Aluno de 12 anos revela o que fez para ser aprovado em universidade pública

Bernardo Manfredini fez o vestibular da universidade por experiência, avançou às duas fases e vê na aprovação um passo seguro para o futuro

atualizado

metropoles.com

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@benny.manfredini/Instagram/Reprodução
Menino aprovado em universidade pública
1 de 1 Menino aprovado em universidade pública - Foto: @benny.manfredini/Instagram/Reprodução

Com apenas 12 anos e ainda cursando o ensino fundamental, Bernardo Manfredini conquistou uma vaga na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A aprovação no vestibular, feita inicialmente por curiosidade e sem pressão por resultados, tornou-se um marco na trajetória acadêmica do estudante, apaixonado por Matemática e com planos de seguir carreira na engenharia.

Entenda

  • Estudante de 12 anos avança às duas fases do vestibular da UERJ;
  • Prova foi encarada como experiência, sem objetivo de antecipar a faculdade;
  • Bernardo é medalhista em olimpíadas científicas e gosta de exatas;
  • Família prioriza equilíbrio entre estudos, lazer e desenvolvimento emocional.

Uma conquista inesperada

Ao conferir o resultado, Bernardo resume o sentimento de forma simples: felicidade. “Achei muito legal. Fiquei feliz porque, para mim, foi uma grande conquista, pensando nos meus estudos”, conta. A aprovação reforçou a confiança do estudante no próprio caminho acadêmico e serviu como validação do esforço que já vinha sendo feito em olimpíadas e atividades extracurriculares.

Da curiosidade à chance real

A decisão de fazer o vestibular surgiu sem grandes expectativas. No entanto, a percepção de que poderia avançar veio ainda na primeira fase. “Quando peguei a prova, achei que não ia conseguir responder muita coisa. Mas vi que tinha questões que eu sabia”, relata ao Metrópoles. Dos 60 itens, acertou 35, alcançando conceito C e garantindo a classificação para a etapa seguinte.

Na segunda fase, com provas dissertativas, Bernardo encarou o desafio como se fosse uma olimpíada acadêmica. “Era uma prova de demonstrar raciocínio e resolução.” Em matemática, conseguiu responder mais da metade das questões; em Física, resolveu parte da prova; e na redação, enfrentou um tema que considerou difícil, mas sem zerar nenhum conteúdo. O desempenho foi suficiente para a aprovação final.

Menino aprovado em universidade pública
Ele já tem mais de 80 medalhas. Entre elas, estão ouro na Olimpíada de Matemática do Estado do Rio de Janeiro (OMERJ), prata nacional na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM)

Matemática desde cedo

A afinidade com os números vem da infância. “Desde pequeno acho os números interessantes”, diz. A escolha pelo curso de Matemática no vestibular não foi por acaso: além de ser sua disciplina favorita, o formato da prova valorizava áreas em que ele se sente mais seguro, como matemática e física. “Achei que teria mais chances de saber responder algo”, explica.

Aprendizados além do resultado

Para Bernardo, a maior lição da experiência foi entender, na prática, como funciona um vestibular. Ele destaca o contato com critérios de correção, a estrutura das provas e a leitura de obras literárias mais complexas — entre elas, textos de Shakespeare, autor de que já gostava.

“Também foi importante viver o ambiente: entrar sozinho, desde o portão, em um processo muito sério”, afirma.

Rotina equilibrada

Mesmo com medalhas em olimpíadas e bom desempenho acadêmico, a rotina do estudante inclui espaço para lazer. “Minha mãe me ajuda a equilibrar tudo”, conta. Matemática, para ele, transita entre estudo e diversão. Além disso, pratica tênis de mesa e xadrez, lê bastante, gosta de ciências, assiste TV e joga com amigos. “Nada pode ser demais”, reforça, citando um conselho constante da família.

Menino aprovado em universidade pública
Bernardo na UERJ

Apesar da aprovação precoce, o plano não é antecipar a graduação. Bernardo já tem sonhos bem definidos: quer cursar engenharia e almeja, no futuro, ingressar no  Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) ou no Instituto Militar de Engenharia (IME), assim como dois primos.

O olhar da família

A mãe, a professora Luzia de Fátima Manfredini, lembra que o desenvolvimento do filho chamou atenção desde muito cedo. “No começo, confesso que me assustei”, diz. Professora de português e inglês, ela conta que Bernardo demonstrava curiosidade incomum ainda pequeno, observando letras, números e símbolos em passeios pela rua.

Ele aprendeu a ler antes dos 4 anos e foi avaliado precocemente com Altas Habilidades ou Superdotação (AHSD), o que levou a família a buscar apoio e diálogo constante com as escolas.

Menino aprovado em universidade pública
Bernardo e a mãe, Luzia

Segundo Luzia, o incentivo ao vestibular teve um objetivo claro: a vivência. “A ideia nunca foi antecipar a faculdade. Era responder à curiosidade dele com experiência, não com cobrança”, afirma.

Em casa, o cuidado é manter o equilíbrio entre desempenho acadêmico, infância e convivência social. “A gente garante tempo livre, esporte, leitura por prazer e contato com amigos. O emocional e o bem-estar vêm sempre junto com os estudos.”

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