Suécia reconhece erros em não adotar lockdown no combate ao coronavírus

País foi considerado exemplo pelo presidente Jair Bolsonaro por não ter adotado medidas de isolamento social mais contundentes

atualizado 03/06/2020 15:51

Pixabay

O responsável pela estratégia da Suécia no combate ao coronavírus admitiu que o país deveria ter adotado medidas mais enérgicas de isolamento social para conter a pandemia.

Em resposta a críticas crescentes sobre a posição do país, baseada em ações voluntárias dos cidadãos, o responsável pela agência pública de saúde sueca admitiu que uma abordagem mais dura poderia ter evitado o alto número de mortes registrado no país.

“Sim, acho que poderíamos ter feito mais do que fizemos na Suécia, claramente”, disse Anders Tegnell, epidemiologista-chefe da Agência de Saúde Pública sueca, à rádio Sveriges. “Se encontrássemos a mesma doença, sabendo exatamente o que sabemos hoje, acho que acabaríamos fazendo algo entre o que a Suécia fez e o que o resto do mundo fez.”

Em números absolutos, o país escandinavo tem menos mortos pela Covid-19 do que países como Reino Unido, Espanha e Itália – os epicentros da doença na Europa. Contudo, a taxa de mortalidade per capita sueca é a oitava maior do planeta.

Em uma entrevista ao Estadão em 08/05, Tegnell sustentou que 25% estavam imunes em Estocolmo e rebateu críticas ao modelo adotado no país. “Já temos algo como 25% da população imune, o que significa que atravessamos boa parte do caminho”, disse Tegnell na ocasião.

Considerando apenas a semana entre os dias 26/05 e 02/06, no entanto, o país teve a maior taxa de mortalidade per capita do mundo: 5,29 mortes por milhão. No mesmo período, o Brasil teve 4,34 mortes por milhão de habitantes, segundo o site Our World In Data, que compila dados sobre a pandemia.

O comentário de Tegnell veio após meses de críticas a outros países europeus que adotaram o lockdown: até este momento, o governo sueco, de centro-esquerda, insistia que sua abordagem frente à doença era economicamente mais sustentável.

A insistência gerou uma série de questionamentos e críticas internacionais e domésticas, isolando Estocolmo do bloco europeu. Mais tarde nesta quarta, 03/06, em uma entrevista coletiva, o epidemiologista deu um passo atrás sobre sua declaração e disse que continua a acreditar que a estratégia escandinava é boa, “mas que há sempre melhorias que podem ser feitas”.

Isolamento
No ápice da pandemia, a Suécia foi um dos poucos países onde cafés e restaurantes ficaram abertos, escolas para alunos abaixo de 16 anos funcionavam e amigos e parentes ainda podiam se reunir.

As fronteiras continuaram abertas para visitantes europeus e o isolamento social era voluntário, apostando na cooperação do público. As estatísticas suecas mostram a fraqueza do plano: o país apresenta quase quatro vezes o total de mortos, somando os outros países nórdicos.

Enquanto os mortos por Covid-19 no território sueco chegam a 4.468, com 38.589 casos confirmados, Noruega e Dinamarca, que adotaram medidas de isolamento, têm números bastante inferiores: 8.455 infectados e 237 mortos, e 11.934 infectados e 580 mortos, respectivamente.

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