Terra pode funcionar como detector de matéria escura, indica estudo
Análise de dados da Terra feita por pesquisadores do Japão identifica sinais incomuns que podem estar ligados à matéria escura

Um estudo conduzido por pesquisadores do Japão sugere que o próprio ambiente da Terra pode ser usado para buscar sinais de matéria escura. A análise, publicada na revista Progress of Theoretical and Experimental Physics em junho, identificou indícios incomuns em medições geomagnéticas, mas a origem desses sinais ainda não foi confirmada.
A matéria escura representa cerca de um quarto do conteúdo do universo, mas a composição segue desconhecida. Entre os principais candidatos estão partículas ultraleves, como áxions e fótons escuros.
Terra como parte do experimento
Em vez de depender apenas de equipamentos de laboratório, os cientistas exploraram o campo magnético do planeta e a região entre a superfície e a ionosfera. Esse espaço funciona como uma cavidade natural capaz de amplificar ondas eletromagnéticas.
A ideia foi usar essa estrutura para detectar possíveis sinais produzidos por partículas de matéria escura. Segundo os pesquisadores, isso permite investigar áreas que não são alcançadas por experimentos tradicionais.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaA equipe também desenvolveu um modelo teórico que inclui propriedades da atmosfera e amplia a faixa de frequências analisadas. Com isso, foi possível estudar sinais em torno de 8 Hz e até cerca de 30 Hz.
Busca em dados de longo prazo
Para testar a hipótese, os cientistas analisaram cerca de 10 anos de dados geomagnéticos coletados entre 2012 e 2022 no Reino Unido. O primeiro passo foi remover interferências artificiais.
Em seguida, eles buscaram sinais estáveis em frequências específicas, que poderiam indicar a presença de matéria escura. A análise estatística permitiu identificar padrões compatíveis com o que seria esperado para essas partículas.

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Ver todasOs pesquisadores também consideraram diferenças entre os tipos de candidatos. Áxions podem gerar sinais que variam conforme a localização, enquanto fótons escuros tenderiam a produzir padrões semelhantes em diferentes regiões.
Resultados e limites
O estudo estabeleceu limites mais restritos para a interação entre áxions e luz, superando resultados anteriores obtidos em laboratório. No caso dos fótons escuros, foram encontrados sinais que podem estar associados à matéria escura. Ainda assim, os autores destacam que não é possível afirmar a origem desses registros.
A análise indica que o ambiente natural da Terra pode ajudar a ampliar a busca por essas partículas. Novos estudos devem aprofundar a investigação para confirmar se os sinais têm relação com a matéria escura ou com outros fenômenos ainda não identificados.



