Alerta silencioso: formigamento nas mãos pode revelar deficiência

Formigamento constante nas mãos pode ser sinal de deficiência grave e silenciosa. Entenda quando se preocupar e o que fazer

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
mulher mexendo na própria mão
1 de 1 mulher mexendo na própria mão - Foto: Reprodução
Se você sente aquele formigamento insistente nas mãos — como pequenas “agulhadas” que vão e voltam — talvez esteja ignorando um sinal importante do seu corpo. O que muita gente trata como má postura ou cansaço pode, na verdade, indicar a falta de uma vitamina essencial para o funcionamento do sistema nervoso.
E o mais preocupante: quando não tratada, essa deficiência pode causar danos neurológicos permanentes.

O que está por trás do formigamento constante

O formigamento frequente nas mãos, também chamado de parestesia, pode estar ligado à deficiência de vitamina B12 — nutriente fundamental para a saúde dos nervos.
Essa vitamina atua diretamente na proteção da bainha de mielina, uma “capa” que envolve os nervos e permite que os impulsos elétricos sejam transmitidos corretamente. Quando há deficiência, os sinais nervosos falham — e surgem sintomas como dormência, choques e perda de sensibilidade.
De acordo com a neurologista Mikaela Santos Aguiar, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, esse processo acontece de forma silenciosa e progressiva. Ela explica que a vitamina B12 é essencial para a formação da mielina — estrutura que protege os nervos — e que, sem essa proteção, eles ficam mais vulneráveis a lesões, o que leva aos sintomas de dormência, especialmente nas extremidades.
Além disso, a especialista destaca que os sinais não surgem de forma abrupta: a queda dos níveis da vitamina acontece aos poucos, e sintomas como cansaço, fadiga e até falhas de memória podem aparecer antes — ou junto — com o formigamento nas mãos e nos pés.

Por que isso é mais perigoso do que parece

Diferente de uma simples má circulação momentânea, o formigamento causado pela falta de vitamina B12 tende a ser persistente e progressivo. O risco está no tempo. Quanto mais a deficiência se prolonga, maior a chance de lesões nos nervos se tornarem irreversíveis.
A própria neurologista alerta que o dano pode, sim, se tornar permanente dependendo do tempo de exposição à deficiência. Segundo ela, a reposição da vitamina é capaz de interromper a progressão do problema, mas nem sempre consegue reverter completamente lesões que já se instalaram.
Além disso, o quadro pode vir acompanhado de outros sinais pouco associados à vitamina:
  • Cansaço extremo e falta de energia
  • Falhas de memória e dificuldade de concentração
  • Alterações de humor, como irritabilidade ou depressão
  • Palidez e anemia
Esses sintomas costumam surgir de forma lenta, o que faz muita gente ignorar o problema por meses — ou até anos.

Informação que quase ninguém comenta

Embora a deficiência de B12 seja frequentemente associada a dietas sem carne, há outros fatores importantes que muitas pessoas desconhecem — e que, segundo Mikaela, fazem parte da investigação clínica durante a consulta.
Alerta silencioso: formigamento nas mãos pode revelar deficiência - destaque galeria
8 imagens
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, mostra que entre 30 e 60 minutos de exercícios de fortalecimento muscular por semana é o suficiente
De acordo com os resultados da pesquisa, o risco de morte prematura entre as pessoas que se movimentam é entre 10% e 17% menor do que o verificado em pessoas sedentárias
Exercícios que utilizam o peso do próprio corpo, como a musculação e a prática de esportes, são algumas das recomendações. Além disso, atividades como Tai chi e ioga são indicadas para fortalecer ossos e músculos
Manter o corpo ativo ajuda ainda a melhorar resultados da menopausa, de períodos pós-operatório e pode ajudar a prevenir fraturas nos ossos, por exemplo. Além disso, auxilia no aumento da energia, e melhora o humor e o sono
Segundo especialistas, pessoas que se exercitam por, ao menos, meia hora na semana demonstram redução do risco de morte, doenças cardíacas e câncer. Uma hora semanal de atividades de fortalecimento muscular também foi relacionada à diminuição do risco de diabetes
Exercícios que fortalecem os ossos e os músculos são essenciais para evitar doenças e demais problemas de saúde. Além de melhorar o equilíbrio, exercitar-se ao menos duas vezes por semana é um dos segredos para prolongar a expectativa de vida e envelhecer melhor
1 de 8

Exercícios que fortalecem os ossos e os músculos são essenciais para evitar doenças e demais problemas de saúde. Além de melhorar o equilíbrio, exercitar-se ao menos duas vezes por semana é um dos segredos para prolongar a expectativa de vida e envelhecer melhor

Mike Harrington/ Getty Images
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, mostra que entre 30 e 60 minutos de exercícios de fortalecimento muscular por semana é o suficiente
2 de 8

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, mostra que entre 30 e 60 minutos de exercícios de fortalecimento muscular por semana é o suficiente

Hinterhaus Productions/ Getty Images
De acordo com os resultados da pesquisa, o risco de morte prematura entre as pessoas que se movimentam é entre 10% e 17% menor do que o verificado em pessoas sedentárias
3 de 8

De acordo com os resultados da pesquisa, o risco de morte prematura entre as pessoas que se movimentam é entre 10% e 17% menor do que o verificado em pessoas sedentárias

Catherine Falls Commercial/ Getty Images
Exercícios que utilizam o peso do próprio corpo, como a musculação e a prática de esportes, são algumas das recomendações. Além disso, atividades como Tai chi e ioga são indicadas para fortalecer ossos e músculos
4 de 8

Exercícios que utilizam o peso do próprio corpo, como a musculação e a prática de esportes, são algumas das recomendações. Além disso, atividades como Tai chi e ioga são indicadas para fortalecer ossos e músculos

Nisian Hughes/ Getty Images
Manter o corpo ativo ajuda ainda a melhorar resultados da menopausa, de períodos pós-operatório e pode ajudar a prevenir fraturas nos ossos, por exemplo. Além disso, auxilia no aumento da energia, e melhora o humor e o sono
5 de 8

Manter o corpo ativo ajuda ainda a melhorar resultados da menopausa, de períodos pós-operatório e pode ajudar a prevenir fraturas nos ossos, por exemplo. Além disso, auxilia no aumento da energia, e melhora o humor e o sono

skaman306/ Getty Images
Segundo especialistas, pessoas que se exercitam por, ao menos, meia hora na semana demonstram redução do risco de morte, doenças cardíacas e câncer. Uma hora semanal de atividades de fortalecimento muscular também foi relacionada à diminuição do risco de diabetes
6 de 8

Segundo especialistas, pessoas que se exercitam por, ao menos, meia hora na semana demonstram redução do risco de morte, doenças cardíacas e câncer. Uma hora semanal de atividades de fortalecimento muscular também foi relacionada à diminuição do risco de diabetes

Tom Werner/ Getty Images
A massa muscular e óssea do corpo humano atinge o pico antes dos 30 anos. A partir dessa idade, começa um decaimento natural, ou seja, indivíduos que começam a se exercitar na juventude terão aumento da força óssea e muscular ao longo da vida
7 de 8

A massa muscular e óssea do corpo humano atinge o pico antes dos 30 anos. A partir dessa idade, começa um decaimento natural, ou seja, indivíduos que começam a se exercitar na juventude terão aumento da força óssea e muscular ao longo da vida

Thomas Barwick/ Getty Images
Pessoas que se exercitam depois dos 30 anos reduzem a queda natural do corpo, conseguem preservar a força óssea e muscular e vivem muito melhor
8 de 8

Pessoas que se exercitam depois dos 30 anos reduzem a queda natural do corpo, conseguem preservar a força óssea e muscular e vivem muito melhor

Justin Paget/ Getty Images

 

A neurologista explica que muitos pacientes consomem a vitamina, mas não conseguem absorvê-la corretamente. Isso pode acontecer em pessoas com problemas gastrointestinais, histórico de cirurgias como a bariátrica ou alterações no estômago e intestino.

Uso de medicamentos pode interferir

Outro ponto importante destacado por ela é o uso prolongado de certos medicamentos. Antiácidos, remédios para refluxo e até a metformina — usada no tratamento do diabetes — podem prejudicar a absorção da vitamina ao longo do tempo.
O excesso de vitamina também pode causar sintomas. Embora menos comum, o uso inadequado de suplementos, especialmente vitaminas do complexo B em excesso, também pode provocar sintomas neurológicos, incluindo formigamento.

Não é a única causa — e isso é crucial

Apesar da forte relação com a vitamina B12, a neurologista reforça que o formigamento não deve ser analisado de forma isolada. A avaliação clínica detalhada é essencial justamente para diferenciar outras causas.
Segundo ela, informações como histórico de saúde, uso de álcool, medicamentos e padrão alimentar ajudam a direcionar o diagnóstico. Além disso, características do sintoma — como horário em que aparece, frequência e quais dedos são afetados — são fundamentais. O exame físico também pode identificar sinais clássicos de outras condições, como a síndrome do túnel do carpo.
O formigamento também pode estar ligado a outras condições importantes, como:
  • Diabetes (neuropatia diabética)
  • Problemas de circulação
  • Doenças neurológicas
  • Ansiedade e estresse
Por isso, o sintoma nunca deve ser tratado de forma isolada.
Além disso, hábitos saudáveis fazem diferença direta na prevenção e no controle desses quadros. A prática regular de atividade física melhora a circulação sanguínea, reduz o estresse, fortalece o sistema imunológico e contribui para a saúde neurológica como um todo.

Quando procurar ajuda médica

Fique atento se o formigamento:
  • Surge sem motivo aparente
  • Acontece com frequência
  • Vem acompanhado de fraqueza ou perda de força
  • Afeta as duas mãos ou pés ao mesmo tempo
Nesses casos, exames de sangue simples podem ajudar no diagnóstico. Mikaela explica que a investigação inclui hemograma completo e dosagem de vitamina B12. Em situações mais específicas, exames como homocisteína e ácido metilmalônico podem ser solicitados para detectar a deficiência de forma mais precoce.

Tempo de recuperação e grupos de risco

A recuperação dos sintomas neurológicos tende a ser mais lenta do que outros sinais da deficiência. Segundo a neurologista, a melhora do formigamento costuma ocorrer entre 1 e 3 meses após o início da reposição, podendo levar até um ano em alguns casos.
Ela também chama atenção para os grupos mais vulneráveis ao problema:
  • Pessoas acima de 65 anos
  • Vegetarianos e veganos estritos
  • Pacientes que passaram por cirurgia bariátrica
  • Indivíduos que usam antiácidos ou metformina por longos períodos
  • Gestantes
  • Pessoas com consumo excessivo de álcool
  • Desnutridos
  • Pacientes em hemodiálise
Nesses casos, o acompanhamento médico regular é essencial para prevenir complicações.

Como prevenir o problema

A prevenção passa por três pilares:
  • Alimentação equilibrada (com fontes de B12 como carnes, ovos e laticínios)
  • Acompanhamento médico regular
  • Check-ups periódicos para detectar deficiências silenciosas
Em alguns casos, a suplementação pode ser necessária — mas sempre com orientação profissional.

O alerta final

Ignorar o formigamento nas mãos pode custar caro. O que parece um desconforto banal pode ser o primeiro sinal de um problema neurológico em evolução.
Identificar a causa cedo é o que faz toda a diferença entre um tratamento simples — e uma sequela permanente.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comVida & Estilo

Você quer ficar por dentro das notícias de vida & estilo e receber notificações em tempo real?