Mulher descobre tumor cerebral após sintomas tratados como estresse
Dores atribuídas ao estresse, menopausa e filhos atrasaram diagnóstico de tumor cerebral agressivo
atualizado
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Uma mulher de 32 anos foi diagnosticada com um tipo raro e agressivo de câncer cerebral após meses convivendo com sintomas que foram inicialmente atribuídos ao estresse, alterações hormonais e até à rotina com os filhos.
O caso de Libby Woolaston, moradora de Wolverhampton, na Inglaterra, foi divulgado pelo instituto Brain Tumour Research e repercutido pela imprensa britânica, nesta terça-feira (21/4).
Os primeiros sinais que Libby observou, surgiram em meados de 2024, quando ela começou a sentir dores de cabeça persistentes. Apesar da insistência em buscar ajuda médica, ela recebeu explicações consideradas comuns: estresse, menopausa precoce, desequilíbrios hormonais e até depressão.
Em um dos atendimentos, um médico chegou a sugerir que os sintomas poderiam estar ligados à rotina familiar. “Você não acha que são seus filhos causando dor de cabeça“, relatou ao instituto.
Sintomas ignorados e piora progressiva
Mesmo com a persistência das dores, o quadro não foi investigado com profundidade no início. Ao decorrer dos meses, os sintomas se intensificaram — e novos sinais começaram a surgir, incluindo alterações hormonais incomuns.
Ainda assim, mesmo com um diagnóstico de tumor, a suspeita inicial era de um problema benigno. Ela chegou a ser informada de que o tumor identificado era “ligeiramente maior que o normal”, mas que não representava motivo de preocupação imediata.
Tudo mudou drasticamente quando o quadro evoluiu. Em poucos meses, o tumor cresceu rapidamente e passou a pressionar estruturas importantes do cérebro.
O agravamento foi rápido e severo. Exames mostraram um aumentou de cerca de 0,6 polegadas (aproximadamente 1,5 cm) para cerca de 2 polegadas (mais de 5 cm) em apenas um mês.
Com o crescimento acelerado, Libby perdeu a visão de um dos olhos, após o tumor pressionar o nervo óptico. E, diante desta evolução, ela foi encaminhada para investigação mais aprofundada — momento em que o diagnóstico começou a ser esclarecido.
Cirurgia revelou câncer raro e agressivo
Após exames de imagem, a inglesa passou por uma cirurgia que durou cerca de quatro horas para remoção do tumor. Foi somente após o procedimento que veio a confirmação de um tumor rabdoide teratoide atípico (AT/RT), um tipo de câncer cerebral extremamente raro e agressivo, geralmente diagnosticado em crianças pequenas, que se desenvolve no sistema nervoso central — ou seja, no cérebro ou na medula espinhal.
Segundo o Brain Tumour Research, esse tipo de tumor é classificado como grau 4 — o mais alto nível de agressividade — e apresenta crescimento rápido, o que ajuda a explicar a evolução acelerada no caso dela.
Após o diagnóstico, Libby iniciou tratamento com quimioterapia, incluindo cerca de 30 sessões de radioterapia. Meses depois, exames realizados em fevereiro de 2026 indicaram que ela estava livre do câncer, embora ainda em recuperação e lidando com sequelas, como a perda parcial da visão.
A história evidencia os problemas em torno dos sintomas comuns que podem ser confundidos com condições simples, como estresse ou alterações hormonais.
O relato destaca também que tumores cerebrais raros frequentemente passam despercebidos nas fases iniciais, justamente por apresentarem sinais inespecíficos. A insistência de Libby em investigar os sintomas persistentes, a salvou de um câncer extremamente agressivo.

















