Anestesiologista revela como estresse agrava a dor crônica

Especialista explica mecanismos que intensificam a dor e reforça a importância de tratar estresse e sintomas juntos

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Mulher sentada no sofá sofrendo de dor no pescoço. Conceito de dor crônica. Metrópoles
1 de 1 Mulher sentada no sofá sofrendo de dor no pescoço. Conceito de dor crônica. Metrópoles - Foto: Freepik

O estresse pode ir muito além do impacto emocional e se tornar um fator decisivo no agravamento da dor crônica. Especialistas alertam que a interação entre mente e corpo cria um ciclo em que o estresse intensifica a dor — e a dor, por sua vez, amplia as respostas ao estresse, dificultando o tratamento.

Entenda

  • O estresse aumenta a sensibilidade do organismo à dor.
  • Alterações hormonais e neurológicas intensificam os sintomas.
  • A repetição do estresse pode cronificar dores agudas.
  • Fatores psicológicos influenciam diretamente o quadro.

A ciência já demonstra que a exposição ao estresse, agudo ou contínuo, tem impacto direto nas vias de processamento da dor. Esse efeito ocorre por meio de mudanças no sistema nervoso e nos mecanismos hormonais que regulam as respostas do organismo.

De acordo com a anestesiologista especialista em dor Inácia Simões, do Centro Clínico Saint Moritz, o problema vai além de episódios isolados.

“O estresse pode aumentar significativamente a dor crônica por meio de múltiplos mecanismos, criando um ciclo em que o estresse exacerba a dor e a dor crônica intensifica as respostas ao estresse”, afirma.

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Entre os fatores envolvidos estão disfunções no sistema nervoso autônomo e no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, estruturas responsáveis pela regulação do estresse. Essas alterações tornam o corpo mais sensível e menos capaz de se recuperar após situações estressantes.

“Há evidências de que pacientes com maior sensibilidade à dor apresentam níveis elevados de cortisol, frequência cardíaca aumentada e menor variabilidade durante a recuperação”, explica a especialista.

Outro ponto de atenção é o impacto do estresse ao longo do tempo. “O estresse repetido pode induzir a transição de dor aguda para crônica, além de provocar efeitos neurotóxicos que afetam tanto a dor quanto a regulação do estresse”, destaca.

A médica também ressalta a influência de fatores emocionais. “Depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e dificuldades de enfrentamento estão associados ao desenvolvimento e agravamento da dor crônica”, diz.

Imagem mostra homem sentado na beirada da cama com a mão nas costas, sentindo dor - Metrópoles
A dor crônica é aquela que persiste por mais de três meses e continua mesmo após a recuperação do evento inicial que a causou

Na prática clínica, isso se traduz em um ciclo difícil de romper. “Pacientes com dor crônica apresentam intolerância ao estresse, ou seja, qualquer estímulo estressante pode desencadear ou piorar os sintomas”, afirma.

Para ela, o caminho está em abordagens integradas. “Essa relação bidirecional mostra que tratar apenas a dor não é suficiente. É fundamental atuar também no gerenciamento do estresse para alcançar melhores resultados”, conclui.

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