades e projetos pessoais.

Mesmo sem a intenção de gerar filhos, Anitta ressaltou que busca servir de inspiração para seus fãs com base em sua trajetória de estudos, trabalho e dedicação à família. Ela reforça que gostaria de ser uma referência de princípios se um dia decidisse seguir o caminho da maternidade.
Por outro lado, o cenário para as mulheres que optam por caminhos semelhantes ainda envolve desafios severos. De acordo com a psicóloga, muitas mulheres enfrentam agressões e violência em diversas esferas da vida por rejeitarem a cobrança social de ter filhos. Alessandra conclui que é fundamental trabalhar a cultura para aceitar essa realidade, trazendo a consciência de que ser mulher significa estar em paz com os próprios desejos e escolhas, transformando a maternidade de uma obrigação para um ato de escolha livre.













