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Servidores do Instituto de Saúde Mental (ISM) do Riacho Fundo 1 realizaram protesto na manhã desta quinta-feira (1º/2) contra mudanças propostas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para a instituição.

Eles afirmam que o governo pretende descentralizar o atendimento. Toda a parte burocrática, antes tratada na unidade do Riacho Fundo, passaria a ser resolvida no Guará e Núcleo Bandeirante. Atendimentos médicos também seriam afetados.

Os funcionários defendem que a medida causaria grande transtorno para os pacientes, que precisariam se deslocar para outras cidades. Também dizem que a instituição não teria pessoal suficiente para suprir a demanda.

Valdeci Bonfim, 46 anos, faz tratamento no ISM do Riacho Fundo desde 2002. Portadora de depressão, transtorno bipolar e síndrome do pânico, ela diz que, além do problema referente ao deslocamento, já conhece e sente segurança nos funcionários do local.

“É um espaço onde sou tratada como ser humano. São profissionais que já conheço, muito carinhosos e qualificados. Me sinto em casa e não quero que isso mude. Vão me passar para pessoas que não conhecem meus problemas. Seria um novo tratamento e com certeza eu teria recaídas”, contou apreensiva.

O vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, Jorge Vianna, também se mostra contrário à medida. “A população terá um processo muito mais burocrático para resolver seus problemas, fora a dificuldade de deslocamento”, argumenta.

Mudanças já estavam previstas
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou, por meio de nota, que “a reprogramação do ISM está prevista no Plano Diretor de Saúde Mental”, aprovado em colegiado e publicado no Diário Oficial da União em dezembro de 2017.

Para a pasta, as mudanças “visam qualificar os serviços e potencializar a assistência prestada à população”. A reprogramação do instituto será coordenada por membros do grupo condutor, criado para tal finalidade, que poderá contar com a participação de servidores, informou a secretaria.

Sobre as questões de deslocamento de pacientes e demanda insuficiente de funcionários para atender à população, a pasta garantiu que “nenhuma proposição foi elaborada ou apresentada”, pois o grupo condutor foi recém-criado e ainda não houve reunião para definir as alterações que serão implantadas no ISM.