SUS amplia uso de tecido amniótico para tratar pacientes com diabetes
Uso do tecido é ampliado no sistema público de saúde e pode acelerar cicatrização e reduzir complicações graves em pacientes com diabete
atualizado
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O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar o uso de tecnologias da medicina regenerativa que pode acelerar a cicatrização de feridas crônicas e reduzir complicações graves, como amputações em pacientes com diabetes. A novidade foi divulgada nessa quinta-feira (17/4) pelo Ministério da Saúde (MS).
Conforme informada, a técnica utiliza a membrana amniótica em transplantes indicados para feridas crônicas, pé diabético e alterações oculares. O tecido, coletado durante o parto, tem ação anti-inflamatória e cicatrizante e vem sendo aplicado na medicina regenerativa para reduzir complicações em diferentes doenças.
No caso do pé diabético, a tecnologia pode acelerar em até duas vezes a cicatrização das feridas, em comparação aos curativos padrões. No SUS, o material já é utilizado no tratamento de queimaduras extensas desde 2025, e a expectativa é que mais de 860 mil pacientes sejam beneficiados anualmente.
Em quais casos o transplante é indicado?
O transplante de membrana amniótica é indicado, principalmente, em estágios moderados a graves de comprometimento da superfície ocular, especialmente quando há risco de cicatrização da córnea e prejuízo visual. Entre as indicações estão úlceras de córnea, defeitos epiteliais persistentes, queimaduras químicas, infecções corneanas e inflamações intensas que não respondem ao tratamento convencional.
“Em pacientes com diabetes, o procedimento ganha ainda mais importância, pois eles frequentemente apresentam cicatrização mais lenta e maior risco de complicações na superfície ocular. A membrana amniótica atua criando um ambiente favorável à regeneração, com ação anti-inflamatória e antifibrótica, o que ajuda a reduzir o risco de cicatrizes permanentes”, explica a oftalmologista da Clínica Olhar Prime, Júnia Valle França.
Estudos recentes indicam que o uso do tecido não deve se restringir apenas a fases avançadas da doença. Em casos selecionados, a aplicação precoce pode acelerar a reepitelização da córnea e melhorar o prognóstico visual.
A membrana amniótica não substitui os tratamentos convencionais, como colírios antibióticos, lubrificantes e anti-inflamatórios, mas atua de forma complementar, potencializando o processo de cicatrização. Em casos mais graves, também pode reduzir a necessidade de cirurgias complexas, como o transplante de córnea, ou adiar esse tipo de intervenção.
“No caso do glaucoma, a membrana amniótica não substitui o tratamento convencional da doença, que continua sendo o controle da pressão ocular com colírios, laser ou cirurgia. Ela pode ter papel relevante como recurso adjuvante em situações cirúrgicas ou em complicações de superfície ocular associadas ao glaucoma. O benefício não é curar o glaucoma, mas auxiliar na reparação tecidual em contextos específicos”, explica o oftalmologista Tarciso Schirmbeck, do Visão Hospital de Olhos.
Qual a importância da incorporação no SUS?
Segundo Tarciso, a ampliação do uso da tecnologia representa um avanço no acesso a tratamentos de alto valor terapêutico para pacientes que antes dependiam de centros especializados ou da rede privada. “Isso contribui significativamente para a preservação da visão e para a redução de complicações”, afirma.
