Seu sangue pode revelar doenças antes dos sintomas? Descubra

Pesquisa com quase 24 mil pessoas mostrou que proteínas e metabólitos no sangue melhoraram a previsão de 17 doenças

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Foto em close up de uma mão com luvas segurando 3 frascos com sangue. Metrópoles
1 de 1 Foto em close up de uma mão com luvas segurando 3 frascos com sangue. Metrópoles - Foto: Getty Images

Um exame de sangue detalhado poderá, no futuro, ajudar a indicar quais doenças uma pessoa tem maior risco de desenvolver antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Um estudo publicado em maio na revista Nature analisou dados de quase 24 mil participantes do UK Biobank, banco de dados biomédicos do Reino Unido, e investigou se informações moleculares presentes no sangue podem melhorar a previsão de doenças comuns.

Por meio da análise de proteínas e metabólitos, os cientistas avaliaram o risco para 17 condições, incluindo cânceres, doenças cardiovasculares, diabetes, problemas pulmonares e distúrbios neurológicos.

Hoje, a estimativa de risco para muitas doenças costuma considerar fatores como idade, sexo, exames laboratoriais tradicionais, histórico de saúde e hábitos de vida. Esses indicadores são importantes, mas nem sempre revelam o que acontece nos mecanismos biológicos mais profundos do organismo.

É nesse ponto que entra a chamada multiômica, abordagem que combina diferentes camadas de informações biológicas. No estudo, os pesquisadores se concentraram em duas delas: a proteômica, que analisa proteínas, e a metabolômica, que avalia metabólitos, pequenas moléculas produzidas pelo funcionamento do corpo.

Essas informações funcionam como pistas sobre o estado do organismo. Enquanto os metabólitos ajudam a mostrar alterações gerais no metabolismo, as proteínas podem indicar processos mais específicos ligados ao surgimento de doenças.

Proteínas tiveram maior poder de previsão

Os pesquisadores analisaram metabólitos e proteínas presentes em amostras de plasma de 23.776 pessoas. Depois, compararam modelos de previsão baseados apenas em dados clínicos tradicionais com modelos que também incluíam informações moleculares.

O resultado mostrou que acrescentar esse grande volume de dados melhorou a previsão de risco para todas as 17 doenças avaliadas. Segundo os autores, o estudo é um dos maiores já feitos para avaliar, de forma sistemática, a contribuição conjunta desses fatores na previsão de doenças.

A pesquisa, no entanto, não significa que um exame de sangue já seja capaz de prever, de forma individual e precisa, qual doença uma pessoa terá. O estudo aponta um caminho promissor para a medicina personalizada, mas os modelos ainda precisam ser validados em populações diferentes e em contextos clínicos reais.

No futuro, a inclusão de dados genômicos, epigenômicos e informações coletadas ao longo do tempo pode tornar esses modelos mais robustos.

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