Pai de influencer: entenda cirurgia que põe parte do crânio na barriga. Veja vídeo

O influenciador Francisco Garcia contou que o pai passou por uma craniectomia descompressiva para aliviar a pressão no cérebro

atualizado

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Antônio Lisboa, conhecido como “Seu Boinha”, pai de influencer mandou recado aos filhos e fãs antes de cirurgia - Metrópoles
1 de 1 Antônio Lisboa, conhecido como “Seu Boinha”, pai de influencer mandou recado aos filhos e fãs antes de cirurgia - Metrópoles - Foto: Instagram/Reprodução

O influenciador Francisco Garcia usou as redes sociais para contar que o pai precisou passar por uma cirurgia e ficou temporariamente sem parte do crânio. A informação de que um fragmento do osso que protege o cérebro foi armazenado no próprio abdômen de António Lisboa chamou atenção do público e levantou dúvidas sobre um procedimento médico pouco conhecido: a craniectomia descompressiva. A técnica é usada em situações extremas.

António, conhecido como “Seu Boinha”, passou pela cirurgia após um quadro neurológico grave. A retirada de um fragmento do osso do crânio, que depois foi preservado no abdômen, pode parecer incomum, mas faz parte de uma conduta médica já consolidada em hospitais especializados.

A craniectomia descompressiva é indicada quando o cérebro incha de forma intensa, aumentando perigosamente a pressão intracraniana. Esse aumento pode comprimir estruturas vitais e impedir a circulação adequada de sangue no cérebro, colocando a vida do paciente em risco.

De acordo com o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), o foco da cirurgia não é tratar diretamente a causa do problema, mas evitar uma piora irreversível.

“A craniectomia descompressiva remove temporariamente uma parte do osso do crânio e abre a membrana que envolve o cérebro, permitindo que ele se expanda e reduza a pressão interna”, explica.

Em que situações a cirurgia é indicada

O procedimento costuma ser indicado em casos graves, como traumatismo craniano severo, AVC extenso, hemorragias cerebrais e edemas intensos causados por infecções ou falta de oxigênio.

Em geral, a cirurgia é considerada quando o tratamento clínico já não consegue controlar a pressão dentro do crânio. A decisão leva em conta a piora do estado neurológico, alterações no nível de consciência, sinais persistentes de pressão elevada no cérebro e exames de imagem que mostram compressão das estruturas cerebrais.

Segundo orientações técnicas da Universidade de São Paulo (USP), o principal exame para definir a necessidade da craniectomia é a tomografia computadorizada de crânio. Ela mostra o grau do inchaço, desvios internos do cérebro e ajuda a planejar o tamanho e o local da abertura óssea.

“O planejamento precisa ser rápido, mas bem feito. A tomografia é essencial para orientar a cirurgia”, afirma Espíndola.

A craniectomia descompressiva é uma cirurgia de alta complexidade e exige equipe experiente. Um dos maiores desafios é controlar sangramentos e garantir que a abertura no crânio seja grande o suficiente para aliviar a pressão. “Se a abertura for pequena, a descompressão pode não funcionar”, alerta o neurocirurgião.

Como todo procedimento de grande porte, a cirurgia envolve riscos. Entre eles estão infecção, sangramento, vazamento de líquido cerebral, hidrocefalia e possíveis déficits neurológicos. Muitas dessas complicações estão relacionadas à gravidade da lesão inicial que levou à cirurgia.

Por que o osso vai para o abdômen?

Um dos aspectos que mais chama atenção é o destino do osso retirado. Em alguns casos, ele é implantado temporariamente sob a pele do abdômen do próprio paciente. Segundo Espíndola, essa técnica ajuda a manter o osso vivo e protegido contra contaminações.

Depois que o inchaço cerebral diminui, o fragmento pode ser recolocado no crânio em outra cirurgia, chamada cranioplastia. Hoje, alguns hospitais também utilizam congelamento controlado do osso, mas a preservação abdominal ainda é uma prática válida.

Apesar dos riscos, a craniectomia descompressiva é considerada uma medida extrema, porém muitas vezes decisiva. Em pacientes com pressão intracraniana fora de controle, ela pode representar a única chance de sobrevivência.

“O procedimento não elimina o risco de sequelas, mas quando bem indicado, o benefício costuma superar os riscos”, conclui o neurocirurgião.

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