Rafael Nadal está entre nós: um touro segue vivo na arena do Rio Open

Mick Jagger almoçou com Caetano Veloso e Paula Lavigne. Keith Richards foi visto aterrissando de jatinho. O final de semana do Rio de Janeiro vai ser quente com The Rolling Stones no Maracanã. Mas Jagger & Richards não são os únicos popstars por lá nestes dias, não. Rafael Nadal bateu Nicolás Almagro, ontem à noite, […]

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Rio Open/Twitter/Reprodução
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1 de 1 rafael - Foto: Rio Open/Twitter/Reprodução

Mick Jagger almoçou com Caetano Veloso e Paula Lavigne. Keith Richards foi visto aterrissando de jatinho. O final de semana do Rio de Janeiro vai ser quente com The Rolling Stones no Maracanã. Mas Jagger & Richards não são os únicos popstars por lá nestes dias, não.

Rafael Nadal bateu Nicolás Almagro, ontem à noite, e esticou sua estadia para o Rio Open. O primeiro set foi de tranquilos 6/3, dentro de uma longa tendência nos duelos entre os dois tenistas espanhóis. Almagro deu um gás na segunda parcial, Nadal forçou algumas bolas em demasia e teve dois saques quebrados antes de fechar em compridos 7/5.

Estava meio que ajeitado para Rafael Nadal, número cinco do ranking e grande estrela do Aberto do Rio de Janeiro, cruzar com Thomaz Bellucci agora nas quartas-de-final. Mas faltou combinar com Aleksandr Dolgopolov, o ucraniano número 33 do mundo. Ele superou Bellucci e estragou a festinha brasileira. Então Nadal e Dolgopolov se reencontram após a final do torneio de 2014, vencida pelo espanhol.

Confira, neste vídeo do YouTube, os melhores momentos daquela partida…

https://www.youtube.com/watch?v=rtYtso3oWBM

 

O cansaço do touro

Rafael Nadal, Roger Federer, Novak Djokovic e Serena Williams. São quatro atletas fora de série, quatro super-heróis de histórias em quadrinhos, quatro seres dotados de recursos técnicos, vigor físico e espírito competitivo acima de seus pares. Quatro bravos com uma resiliência digna de Leonardo DiCaprio em “O Regresso”. O tênis nunca mais será o mesmo depois desse quarteto fantástico que, por uma coincidência absurda ou por puro desígnio divino, habita as quadras de uma mesma geração.

Por isso ter Rafael Nadal aqui entre nós, ver Rafael Nadal no saibro seguirá sendo uma experiência cara ao amante do desporto. Mesmo que hoje, aos 29 anos de idade, ele venha atravessando o momento mais difícil de sua carreira. Minado por seguidas lesões nas últimas três temporadas, El Toro não tem mais a mesma força em gestos, a mesma confiança em golpes, a mesma sequência feroz de bolas vencedoras a varrer o oponente de quadra. Tem saído de torneios na primeira, na segunda rodadas.

Entre especialistas, ex-jogadores e treinadores, a explicação para o declínio de Rafael Nadal se revelaria em uma espécie de dominó físico e mental. Seu forehand teria perdido força ao longo do tempo devido a lesões crônicas nos ombros. Nadal já comentou sobre uma tendinite no braço esquerdo, por exemplo. Esse tipo de estorvo faz com que um atleta tenha que procurar mudar o próprio estilo de jogo. Aconteceu isso com Andre Agassi, Gustavo Kuerten, Roger Federer. No caso de Nadal, as limitações prejudicariam sua maneira característica de encurtar pontos, rebatendo sempre com força e indo ao limite das bolas vencedoras.

E quando os problemas físicos ferem seu estilo de jogo, o drive mental e a confiança absoluta são feridos também.

Nadal vs Thiem: semi de Buenos Aires *Argentina Open/Twitter/Reprodução*

 

O conforto do saibro

Superar Novak Djokovic, hoje na plenitude de sua forma, parece estar fora do alcance atual de Rafael Nadal. Superar Djoko numa partida de cinco sets, o próprio Roger Federer admitiu numa entrevista recente durante o Aberto da Austrália, já não parece mais uma possibilidade real para ele, Federer. O que dizer, então, do resto da humanidade.

Talvez por isso, Rafael Nadal tenha decidido nos últimos anos vir disputar a temporada sul-americana de saibro. Maior vencedor da história de Roland Garros, o único torneio de grand slam realizado na terra batida, Nadal no auge conseguia impôr seu jogo também na quadra rápida. Mas agora, longe dos melhores dias, ele parece buscar o conforto do saibro, o terreno que o nutriu na Espanha desde menino, o terreno que o fez virar El Toro Miura.

No Aberto da Argentina, realizado semana passada nas quadras do Buenos Aires Lawn Tennis Club, Nadal defendia o título e perdeu a semifinal para o austríaco Dominic Thiem, 19 do mundo. Thiem também está no Rio Open. Os dois podem se reencontrar na final marcada para domingo no Jockey Club Brasileiro. Thiem tem 22 anos. Sete anos menos que Rafael Nadal. Mas um touro, mesmo cansado, será sempre um touro.

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