Taça Libertadores: rescaldo do mercado e esquenta para o certame mais importante do futebol continental

Primeiro representante brasileiro a entrar em campo pela Libertas-2016, o São Paulo precisa abrir sua temporada cumprindo um protocolar (e eventualmente traiçoeiro) mata-mata preliminar

atualizado

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Kácio Pacheco/Metrópoles
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1 de 1 iluatra_libertador_teves_cassio_vitor - Foto: Kácio Pacheco/Metrópoles

Logo mais à noite, 21h45, na cidade peruana de Trujillo, o time do São Paulo enfrenta o Cesar Vallejo, que não é um único sujeito e sim todo um clube de futebol. O embate no estádio Mansiche pode não prometer muito glamour mas, na prática, uma Taça Libertadores da América realmente nada tem a ver com glamour.

Primeiro representante brasileiro a entrar em campo pela Libertas-2016, o São Paulo precisa abrir sua temporada cumprindo um protocolar (e eventualmente traiçoeiro) mata-mata preliminar. Passando o Vallejo em dois jogos, com todo o respeito ao nobre poeta, ida e volta, esta semana e a próxima, aí podemos colocar o tricolor paulista no mesmo balaio de Corinthians, Atlético Mineiro, Palmeiras e Grêmio, os demais postulantes pátrios, que já começam seus trabalhos na chamada fase de grupos do afamado certame.

Como não temos tempo a perder no corrido calendário desportivo, a competição terá sua primeira rodada de grupos no outro meio de semana, de 16 a 18 de fevereiro. Portanto, o ano mal começou e os times brasileiros precisam recuperar-se logo das perdas para o futebol estrangeiro, reencaixar-se dentro de campo e rapidinho voltar a rodar em ritmo competitivo.

Rubens Chiri / saopaulofc.net
Edgardo Bauza comanda treino do São Paulo

A provisória paz de Bauza
Pensando bem, nada pode ser melhor para o São Paulo do que voltar rapidinho à carga e pegar logo um César Vallejo pela proa. Esqueça o Estadual. Só na Libertas o time toma um choque de competição – e aquele medinho de pagar um Tolima na frente de todo mundo já deixa a rapaziada ligada.

Cá entre nós, o simples fato de o São Paulo estar na Libertadores é uma prova do peso de sua camisa. Porque o ano passado foi caótico para os lados do Morumbi. Antes vista como exemplo de gestão, a cartolagem do SPFC teve que expurgar um presidente, o fofo Carlos Miguel Aidar, num processo naturalmente traumático. Nessa barafunda, trocou de técnico mil vezes, até o Doriva esteve por ali, e o time passou a impressão de que só jogava quando queria, classificando-se para o torneio internacional como quem estava a fazer um enorme favor.

Edgardo Bauza, treinador argentino famoso por ter tornado a nanica LDU um fantasma latino-americano, encontra um clube em processo de apaziguamento. Conta com uma certa paz, ainda que provisória. A aposentadoria de Rogério Ceni e as saídas de Luis Fabiano e Alexandre Pato ajudam a arejar a casa. Seria difícil para um forasteiro ter que lidar com três comandados desse porte. Juan Carlos Osorio mal aguentou quatro meses.

Bauza, de toda forma, já deu sinais de ser bem diferente de Osorio. Digamos que ele tem um espírito mais Muricy, para citar um dos últimos treinadores bem sucedidos no clube. Menos dado a arroubos ofensivos e a reinações táticas do que Osorio, a tendência é que Bauza conserte o sistema defensivo e confie no talento do recém-chegado Jonathan Calleri para dar um gás ofensivo ao lado de um enfim titularíssimo Alan Kardec.

Restando sempre aquela perguntinha capciosa: o que fazer com o Ganso? Bem, se Edgardo Bauza conseguir devolver a Paulo Henrique Ganso sua energia vital já terá feito baita, baita trabalho. Não apenas para seus patrões, para todo o futebol brasileiro.

Agência Corinthians/Divulgação
Tite: Quebra-cabeça após desmanche

A nova aventura de Tite
Quem diria que o São Paulo, após a implosão do ano passado, pudesse chegar a este fevereiro com mais cara de time do que o Corinthians campeão brasileiro?

Chineses e franceses retalharam o ex-melhor time do Brasil. O beque Gil, o volante Ralf, os armadores Jadson e Renato Augusto, os atacantes Malcom e Vágner Love. Metade do time titular de Tite foi embora. O arqueiro Cássio, que cogitou ir também, meio que ficou sozinho segurando a porteira.

Saudado como o atual supertécnico do futebol nacional, Tite terá que remontar seu Corinthians mais uma vez. Como fez depois daquela eliminação para o Deportes Tolima na Libertas-2011. A seu favor, desta feita, ele carrega um lastro ainda maior. Contra si, o aperto do calendário, que começa justamente com a mais importante competição da temporada.

A se julgar pelo apresentado na estreia alvinegra pelo Paulista, vitória de pênalti no último minuto sobre o XV de Piracicaba, há um bocado ainda a ser feito, claro, mas ao menos Tite deixou impressas também no resto do elenco suas ideias de jogo: marcação por todo o campo, compactação dos três setores, contragolpe em velocidade. Sim, o espírito está ali ainda. Difícil, ou mesmo impossível, será voltar a ter aquele rendimento quase absoluto de 2015.

Com o troco que pingou pelas vendas de Gil e Malcom, o Corinthians foi às compras e – freudianamente – trouxe jogadores que foram lançados por e/ou tiveram ligação íntima com seu mais recente rival, o Atlético Mineiro. E tu bem podes dizer que André, Guilherme e Giovanni Augusto são sujeitos a altos e baixos. De fato. Já era assim, há um par de anos, com Love, Jadson e Renato Augusto, não?

Por tudo isso, a única certeza é a de que o Corinthians recuou várias casinhas antes mesmo de esta Libertadores começar. O time estreia no dia 17, diante do chileno Cobresal, não muito distante do deserto do Atacama. 

Grêmio/Divulgação
Giuliano, uma das esperanças do Grêmio

O banco de Robinho, o pé de Giuliano…
Corinthians e São Paulo, pelas tantas razões acima, comandaram o noticiário deste início de ano. Muitas novidades, entra e sai de gente, balões de ensaio diários. E agora sobrou até para o Atlético Mineiro. Esta semana, a novidade do business boleiro seria uma sondagem do atacante popstar Robinho, que não consegue se criar na China e está tentando cavar uma vaguinha por aqui.

A melhor coisa que o Atlético pode fazer é deixar Robinho continuar sentado no banco do Guangzhou Evergrande. Diego Aguirre já tem muito trabalho no Galo. Depois de perder Jemerson, há uma retaguarda a ser remendada. E o ataque está bem encaminhado, com o Pratto, obrigado. Os primeiros resultados do time neste ano (vitória sobre o Corinthians em amistoso, derrota para o Flamengo a valer) mais confundem do que explicam. Vale baixar a pressão e deixar rolar.

Assim como Palmeiras e Grêmio, o Atlético vinha conseguindo passar as últimas semanas na miúda. Os três times chegam à Libertadores com trabalhos já desenvolvidos e uma tendência de progresso. Agora boa parte da narrativa, no Olímpico, gira em torno da recuperação de Giuliano, que sentiu lesão num amistoso de pré-temporada e é tão conhecido pela habilidade com a bola quanto pela fragilidade física.

A defesa do Grêmio tem sido um problema para o técnico Roger Machado, algo raro por lá. Já a defesa do Palmeiras parece ter sido enfim acertada por Marcelo Oliveira. No Parque Antártica, o desafio do treinador é não confundir as ideias em meio ao vasto elenco empilhado pelo presidente e mecenas Paulo Nobre. No ano passado, de tanto mexer nas peças, Oliveira quase perdeu o controle do jogo. Foi salvo pela Copa do Brasil. E ele já percebeu que, diabos, a tal “turma do amendoim” não dorme jamais.

Boca Jr./Divulgação
Carlito Tévez é o principal nome do Boca Juniors

O ataque mais feroz das Américas
Quando a pelota rolar pelas Américas, enfim poderemos descansar as teorias e as especulações. Todo ano aparece uma surpresinha. Once Caldas, Guarany do Paraguai, San Lorenzo de Almagro. Por enquanto, se for para apontar um favoritão… Com todo respeito ao atual campeão, River Plate, a expectativa geral recai sobre o Boca Juniors.

Carlos Tévez, que trocou a Europa pela Argentina no auge da carreira, terá a companhia de Osvaldo. Os dois já tinham jogado juntos pela Juventus de Turim, formando uma dupla veloz, impetuosa e de raro repertório técnico. Se fizerem algo assim parecido, com La Bombonera pulsando à sua volta, o Boca se tornará o mais feroz dos times deste continente.

E se o San Lorenzo teve o Papa Francisco em sua histórica e empolgante campanha na Libertas-2014, este Boca Juniores tem Mauricio Macri. A prestigiosa Confederação Sul-Americana, que havia imposto quatro jogos de punição ao Boca após os graves incidentes no superclássico do ano passado, já aliviou a parada. Dia desses, anunciou baixinho que La Bombonera ficará de portões fechados apenas na primeira rodada.

A Taça Libertadores da América não é para meninos, não.

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