Transmissão comunitária do coronavírus: entenda o que significa

São Paulo e Rio de Janeiro já têm transmissão comunitária, ou sustentada, da doença. A Bahia tem um caso de transmissão local

atualizado 16/03/2020 13:59

Uma das principais notícias da semana sobre o coronavírus é que São Paulo e Rio de Janeiro já têm transmissão comunitária, ou sustentada, da doença. A Bahia tem um caso de transmissão local. Mas você sabe o que significa?

A transmissão local é quando as autoridades conseguem rastrear o caminho da infecção: o paciente é infectado por outra pessoa que testou positivo ou esteve em um país onde o vírus está em circulação. Já na transmissão comunitária, pessoas que não se encaixam nestas hipóteses procuram a rede de saúde e o resultado do exame dá positivo.

Até esta quinta (12/03), o Brasil tinha apenas casos importados ou de transmissão local. Com a mudança de status, os estados onde há transmissão comunitária adotam outro fluxo de serviço. Deixam de ser monitorados os casos leves da doença e o governo se concentra nos pacientes graves, que estarão hospitalizados na rede de saúde.

“O que muda é o modelo de vigilância. Por enquanto, estávamos em um momento de contenção, tentando segurar a transmissão da doença, identificando cada um dos casos. Quando esse cenário muda para comunitário, paramos de investigar os pacientes leves e passamos a monitorar os internados. Começamos a entender o vírus como se fosse comum naquela comunidade para dar mais fôlego às equipes de vigilância e atenção primária”, explica o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira.

É uma decisão da Secretaria de Saúde de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas é provável que nenhum dos dois órgãos siga alimentando a plataforma do governo com o número total de casos confirmados no estado, informando apenas os casos graves.

“Cada cidade vai poder dar atenção e focar o esforço na rede de cuidado especializado. Já os casos leves vão ser detectados pela rede sentinela, os postos de saúde, como é feito no dia a dia”, completa o secretário.

Mudanças na rotina

O Ministério da Saúde sugere que áreas com transmissão comunitária adotem algumas medidas gerais para evitar infecção:

  • Reduzir o caminho até o trabalho, incentivando a realização de reuniões virtuais, cancelar viagens não essenciais e optar, se possível, pelo trabalho remoto;
  • Reduzir o fluxo urbano, estimulando a adoção de horários alternativos aos trabalhadores, em regime de escala;
  • Planejar a antecipação das férias em instituições de ensino, visando reduzir o prejuízo do calendário escolar ou uso de ferramentas de ensino à distância;
  • Monitorar diariamente o número de admissões e altas no serviço de saúde relacionados ao coronavírus;
  • Se o estado chegar a 80% de ocupação dos leitos de UTI disponíveis, a indicação é declarar quarentena.

Outras dicas que são dadas para onde há transmissão local e devem ser adotadas também pelas áreas de transmissão comunitária são:

  • Restrição social de idosos e doentes crônicos (viagens, cinema, shoppings) e vacinação contra influenza;
  • Cancelar ou adiar eventos e atividades em locais fechados com mais de 100 pessoas – entram na recomendação eventos governamentais, esportivos, artísticos, culturais, políticos, científicos, comerciais e religiosos.

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