Variante Gamma dribla anticorpos produzidos pela Coronavac, diz estudo

Mutações sofridas pela variante encontrada em Manaus também facilitam a reinfecção pelo novo coronavírus, segundo pesquisadores brasileiros

atualizado 13/07/2021 18:24

Divulgação/PMJP

Um estudo feito por pesquisadores do Laboratório de Vírus Emergentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indica que a vacina Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, tem a eficácia reduzida contra infecções com a variante Gamma do coronavírus (P.1).

A cepa encontrada originalmente em Manaus também consegue escapar dos anticorpos produzidos após a infecção por outras cepas, o que facilita a reinfecção dos pacientes recuperados.

Os resultados do estudo foram apresentados pela primeira vez no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (ECCMID). O estudo completo foi publicado na revista científica The Lancet Microbe, na última quinta-feira (8/7).

“A capacidade da variante P.1 de evitar anticorpos presentes no plasma de indivíduos imunizados com Coronavac sugere que o vírus pode potencialmente circular em vacinados – mesmo em áreas com altas taxas de vacinação”, afirmam os autores.

Os cientistas analisaram a sensibilidade da variante Gamma aos anticorpos neutralizantes presentes no plasma – porção líquida do sangue – de 53 pessoas vacinadas com a Coronavac, e outras 21 com histórico de infecção prévia pelo coronavírus.

O grupo foi dividido entre as pessoas que haviam recebido apenas uma dose (18 indivíduos) e os que receberam as duas (20), com amostras de soro coletadas entre 17 e 38 dias após a dose mais recente; e 15 indivíduos que receberam as duas doses como voluntários na fase 3 do estudo da vacina. O plasma desse segundo grupo foi coletado entre 134 e 230 dias após a segunda dose.

Entre os que haviam se recuperado da doença, foram encontradas altas quantidades de anticorpos que agem contra o vírus, mas não foram suficientes para neutralizar a variante Gamma. O mesmo resultado foi encontrado entre os imunizados com a Coronavac.

Os cientistas destacam que os anticorpos neutralizantes têm como alvo a proteína spike, que liga o vírus às células humanas. A variante P.1 tem 15 mutações únicas, 10 delas na proteína spike.

Eles alertam, por outro lado, que a Coronavac tem grande potencial de prevenção contra quadros graves da doença causada por qualquer variante, e que, além dos anticorpos alvos do estudo, “a resposta das células T também pode desempenhar um papel importante na redução da gravidade da doença”.

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