Xô! Vendedores de ervas receitam banho pra deixar Brasília livre da urucubaca de 2015
“Metrópoles” percorre as bancas de folhas da Feira de São Joaquim, em Salvador, para obter a receita das ervas capazes de mandar a energia paralisante de 2015 pelo ralo
atualizado
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Em Salvador, o ano de 2015 ganhou um apelido: o de “Miseravão”. Os quase 365 dias foram tão cruéis, com o povo baiano, que não se encontram duas plantas consideradas fundamentais para afastar tempos de nuvens carregadas de corrupção e desacerto político. Sumiram das tradicionais bancas de folhas da Feira de São Joaquim (ou Água de Meninos) as ervas “vence-tudo” e “vence-batalha”.
Ninguém sabe ao certo o que ocorreu. Se houve problemas no plantio; se a demanda foi maior que a oferta; ou se o povo, no desespero, arrancou do pé antes da hora para fazer banho de descarrego.
O fato é que não se acham as folhas, ideais para compor o banho para espantar energias pesadíssimas que pairam sobre o Brasil. Em especial, as que paralisam e sangram Brasília, centro irradiador dos escândalos políticos. Aquelas que assombram a população quase minuto a minuto, como se fossemos espectadores atônitos de um eletrizante seriado de terror psicológico.
Os fluídos que pairam sobre os Três Poderes estão tão carregados, que é preciso recorrer para as folhas mais poderosas. As que fazem o quebranto, espantam os maus espíritos do governo e da oposição e libertam os cidadãos para cobrar dias melhores.
Quem garante são os sábios homens das folhas da Feira de São Joaquim. O Metrópoles percorreu as bancas baianas pedindo receitas para um banho descarrego especialmente para o Brasília se desvencilhar do peso-morto de 2015, da energia doentia da corrupção, das traições e dos conchavos políticos acima dos interesses do povo.
Vixe, Brasília, a energia tá braba!
Seu Raimundo
Sete ervas
Há 50 anos lidando com a ciência das plantas, seu Raimundo aprendeu os segredos das ervas com a “antiguidade”, respeitando a natureza e cultuando deuses como Ossanha, orixá dono dos segredos das folhas, e o Caboclo João das Matas. Para o energizante banho do brasiliense, ele faz uma lista de sete ervas para a limpeza do corpo dos habitantes do Distrito Federal.
“vence-tudo”, “abre-caminho”, “tira-quizanga”, “tomba-tudo”, “quebra-feitiço”, “vence-demanda” e “vence-batalha”
A receita é simples. Pega-se todas as folhas, macera-se tudo com as mãos num caldeirão de água, ferve, deixa descansar, toma um banho normal e, depois, lava-se com as folhas cozidas, sem se enxugar. O excesso de folhas joga-se no mato.
Encontrá-las no Cerrado não é difícil, porque é terra de caboclos, de índios. E sempre há uma planta que pode substituir a outra no banho. No caso das sumidas ‘vence-demanda’ e ‘vence-batalha’, sugiro trocá-las por guiné e peão-roxo.
Seu Raimundo
Nuvem de tempestade
Com 35 anos de folhas, seu Tamar de Xangô acredita que a energia de Brasília precisa circular, está parada e pesada como uma nuvem de tempestade. Para ele, é importante tomar o banho de folhas e, depois, um banho cheiroso de alfazema. As ervas para o banho são as mesmas recomendadas por seu Raimundo. E não adianta substituir por qualquer uma. É preciso consultar quem conhece.
Para um ano brabo como este, arruda, por exemplo, não resolve. Procurando em suas feiras, o brasiliense consegue achar boa parte delas. Se não tiver as sete, tome com as cinco. Mas tome!
Seu Tamar de Xangô


