Só um em cada 10 moradores de países pobres será vacinado, dizem ONGs

Relatório divulgado por coalizão internacional alerta que maioria das vacinas contra Covid-19 em produção está reservada para países ricos

atualizado 09/12/2020 15:29

vacinaPixabay

Um alerta divulgado pela coalizão internacional People’s Vaccine Alliance veio como um balde de água fria para países fora do mundo desenvolvido. De acordo com o grupo que reúne organizações não-governamentais ligadas a área de direitos humanos e de enfrentamento às desigualdades, a compra massiva de vacinas contra Covid-19 por países ricos pode deixar a maioria da população das nações mais pobres sem o imunizante. Na prática, isso significaria que somente uma em cada dez pessoas que vivem em países não tão ricos seria imunizada.

A estimativa da entidade é que a União Europeia, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Japão, Suíça, Austrália, Hong Kong, Macau, Nova Zelândia, Israel e Kuwait já tenham reservado 53% do estoque total das vacinas mais avançadas. O montante comprado pelo Canadá seria suficiente, inclusive, para imunizar toda a população do país cinco vezes. Até agora, de acordo com o comunicado, todas as doses da Moderna e 96% das da vacina da Pfizer/BioNTech foram adquiridas por países ricos.

O problema é que as nações mais abastadas abrigam somente 14% da população mundial — o que significa que a maioria das pessoas do mundo ficaria desprotegida contra o coronavírus no ano que vem. “Ao comprar a grande maioria do suprimento mundial de vacinas, os países ricos estão violando suas obrigações de direitos humanos”, disse Steve Cockburn, chefe de Justiça Econômica e Social da Anistia Internacional.

Para os especialistas da People’s Vaccine Alliance, as empresas farmacêuticas que produzem as vacinas contra o coronavírus devem compartilhar abertamente sua tecnologia e propriedade intelectual por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso permitiria que mais doses sejam fabricadas nos próprios países em que a vacinação ocorrerá. “Durante estes tempos sem precedentes de uma pandemia global, a vida e o sustento das pessoas devem ser colocados antes dos lucros das empresas farmacêuticas”, afirmou Mohga Kamal-Yanni, consultora da coalisão, em entrevista à Reuters.

Mohga Kamal-Yanni reforçou que, enquanto a imunização com a vacina da Pfizer/BioNTech já começou no Reino Unido, cerca de 67 países de média e baixa renda podem não ter a mesma sorte tão cedo. O compromisso da AstraZeneca e da Universidade de Oxford para fornecer 64% de suas doses para países em desenvolvimento seria suficiente para imunizar, no máximo, 18% da população mundial no próximo ano.

Anna Marriott, gerente de políticas de saúde da Oxfam, disse que “ninguém deve ser impedido de receber uma vacina que salva vidas por causa do país onde vive ou da quantidade de dinheiro em tem no bolso. Mas, a menos que algo mude drasticamente, bilhões de pessoas em todo o mundo não receberão uma vacina segura e eficaz para Covid-19 nos próximos anos”.

A coalizão People’s Vaccine Alliance inclui participantes como a Oxfam International (confederação que reúne 19 organizações), Anistia Internacional (organização não governamental com mais de 7 milhões de membros) e Justiça Global Agora.

 

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