Dia das Bruxas: Freddy Krueger e minha cena de terror favorita
No primeiro e único filme bom da série “A Hora do Pesadelo”, Freddy Krueger criou medo numa criança que nunca o esqueceu
atualizado
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Existe alguma razão pela comemoração do Dia das Bruxas ser tão próxima do Dia de Finados? Talvez seja apenas uma das crenças mais duradouras da humanidade, onde um plano sobrenatural reúne aqueles que partiram com todo tipo de criatura amedrontadora.
A meu ver, nenhuma criação do gênero cinematográfico de terror chega aos pés de Freddy Krueger, de “A Hora do Pesadelo” (1984). Um serial killer de crianças, assassinado pelos pais de suas vítimas, Freddy é instantaneamente reconhecido no mundo inteiro com seu suéter listrado, rosto queimado e luva com garras afiadas.
Fisicamente ele não é mais nem menos intimidador do que Jason ou Michael Meyers com seus facões. O que sempre me deu mais medo foi seu plano de ataque — no caso, “plano” não quer tem a ver com planejamento, mas sim com a metafísica.
Freddy,você já deve saber, ataca suas vítimas enquanto elas dormem, dentro de seus sonhos. E dormir é uma necessidade básica para todos nós. Com domínio completo de seu habitat, ele é um predator perfeito, e talvez seja por isso que acho a cena abaixo a melhor do terror:
Caça e caçador
Tudo começa com a caça, um tanto brincalhona e até cômica: a jovem Tina encontra Freddy num beco escuro, atrás de sua casa e ele aparece com braços alongados (pra quê, eu não sei). Como uma criança malvada, ele brinca com Tina, correndo atrás dela como um desvairado, pulando de trás de uma árvore, cortando seu próprios dedos e rindo histericamente.
Num último momento de fora da casa, Tina ainda consegue arrancar sua face, mas Freddy continua rindo dela com a caveira exposta, numa triste constatação de que ela não tem como detê-lo.
Mas esta sequencia não é nada diferente de outros filmes slashers, o que importa é o que vem depois: fora do sonho de Tina, seu namorado acorda enquanto ela tem o pesadelo. Rod não tem nem como socorrê-la: ele assiste o torso de Tina ser dilacerado e o sangue jorrar enquanto o corpo dela é jogado no teto por uma força que ele não consegue ver.
Além do terror de ver sangue jorrando de uma menina, o espectador ainda é submetido ao masoquismo de ver o namorado dela no papel no papel de testemunha incapaz. Parece tão fácil se salvar de Krueger, é só acordar.
Terror e fascínio
O mais puro terror consiste disto, uma completa incapacidade de deter o que nos ameaça. O fascínio, claro, vem daquela grande questão que todos enfrentaremos: nossa própria morte. Os monstros dos filmes de terror são metáforas, personificações da ameaça de não encontrarmos o que queremos, ou mesmo de não encontrarmos nada, após nossas mortes.
Assim como a morte é inevitável, independentemente do quanto queremos viver, o sono também o é, independentemente do quanto queremos ficar acordados. É por isso que a ameaça de Freddy permanece tão assustadora.
