Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Vermífugo associado a remédio contra câncer pode frear tumores resistentes

Em testes com células e camundongos, combinação de dois remédios retardou o crescimento de tumores de pulmão resistentes ao tratamento

13/10/2026 10:32, atualizado 13/10/2026 10:33
Magnific
Ilustração colorida de células cancerígenas - Metrópoles.

Um medicamento usado para tratar vermes parasitas pode ajudar a combater células de câncer de pulmão resistentes a um tratamento. Em experimentos de laboratório e com camundongos, pesquisadores observaram que a combinação do vermífugo mebendazol com o gefitinibe, um medicamento contra o câncer, reduziu a viabilidade das células tumorais e retardou o crescimento dos tumores.

O estudo foi publicado em 8 de outubro na revista PLOS ONE e investigou um tipo de câncer de pulmão de células não pequenas com alterações no gene EGFR. As células utilizadas já haviam desenvolvido resistência ao gefitinibe, que bloqueia sinais envolvidos na multiplicação do tumor.

Os resultados ainda são pré-clínicos, o que significa que a combinação foi testada em células e animais, mas ainda não há evidências de que funcione ou seja segura para tratar pessoas com o câncer.

Como os medicamentos atuam

O gefitinibe bloqueia a atividade de uma proteína chamada EGFR, que participa da transmissão de sinais para o crescimento celular. Algumas alterações genéticas mantêm esses sinais ativos e favorecem a multiplicação das células cancerígenas. Com o tempo, porém, o tumor pode desenvolver mecanismos para escapar da ação do medicamento.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

O mebendazol, por sua vez, é usado contra infecções causadas por vermes parasitas. Ele interfere nos microtúbulos, estruturas que ajudam a organizar a divisão celular e o transporte de materiais dentro das células.

A equipe investigou se a combinação dos dois medicamentos poderia atingir as células resistentes por mecanismos diferentes. A hipótese era que bloquear os sinais de crescimento e interferir na divisão celular dificultaria a sobrevivência do tumor.

“A mensagem empolgante é que a resistência aos medicamentos pode não tornar as células cancerígenas invulneráveis. Ela pode deixá-las com pontos fracos que podemos atacar”, afirmou ao ScienceAlert o pesquisador de farmacologia Shakta Mani Satyam, da Universidade de Ciências Médicas e da Saúde de RAK, nos Emirados Árabes Unidos.

O que aconteceu nos testes

Nos experimentos com células humanas de câncer de pulmão resistentes ao gefitinibe, a equipe observou que o medicamento isolado teve pouco efeito. Após 72 horas, a viabilidade celular permaneceu em cerca de 93% do nível registrado no grupo sem tratamento.

O mebendazol, em baixa concentração, reduziu esse índice para aproximadamente 80%. Quando os dois medicamentos foram combinados, a viabilidade caiu para cerca de 38%.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Os pesquisadores também observaram sinais de danos ao DNA das células tratadas. Segundo a equipe, os resultados são compatíveis com um aumento do estresse durante a replicação do material genético, processo necessário para a multiplicação celular.

Em seguida, os cientistas testaram a combinação em camundongos com tumores formados a partir das células humanas resistentes ao tratamento.

Nos animais sem tratamento, os tumores levaram, em média mediana, 6,2 dias para dobrar de tamanho. Com mebendazol isolado, o período foi de 10,3 dias. Com gefitinibe isolado, chegou a 15,5 dias. Quando os dois medicamentos foram administrados em conjunto, o tempo aumentou para 25 dias.

Apesar da diferença, os tumores não desapareceram. O experimento durou 40 dias e incluiu oito camundongos por grupo de tratamento.

Vermífugo associado a remédio contra câncer pode frear tumores resistentes - destaque galeria
9 imagens
Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença
A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.
Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago
A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão
Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação
1 de 9

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação

boonchai wedmakawand
Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença
2 de 9

Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença

Phynart Studio/ Getty Images
A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.
3 de 9

A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.

Flashpop/ Getty Images
Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago
4 de 9

Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago

FG Trade/ Getty Images
A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão
5 de 9

A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão

South_agency/ Getty Images
Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido
6 de 9

Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido

Peter Dazeley/ Getty Images
A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados
7 de 9

A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados

RealPeopleGroup/ Getty Images
Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos
8 de 9

Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos

ljubaphoto/ Getty Images
Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago
9 de 9

Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago

DjelicS/ Getty Images

O que falta descobrir

Os resultados não permitem afirmar que o mebendazol reverta a resistência ao gefitinibe. Ainda não está claro se a combinação recupera a sensibilidade das células ao tratamento ou se provoca danos adicionais que dificultam sua sobrevivência.

A segurança também precisa ser investigada. Embora os animais não tenham apresentado perda de peso sustentada, essa observação não é suficiente para demonstrar que a combinação seja segura. Os pesquisadores ainda precisam avaliar possíveis efeitos em órgãos e tecidos saudáveis, além de investigar a dosagem e a exposição aos medicamentos.

Outro desafio é saber se o mebendazol consegue atingir concentrações suficientes nos tumores de seres humanos. A absorção do medicamento após a ingestão pode variar, e os resultados obtidos em camundongos não garantem que o mesmo efeito ocorra em pacientes.

A equipe pretende testar a combinação em outras células resistentes e em modelos de tumores derivados de pacientes. Os pesquisadores também consideram importante investigar se a estratégia funciona contra a resistência ao osimertinibe, outro medicamento usado no tratamento de tumores com alterações no EGFR.