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Spoilers

Diretor de 15h17, Clint Eastwood é veterano mais inquieto de Hollywood

Em cartaz com seu 36º longa-metragem, diretor de 87 anos segue desafiando expectativas do público a cada novo filme

14/03/2018 05:30
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Diretor de 15h17, Clint Eastwood é veterano mais inquieto de Hollywood

Para todos os efeitos, Clint Eastwood é um artista da Hollywood clássica trabalhando no cinema contemporâneo. Atenção: não confundir experiência com obsolescência.

No 36º filme como diretor, o cineasta de 87 anos (completa 88 em maio) ousa flertar com a contemporaneidade à sua maneira: chamou não atores para interpretarem eles próprios em 15h17: Trem para Paris (leia crítica), longa sobre três amigos (dois deles militares) que evitaram um ataque terrorista na Europa, em 2015.

Trata-se do novo capítulo da historiografia cinematográfica dos Estados Unidos assinada por Eastwood, cujas recentes páginas incluem conto desencantado sobre heroísmo (Sully: O Herói do Rio Hudson), problematização da vida militar (Sniper Americano) e crônica romanesca da juventude via música pop nos anos 1950 e 1960 (Jersey Boys: Em Busca da Música).

Diretor de 15h17, Clint Eastwood é veterano mais inquieto de Hollywood - destaque galeria
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Spencer Stone e Alek Skarlatos: dupla viajava para Paris com Anthony Sadler no momento do ataque
Spencer Stone: ação rápida para conter o terrorista no trem para Paris
Anthony Sadler, único civil do trio
Pôster de 15h17: Trem para Paris
Clint Eastwood com Alek Skarlatos: herói no papel dele mesmo
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Clint Eastwood com Alek Skarlatos: herói no papel dele mesmo

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Spencer Stone e Alek Skarlatos: dupla viajava para Paris com Anthony Sadler no momento do ataque
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Spencer Stone e Alek Skarlatos: dupla viajava para Paris com Anthony Sadler no momento do ataque

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Spencer Stone: ação rápida para conter o terrorista no trem para Paris
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Spencer Stone: ação rápida para conter o terrorista no trem para Paris

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Anthony Sadler, único civil do trio
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Anthony Sadler, único civil do trio

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Pôster de 15h17: Trem para Paris
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Pôster de 15h17: Trem para Paris

Warner Bros./Divulgação

Chamar pessoas do mundo real para se representarem é bastante comum no cinema independente. Hoje popularizados por Bom Comportamento (2017), filme de perseguição estrelado por Robert Pattinson, os irmãos Benny e Josh Safdie escalaram Arielle Holmes para o papel dela mesma em Amor, Drogas e Nova York (2014), drama baseado nas memórias da personagem-atriz sobre suas andanças como usuária de heroína na metrópole.

15h17: Trem para Paris não chega perto de certas obras-primas do cineasta, como Os Imperdoáveis (1992) e Honkytonk Man – A Última Canção (1982). Ainda assim, é capaz de deixar o grande público desconcertado.

Ao contrário do que se pode pensar sobre a carreira de um veterano em Hollywood, Eastwood não aceita fazer filmes confortáveis, “fáceis”. Basta repassar a carreira de Sobre Meninos e Lobos (2003), outro filmaço de seu extenso currículo, para cá.

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Jersey Boys: Em Busca da Música (2014)
A Troca (2008)
Sobre Meninos e Lobos (2003)
Além da Vida (2010)
Sniper Americano (2014)
Gran Torino (2008)
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Gran Torino (2008)

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Jersey Boys: Em Busca da Música (2014)
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Jersey Boys: Em Busca da Música (2014)

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A Troca (2008)
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A Troca (2008)

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Sobre Meninos e Lobos (2003)
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Sobre Meninos e Lobos (2003)

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Além da Vida (2010)
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Além da Vida (2010)

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Sniper Americano (2014)
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Sniper Americano (2014)

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Invictus (2009)
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Invictus (2009)

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J. Edgar (2011)
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J. Edgar (2011)

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Menina de Ouro (2004)
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Menina de Ouro (2004)

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A Conquista da Honra (2006) e Cartas de Iwo Jima (2006)
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A Conquista da Honra (2006) e Cartas de Iwo Jima (2006)

Paramount/Warner Bros./Divulgação

Além de um dos mais poderosos estudos sobre luto e irmandade já feitos (Sobre Meninos e Lobos), o diretor criou um díptico ambicioso sobre lados distintos da Segunda Guerra Mundial (A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima, cujo pôster vemos de passagem no quarto de Spencer em 15h17), desconstruiu sua persona de faroeste e seu Dirty Harry em uma tacada só (Gran Torino), entortou o gênero biográfico (Invictus, J. Edgar) e até especulou sobre espiritualidade e vida após a morte (Além da Vida).

Eastwood trabalha rápido e bastante (36 filmes como diretor em 47 anos, sem contar compromissos de atuação desde a década de 1970), mas erra pouco (Escalado para Morrer, Rookie: Um Profissional do Perigo e talvez um ou outro longa irregular). Um veterano com a lucidez de um jovem no auge da forma.