Telemedicina pós-pandemia: como a modalidade tem avançado no país?

O crescimento da telemedicina amplia acesso à saúde, mas especialistas alertam para riscos éticos e perda de qualidade no cuidado

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Mulher sendo consultada de forma online- Metrópoles
1 de 1 Mulher sendo consultada de forma online- Metrópoles - Foto: Freepik

A telemedicina deixou de ser uma solução emergencial da pandemia para se consolidar como uma das principais apostas da saúde pública e privada no Brasil. Com consultas online, telediagnóstico e acompanhamento remoto, a modalidade ampliou o acesso à saúde em regiões afastadas e reduziu filas de atendimento.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a expansão acelerada trouxe também  desafios relacionados à segurança, à ética e à qualidade do cuidado.

Segundo a secretária Ana Estela Haddad, da pasta de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde (MS), a telemedicina já ocupa papel estratégico dentro da transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS).

Expansão da telemedicina no SUS

De acordo com o MS, a Rede Brasileira de Telessaúde realizou cerca de 5,7 milhões de teleatendimentos em 2025, alcançando 2.929 municípios brasileiros. Atualmente, o país conta com 63 Núcleos de Telessaúde habilitados para apoiar o atendimento à população.

Para Ana Estela, a tecnologia deve funcionar como complemento ao atendimento tradicional. “A telessaúde não deve ser entendida como substituto do atendimento presencial, mas como uma estratégia complementar, capaz de ampliar o acesso e qualificar a assistência”, afirma.

A secretária destaca também que o governo federal vem investindo na ampliação da conectividade e na integração digital do SUS. “A perspectiva é de expansão qualificada da telessaúde de forma integrada ao processo de transformação digital conduzido pelo programa SUS Digital”, completa.

Benefícios e limites do atendimento online

Na área da saúde mental, a telemedicina também ganhou espaço após a pandemia. A psicóloga Cristiane Moreira, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), explica que a psicologia já discutia atendimentos mediados por tecnologia antes mesmo da popularização da internet.

Segundo ela, o principal avanço foi a ampliação do acesso ao cuidado psicológico. “A possibilidade de atendimento remoto favorece pessoas que vivem em regiões com pouca oferta de serviços, com dificuldades de deslocamento e que, por diferentes motivos, não buscariam atendimento presencial”, reforça Cristiane.

Porém, a especialista alerta que o atendimento online exige preparo técnico e não pode ser tratado de forma superficial.

“A demanda crescente por cuidado em saúde mental ampliou a oferta de serviços em plataformas que transformam saúde mental em mercado, atendendo uma lógica de produtividade, rapidez e baixo custo que banaliza práticas clínicas complexas”, destaca.

Tecnologia exige responsabilidade

Entre os principais desafios da telemedicina apontados pelo Ministério da Saúde estão a proteção de dados, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018), a segurança das informações, a capacitação dos profissionais e a desigualdade no acesso à internet.

Especialistas chamam atenção também para situações em que o atendimento presencial continua sendo indispensável, como em casos de risco à vida, crise emocional intensa ou necessidade de avaliação física detalhada.

Mesmo diante dos riscos, a tendência é de expansão da telemedicina nos próximos anos. A avaliação dos especialistas é que a tecnologia pode representar um avanço importante, desde que seja utilizada com critérios técnicos, responsabilidade profissional e foco na qualidade do cuidado.

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