Médico do SUS cria receitas com desenhos e amplia acesso a tratamentos. Veja vídeo

Iniciativa incorporou em receituários do SUS ícones para ajudar pacientes não letrados a compreender prescrições médicas

atualizado

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Foto clorida de médico aplicando ilustrações em embalagens de remédios - Metrópoles.
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Durante anos, a consulta médica foi considerada o principal momento de cuidado entre profissional de saúde e paciente. No entanto, um detalhe esencial ainda falha para milhões de brasileiros: a compreensão da receita.

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatisticaos (IBGE), cerca de 9 milhões de pessoas não são letradas, enquanto outras 30 milhões têm letramento rudimentar — conseguem ler palavras, mas não necessariamente entendem o conteúdo.

Foi diante dessa realidade que o médico Lucas Cardim, médico da família e comunidade no SUS em Petrolina, Pernambuco, decidiu transformar a forma como as prescrições são feitas.

Em vez de depender apenas da escrita, ele passou a utilizar ícones, desenhos, adesivos e até vídeos para orientar pacientes sobre o uso correto de medicamentos.

A proposta parte da ideia simples de que a receita médica é uma ferramenta de acesso à informação. Quando limitada apenas ao texto, ela deixa de cumprir o seu papel.

“Quando limitamos a receita à linguagem escrita, limitamos o acesso ao cuidado de milhões de pessoas que poderiam se tratar corretamente”, afirma Cardim.

Um novo canal de comunicação no consultório

A iniciativa de Cardim não substitui a conversa durante a consulta, mas amplia o entendimento. Ao construir junto com o paciente uma receita ilustrada, surge um novo tipo de comunicação — mais acessível e, principalmente, mais eficaz.

O uso de imagens permite que o paciente associe informações importantes, como horários, dosagens e formas de uso, a elementos visuais. Isso facilita a memorização e reduz dúvidas após sair do consultório.

Segundo o médico, oferecer diferentes formas de comunicação — incluindo recursos visuais e audiovisuais — cria um canal que muitos pacientes sempre precisaram, mas nunca tiveram. O resultado é um maior interesse pelo próprio tratamento e uma participação mais ativa no cuidado com a saúde.

“Quando o paciente participa da construção da receita, ele passa a entender de verdade o que precisa fazer. A comunicação acontece como deveria acontecer em toda consulta”, diz.
Foto clorida de médico aplicando ilustrações em embalagens de remédios - Metrópoles.
Receituário com ícones ajuda paciente a entender horários e uso correto dos medicamentos

Impactos no tratamento dos pacientes

Na prática, os efeitos da estratégia já são percebidos nas unidades de saúde que adotaram o método. Houve redução de erros no uso de medicamentos e melhora no controle de condições crônicas que, por anos, eram consideradas difíceis de manejar.

Casos frequentes envolvem pacientes com diabetes que tinham dúvidas no uso da insulina ou pessoas com asma que não utilizavam corretamente as bombinhas. Com apoio visual, essas barreiras foram superadas.

Outro avanço importante ocorreu em tratamentos com intervalos mais longos entre as doses, que frequentemente geravam confusão. Com o uso de ilustrações, os pacientes passaram a seguir corretamente as orientações.

Com o tratamento mais bem conduzido, muitos passaram a buscar outros cuidados de saúde que antes ficavam em segundo plano, como atenção à pele, ao cabelo e ao bem-estar geral.

“Quando o tratamento começa a dar certo, o paciente passa a querer mais saúde. Ele deixa de focar apenas na doença e começa a cuidar de outras áreas da vida”, explica Cardim.
Imagem com ilustrações coloridas que fazem parte de um receituário médico - Metrópoles.
Receituário com ícones ajuda paciente a entender horários e uso correto dos medicamentos

Expansão e impacto no SUS

A mudança também impactou a relação com os serviços de saúde. Pacientes passaram a indicar as unidades para familiares e conhecidos, transformando os locais em referência de cuidado mais acessível e humanizado.

Atualmente, cerca de 200 profissionais utilizam a plataforma criada pelo médico, de forma gratuita, em todos os estados do país. Além das receitas ilustradas, o projeto oferece materiais de acompanhamento, como tabelas de glicemia e pressão arterial, adaptadas para pessoas com baixo letramento.

A iniciativa já está em diálogo com o Ministério da Saúde para integração aos sistemas públicos, como o prontuário eletrônico do cidadão (PEC). A proposta é ampliar o alcance da ferramenta e garantir que mais brasileiros consigam compreender e seguir corretamente seus tratamentos.

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